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sábado, 4 de janeiro de 2014

Cuba. Venda livre de automóveis, preços impossíveis.

oclarinet.blogspot.com- Táxi Havana. Jan.2014

Desde ontem, é possível em Cuba comprar automóvel sem autorização do governo. Em 2011 tinha sido autorizada a compra e venda de usados entre cubanos. A transação de carros novos e de usados estava sujeita (desde 1959) a autorização governamental.

Carros novos em Cuba têm sido, desde a revolução, privilégio de altos funcionários e de alguns atletas, artistas, e outras “individualidades”.

Os preços a que o Estado cubano colocou os automóveis novos, são exorbitantes; o mais barato apresentado num stand Peugeot, o 206, de 2013, custa 91.113 dólares (CUC peso convertível) o que são 67 mil euros.

Como o salário médio em Cuba é de 20 dólares e de um médico (diz-se) cerca de 60, ainda vai mudar o regime de preços, (pelo menos esse regime) antes de um funcionário público mediano ter juntado dinheiro para um automóvel.

Os salários devem ser vistos pela paridade do poder de compra, e em Cuba, com 1 dólar se paga a renda de casa ou 2 meses de electricidade; para carro novo é evidente que o salário médio não chega, o que vais ser um motivo de desânimo para quem aguardava esta medida da “abertura”. Se vai servir para financiar o investimento no degradado transporte público, como prevê o governo, vai-se ver; as aquisições pelos particulares estão directamente ligadas à cobrança do imposto, que parece excessivo.

Havana Cuba. Jan.2013 
A economia de Cuba cresceu após a revolução e aguentou o bloqueio americano (desde 1961) graças ao abastecimento do bloco soviético, mas desde 1989, com o fim da União Soviética, foi uma catástrofe. A queda súbita da economia, o bloqueio económico que cortava a importação de bens essenciais e a falta de divisas fez Cuba tomar medidas após cinco anos de sufoco.

A liberalização das remessas dos emigrantes, a reativação do turismo com a flexibilização de capitais, a prestação de serviços internacionais, dos médicos (cujos serviços são troca por petróleo na Venezuela) ao “turismo de restauração” no estrangeiro, etc. O livre comércio da ALBA, parcerias com a China e a substituição da “cana” pela produção de alimentos, a par de duas economias; uma virada para o interior em função das necessidades sociais e outra para o exterior, do lucro, de empresas de turismo e exportadoras são uma viragem realista em Cuba.

Cuba tem os maiores gastos sociais por habitante, o que se reflete na gratuitidade da excelente educação e na assistência para todos do sistema de saúde, tem quase pleno emprego; tem ao mesmo tempo dificuldades na habitação e nos transportes. Carro próprio não é prioridade, é apenas um sinal das mudanças que Cuba tem de continuar a fazer.

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

China anunciou fim dos campos de reeducação

Reeducação - repressão - ilegalidade. Dez.2013
  (Sistema ilegal de repressão)

A Assembleia Nacional do Povo, órgão do poder legislativo da China, decidiu o fim dos campos de reeducação pelo trabalho. 

Os campos foram criados em 1957, na era Mao Tsé-tung (1949-1976), resistiram à desmaoização da era Deng Xiaoping, até aos dias de hoje.

Os campos foram usados para reprimir os opositores da linha do partido comunista da China, quadros “caídos em desgraça”, intelectuais, religiosos, manifestantes e outros "dissidentes".

O sistema dos campos de reeducação permitia a detenção sem julgamento até quatro anos e era nos últimos tempos, muito contestado dentro da China. 

Apesar do poder chinês dizer que tiveram um “papel relevante” (imagem) na correção de delinquentes e de alguns críticos preverem que vão continuar com outro nome, o certo é a sua abolição oficial.

Os campos de reeducação pelo trabalho, um método incompatível com os Direitos Humanos, encerram na China; o campo americano de Guantánamo, igualmente ilegal à luz da Justiça e dos Direitos Humanos, continua em actividade.

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

BCE. Revisões em baixa da actividade económica.

Previsões em baixa na Zona Euro. Ago.2013

É pró menino e prá menina. Para quem gosta de especular com zeros vírgula qualquer coisa, e mudar de crença de mês a mês, temos hoje no Público que a “OCDE antecipa recuperação da actividade económica em Portugal” a título, e mais abaixo; “O mesmo movimento antecipa para a Zona Euro”.

Temos também (aqui) que o BCE divulgou um estudo que piora as previsões sobre o desemprego (e da actividade económica) para a Zona Euro. É portanto, só escolher o que dá mais jeito, para melhor dormir. 

Sobre o BCE, que ainda não chegou cá: economistas especializados em previsão económica, consultados pelo BCE reduzem as previsões da actividade económica da zona euro deste ano, de 2014, e de 2015. Esperam uma contração de 0,6 em 2013, quando era “previsível” 0,4 - há três meses.

Os analistas culpam a debilidade da procura interna (mais fraca que o esperado no primeiro trimestre) bem como “os dados decepcionantes procedentes dos países emergentes, nomeadamente a China e o Brasil”.

Acrescente-se que o dito estudo justifica com a menor pujança da procura interna a revisão em baixa para 2014 e 2015, prevendo ainda um ligeiro aumento do desemprego na zona euro para 2014 “apesar de agora ter caído um pouco”.

Se, com o caso de ontem, dos dados do INE sobre o emprego e o desemprego, se pôde fazer notícias contraditórias, com dois estudos simultâneos é só escolher o que agrada mais.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

UE vai aplicar tarifas em painéis solares chineses.

UE. Tarifa anti-dumping para painéis solares chineses. Mai.2013

Em socorro da indústria alemã…

A Comissão Europeia vai apoiar o sector industrial da energia solar da Europa com medidas anti-dumping sobre os painéis solares da China, segundo a imprensa alemã (F.A.Z.) citando círculos de Bruxelas. Uma decisão sem precedentes.

A indústria fotovoltaica germânica passa por um declínio calamitoso, tendo no último ano falido 35% (um terço) das empresas do sector.

A China, agora com 65% da produção mundial, ultrapassou a Alemanha no fabrico de painéis solares, mas está acusada de dumping comercial pelos EUA e pela Europa. Os Estados Unidos já aplicam taxas alfandegárias.

Em Julho de 2012 foi apresentada a queixa formal por concorrência desleal, na origem da iniciativa anti-dumping da União Europeia. A média das taxas sobre estes produtos chineses deve ser de 46%, segundo a imprensa alemã. As anunciadas tarifas anti-dumping deverão começar a ser aplicadas em Junho deste ano.

A grande maioria dos painéis solares instalados na Europa já são “made in China”, as taxas aumentarão o preço da energia solar; torna por um lado mais cara uma energia limpa mas por outro defende a produção industrial europeia.

Suscita-me uma interrogação, sabendo que também há dumping dentro da União Europeia; se o sector industrial não fosse dominado pelos germânicos haveria lugar a tais medidas?

Pode-se concordar, como se pode concordar em a França socorrer a Peugeot; mas é difícil de engolir que Portugal não possa meter dinheiro nos Estaleiros de Viana do Castelo, para comprar aço e fabricar os barcos adjudicados.

As indústrias são todas europeias, mas há umas mais europeias que outras…

Coisas do Euro.

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Conselheiro de Estado compra ATMs na China.

Importado da china porquê...Abr.2013

Vítor Bento compra na China caixas multibanco.

O único fabricante na Europa de máquinas ATM (caixas multibancos) está em Portugal, tem a fábrica em Torres Vedras e pretende encerrá-la em Junho. A Talaris Portugal (antiga Papelaco) emprega 200 trabalhadores fixos mais 40 subcontratados, dados do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI).

O SIESI refere-se de forma crítica ao Conselheiro de Estado Vitor Bento, nomeado por Cavaco Silva em 2009 para o lugar deixado vago por Dias Loureiro (escândalo BPN). Vítor Bento é presidente da SIBS, Sociedade Interbancária de Serviços, entidade que gere a rede nacional de Multibancos, e, segundo se pode ler na página do sindicato “tem vindo a deixar de encomendar à fábrica portuguesa e a importar os equipamentos da China”.

No texto, o sindicato afirma: “A Talaris, adquirida em Julho de 2012 pela multinacional japonesa Glory, regista, anualmente, lucros superiores a 1 milhão de euros. É o único fabricante europeu de máquinas multibanco e de outros equipamentos de gestão de numerário que destina ao mercado nacional e à exportação. As exportações da Talaris para o mercado europeu atingem, anualmente, os 8 milhões de euros.

O plano da administração da Talaris, com o encerramento da fábrica, que é lucrativa, passa por importar da China equipamentos que agora exporta. Paralelamente, tem vindo a substituir progressivamente os trabalhadores que asseguram a manutenção dos equipamentos junto dos bancos, por outros, subcontratados e em condições de trabalho precárias.” (Texto integral aqui).

O economista e conselheiro Vitor Bento, comentador encartado e teórico neo-liberal, já muito antes do “aguenta, aguenta” do banqueiro Ulrich, dizia (em 2011) que “enquanto sociedade não há limites para o sacrifício” para contradizer Cavaco Silva que tinha acabado de dizer precisamente que “há limites para o sacrifício”. 

De 2011 para cá, Cavaco tem demonstrado ter apreendido a lição do conselheiro Bento, desde o governo Passos Coelho que não tem preocupação com “limites para o (nosso) sacrifício”.

O conselheiro Bento também já disse coisas acertadas, uma é que em Portugal o sector não transacionável foi artificialmente rentabilizado; “excessivamente atractivo em desfavor da indústria” (Público 2010). 

Palavras, conversa…quando toca a comprar nacional ou estrangeiro, a opção é pela caixa multibanco fabricada na China. 

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terça-feira, 26 de março de 2013

BRICS criam Banco de Desenvolvimento. Afastam FMI/BM.

BRICS - Brasil- Rússia - Índia - China - África do Sul. 40% da população mundial. Mar 2013
BRICS no Mundo - 1/4 do PIB 40% da População
 
Os países emergentes de maior dimensão reunidos em Durban, África do Sul, confirmaram hoje a criação de um Banco de Desenvolvimento para financiar o bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Presentes na cimeira, como convidados, estão os presidentes de Angola e de Moçambique. 

A quinta cimeira “BRICS”, de Durban, que se realiza sob o lema “Associação para o Desenvolvimento, a Integração e a Industrialização”, com a criação da nova instituição financeira internacional, lança uma alternativa ao Banco Mundial, ao Fundo Monetário Internacional (FMI), e às suas políticas.

O financiamento interno de projectos nos países emergentes, espera remover a dependência das principais economias mundiais, deixando de usar o dólar ou o euro nas suas transações. Não estando ainda decidida a questão da moeda própria, (um artigo na Telesur alvitrava uma solução como o Sistema Unitário de Compensação Regional, promovido por Hugo Chaves para o comércio entre os países componentes da ALBA).

Outro tema de grande relevo, em Durban, é a constituição de um fundo comum de moeda estrangeira, para os BRICS poderem partilhar as reservas de divisas em caso de crise económica.

Não se sabe ainda, a que ponto as conclusões da cimeira influenciarão a política económica global, ou a situação do nosso país no âmbito dos PALOP, mas já se vêm consequências positivas para os países emergentes, com a criação do Banco de Desenvolvimento. 

Nós, por cá, contamos com um BCE, banco de subdesenvolvimento por “desenho” ou “calibração” germânica.

Submergimos.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Síria. ONU acusa militares e rebeldes de crimes de guerra.


Um relatório “de uma comissão independente de investigação” divulgado hoje em Genebra, pela ONU, acusa as forças governamentais e as milícias ligadas ao regime, de “crimes contra a humanidade como assassinato e tortura, crimes de guerra e violações flagrantes dos direitos humanos e leis humanitárias”.

A comissão com mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU considera, que “as violações foram cometidas como parte da política do Estado, o que implica o envolvimento no mais alto nível das forças armadas e de segurança do governo”.

Diz ainda que “os grupos armados antigovernamentais cometeram crimes de guerra, incluindo assassinatos extrajudiciais e torturas. Apesar disso, estas violações e abusos não tiveram a mesma gravidade, frequência e escala do que os cometidos pelas forças governamentais e pelas milícias”.

Sabendo nós que não há guerras sem crimes de guerra; este tipo de relatórios que pretendem estabelecer escalas nas atrocidades são muito duvidosos na sua independência. Parecem encomendas.

Depois, há um problema insolúvel na guerra mediática do caso sírio; os rebeldes têm o hábito de filmar os seus “feitos” e colocarem-nos na internet.

Desde segunda – feira que estão três vídeos no Youtube (que me abstraí de divulgar por razões obvias) mostrando os rebeldes a assassinar a sangue frio um homem, outro a mandarem do telhado do edifício dos correios de Al-Bab vários homens que morrem estatelados na calçada, enquanto uma multidão grita Allah Akbar, e um terceiro em que um prisioneiro é degolado.

A notícia está em vários lados, foi a mais vista na selecção noticiosa do Google (Terra Brasil), ver no Diário Digital. Os vídeos, não recomendo que os procurem.

É o pior da espécie humana, que não merece a desculpabilização de um organismo como as Nações Unidas. Se estas atrocidades “não têm a mesma gravidade” que as cometidas pelo governo, não se viram coisas piores.

Hoje, a China acusa os países ocidentais de impedirem a resolução política do conflito na Síria. Segundo o editorial do jornal do PCC “os países ocidentais nunca renunciaram ao seu objectivo de mudar o regime na Síria, e de forma constante, reforçaram o seu apoio às forças anti-governamentais”.

A China (e não só) diz que é o “ocidente” que impede um consenso da comunidade internacional, a oposição interna moderada da Síria pede um cessar-fogo de ambas as partes, e a ONU vem deitar mais achas para a fogueira. Com ameaças de acusações no TPI ninguém pára de disparar - só os derrotados serão julgados.

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sábado, 4 de agosto de 2012

ONU não aprova sanções à Síria nem a saída de Assad.

O reino menos democrtico do mundo e seus aliados perderam na ONU. Ago.2012

 Assembleia-Geral da ONU condena violência na Síria. 

Conforme o serviço de notícias das Nações Unidas, a resolução aprovada ontem por maioria, em Assembleia Geral, condena “a violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais por parte do governo, assim como todo o abuso dos direitos humanos cometidos pelos grupos armados de oposição na Síria”.

No texto inicial da resolução, apresentado pela Arabia Saudita e promovido pelo Grupo de Países Árabes, constava a exigência da “saída de Assad do poder e a imposição de sanções contra o regime sírio”, mas tais menções foram retiradas durante as negociações da redacção do texto final.

 A resolução aprovada pela maioria dos 158 países, com 31 abstenções e 12 votos contra, fica assim muito longe da resolução 1973 que serviu para invadir a Líbia. 

Com o veto da Rússia e da China nas resoluções vinculativas do Conselho de Segurança e com a resolução (não vinculativa) da Assembleia Geral da ONU de condenação genérica da violência, não há base legal no concerto das nações para sanções ao regime sírio, para a exigência da saída do líder do regime sírio e muito menos para qualquer intervenção militar estrangeira no conflito.

O resto - são conversas e campanhas.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Embargo ao Irão; quem ganha com o negócio?

Dolphin. Jan 2012 

Depois da Europa, EUA convencem Japão a comprar menos petróleo aos iranianos.


Os embargos económicos a Estados soberanos, determinados por opções políticas geoestratégicas, embora assumindo sempre razões de direitos humanos ou de segurança e paz, têm efeitos ou não sobre quem são exercidos – o poder político do país alvo. Quando afectam a economia do país quem acaba por mais sofrer é o seu povo, o primeiro a sentir necessidades.

Noutros casos, como é flagrantemente o iraniano, são mais os prejuízos colaterais, (sentidos sobretudo nos países europeus em crise, como o nosso) que os danos no Irão. As sanções são sobre o Irão, que tem meios para as suportar; o aumento dos combustíveis são aqui, na vizinha Espanha, e por aí fora onde o funcionamento da economia depende da compra de petróleo.

Para o Irão, a única consequência é ter de vender o petróleo que iria para o Japão, à China e à Índia, que já se ofereceram para o comprar com o devido desconto. O tiro Americano saiu pela culatra, o confessado principal adversário estratégico, a China, passa a dispor de energia mais barata para crescer mais depressa. Israel e a Alemanha são os outros ganhadores, reatando o negócio de armamento nuclear que esteve em risco.

Em Outubro passado, a Alemanha ameaçou cancelar a entrega de um submarino “Dolphin”, da última geração, em protesto pela construção de colonatos por Israel, na parte árabe de Jerusalém. A crise, que um dia se chamará do “Estreito de Ormuz” desbloqueou a situação, e o submarino lá vai.

Como nota, registe-se que o fornecimento de submarinos alemães a Israel, ao abrigo das “compensações pelo holocausto” (mundo louco este, que dá armas de guerra nuclear em nome do holocausto) vem desde 1990, tendo a Alemanha dado (!) os dois primeiros, passando a receber uma percentagem progressiva sobre os seguintes. O actual é custeado em um terço pela Alemanha, um dia destes Israel vai pagar por inteiro as encomendas.

Quem ganha com o embargo ao Irão? Os portugueses não são com certeza, que ficam com a economia menos competitiva com o aumento dos combustíveis. Paulo Portas devia ponderar antes de apoiar publicamente esta política americana, e Passos Coelho, e o ministro Álvaro pois isto vai reflectir-se no preço dos pastéis de nata.

(Ver AQUI  "Irão sanções; EUA pressionam União Europeia".)
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Passos Coelho não sabia do Pingo Doce mas sabe da China.

Quem deve sair. Jan 2012


Dos debates quinzenais com o governo e o parlamento raramente resulta algo de produtivo, um ou outro sound bite para os jornalistas justificarem a deslocação, ou a atenção ao televisor. Disse Passos Coelho que o Governo não foi informado sobre a decisão de Soares dos Santos. E se fosse? O que alterava?

No dia em que o Eurostat diz que a taxa de desemprego em Portugal atingiu o recorde de 13,5% (em Novembro, agora já é mais!), depois de o FMI rever em baixa a previsão de crescimento mundial, os índices de confiança dos nossos consumidores e empresas, serem os mais baixos, e etcs de outras desgraças; Passos Coelho manda a economia para a China (e Índia) e nada faz para impedir os capitais de deixarem o país.

Os anteriores primeiros-ministros mandaram expandir, para a Espanha uns, para os PALOPS outros, ou para a América Latina, ou ainda para todo o lado em simultâneo; apesar de tantas ordens o que se tem expandido no estrangeiro são os capitais que daqui fogem; 6 mil milhões só para a Holanda, a um ritmo de 5,4 milhões/ dia para offshores, dizem por aí. Soares dos Santos é só mais um, merece reparo por ser um pregador da ética empresarial patriótica, só isso.

Sem solução para combater o desemprego que sobe em flecha, e é o nosso principal problema, para segurar o capital privado ou reter profissionais e licenciados dos mais capazes, o que quer Passos Coelho expandir e atrair? Pobreza, impostos, austeridade, falta de formação; como se um país pobre, sem mercado interno ou financiamento bancário, investimento público ou gente qualificada e sem vantagens fiscais, fosse atractivo ao investimento.

Vão continuar a sair capitais, profissionais e formados; é o resultado da política de austeridade, de desinvestimento e empobrecimento da nossa sociedade; só acaba a sangria quando acabar esta forma de governar. O problema é quem devia sair…

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Irão sanções; EUA pressionam UE para a via da guerra.

RQ-170 capturado pelo Irão. JAN 2012


A União Europeia chegou a um acordo de princípio para proibir as importações de petróleo iraniano. Sobe de tom a ameaça à paz no Golfo Pérsico, países da NATO dispostos a provocar uma guerra de efeitos imprevisíveis.

As medidas punitivas contra o Irão, que os EUA lançaram internamente contra qualquer empresa nacional ou estrangeira a operar no território americano, ameaçando-as de congelar os seus bens se adquirirem petróleo iraniano, tem um alcance limitado. Alargar essa pressão à Europa com a natureza do poder político existente na União Europeia, completamente alinhado aos interesses americanos e sem política estratégica internacional própria, tem sido fácil. A concordância da Grécia, grande consumidor de crude iraniano, baseia-se certamente em promessas de auxílio que impeçam a sua bancarrota.

Mas esse embargo é incapaz de bloquear economicamente o Irão, é uma pequena percentagem das suas exportações e tem garantido o escoamento do crude para clientes alternativos. É portanto uma medida mais política que económica, de propaganda do isolamento e não de efectivo isolamento.

Já as provocações militares podem ter outros resultados; as manobras militares de ambas as partes, a ameaça do Irão de encerrar o estreito de Ormuz, as manifestação de força dos testes balísticos, a demonstração de que o Irão domina a alta tecnologia da guerra electrónica, (como foi o caso de conseguir capturar e pousar em segurança, o avião espião teleguiado RQ-170 Sentinel) são tudo factores de que uma guerra no Golfo teria muitos imponderáveis.

O comportamento da China é outro problema. Os Estados Unidos estão a fazer um perigoso jogo político-militar de cerco aos interesses estratégicos da China; tentou alterar equilíbrios nas fontes energéticas a leste, expande-se com bases militares a sul, e pretende afirmar-se como única potência dominante na região do Norte de África ao Golfo Pérsico. A “Aliança Ocidental” está a tocar muitos burrinhos simultaneamente. Que alguém passe da retórica para vias de facto é uma ameaça real.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Canadá abandona Quioto - Durban fracassou.

China Dez 2011


O que se passou em Durban, na conferência sobre alterações climáticas é semelhante às decisões da Cimeira Europeia do último fim-de-semana. Fiascos mascarados com resoluções que nada resolvem. De Durban saiu como gemido ingénuo a promessa de que “para o ano continuamos a conversar”.

Os insucessos têm reflexos, por muitos apaixonados que surjam a dourar a pílula. As agências de rating vieram desacreditar as deliberações europeias e o malogro do “reforço das medidas de protecção do clima” em Durban, acaba com Quioto.

O Canadá abandona o Protocolo de Quioto por “efeito de estafa”. Cansou-se de pagar as obrigações do Protocolo, enquanto o vizinho do lado, que com a China são os maiores emissores de gases com efeito de estufa, nada pagam.

Portugal, que negociou o Protocolo tão bem que ficou com menos direitos que a Grécia, também deve repensar o seu papel. Que sentido faz um país em crise aguda, do clube “Top 10” da bancarrota, pagar emissões, quando contribui, comparativamente, com quase nada para a poluição do planeta.

Ainda por cima observamos a China, um potentado económico e financeiro graças ao dumping ambiental, a concorrer à EDP, e a outras “jóias nacionais” que nos obrigam a privatizar.

Para cúmulo da hipocrisia e da desfaçatez, a China, que não subscreveu o Protocolo de Quioto, considera lamentável a saída do Canadá. Percebe-se, é menos um país a pôr-se a jeito, para se deixar pilhar por aqueles que não assinaram Quioto.

Com os EUA, China, Japão, Rússia e Canadá de fora dos países que aceitam metas nas reduções de emissões, o que é o Protocolo de Quioto? Em que planeta vivemos? E o que faz Portugal no embrulho dos pagantes?

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A situação Síria e o veto na ONU da Rússia e China.

Siria. Crac dos Cavaleiros.Out2011


A realidade geoestratégica no médio oriente alterou-se esta semana com a votação no Conselho de Segurança da ONU (CS). As potências mundiais que compõem os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) não apoiaram a resolução que condenava a Síria. Brasil e Índia abstiveram-se (com o Líbano e a África do Sul) e o veto da Rússia e China neutralizou a proposta feita pela França em colaboração com os países europeus no Conselho, Reino Unido, Alemanha e Portugal.

A Rússia disse através do seu embaixador Vitaly Churkin que “havia um conflito de leitura política” e que tinham a preocupação de que se a resolução passasse, se abrisse a porta para uma intervenção militar do género da Líbia. A China justificou com a sua política de “não interferência nos assuntos internos” de outros países.

Na verdade quer a Rússia quer a China, que deixaram passar a resolução 1973 do CS, o ponto de partida para a intervenção militar da NATO na Líbia, tiveram com esse erro enormes prejuízos, para além da influência política e económica na região, ambos perderam muitos milhões em negócios (a China repatriou 36.000 pessoas da Líbia). Aprenderam com a experiência.

Os esforços ocidentais (Europa, Estados Unidos) de desestabilização da Síria, não decorrem com a mesma facilidade que na Líbia, não há uma região por onde partir o país para daí prosseguir com o auxílio militar estrangeiro. A Síria de hoje é o que resta da Grande Síria que englobava territórios do Líbano, Jordânia, Israel e Palestina, havendo nacionalistas que incluem o Iraque, Kuwait e Chipre. Nenhum sírio aceita dividir o país, o que poderia suceder era uma guerra civil com obvio envolvimento de países estrangeiros.

Pelo que se lê, na Síria haverá manifestações populares “inspiradas na primavera árabe” e equipas militarizadas em confronto com as forças regulares, há mortos de ambos os lados e também de civis. O que é provocação da Arábia Saudita e dos Estados Unidos, o que é repressão do poder ninguém pode confirmar, – principalmente depois da reconhecida intoxicação mediática na Líbia – o que podemos defender é uma solução política que impeça outra guerra.

Bachar al-Assad, que era um oftalmologista sem ambições políticas em Londres, é presidente por morte acidental do irmão Basil. Considerado um reformista antes desta crise, foi eleito e reeleito em referendo pelos sírios. Intelectuais de todas as tendências reuniram abertamente para encontrar soluções para a Síria. O partido Bass, suporte do poder, aceitou a multipartidarismo, vão ser marcadas eleições parlamentares entre o fim deste ano e Fevereiro de 2012.

A confirmar-se um plano de desestabilização da Síria, ele está a correr mal para quem o engendrou. A votação na ONU talvez tenha impedido mais uma aventura intervencionista ocidental e permita que homens de vários credos vivam em paz num mesmo lugar, o que não sucede na grande maioria dos Estados da região, de Israel aos países árabes.


Outro post sobre a Síria: -  (Síria. A situação é mais complexa do que parece.)

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