Mostrar mensagens com a etiqueta Repressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Repressão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Polícias revoltados e fartos do governo.

oclarinet.blogspot.com - polícias perseguidos pela polícia.Jan 2014
 É preciso desfocar as fotos e tapar as caras dos polícias que se manifestam?

"O Ministério Público abriu um inquérito à manifestação das forças de segurança, em Novembro, em frente à Assembleia da República (AR). A investigação aos polícias, boa parte da PSP, resultou de uma participação da própria PSP".

Segundo o Público, um relatório do IGAI propõe “que sejam identificados agentes manifestantes”, e já estarão a examinar imagens captadas pelas televisões, câmaras da AR, dos jornais, e decerto, acrescento eu, das redes sociais. Polícias a perseguir polícias ou simplesmente o governo do PSD/CDS a perseguir os trabalhadores que são polícias?

Se os polícias se intimidassem com os métodos pidescos do governo, de nada serviria a luta que têm feito pela sua dignidade e da profissão, mas mais uma vez afirmam que não têm medo e prometem um incremento da contestação.

O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, citado pelo jornal, diz que “o saco encheu. Nós continuamos a seguir o juramento à pátria e ao cidadão, o governo não.”

O presidente da ASPP- PSP diz ser “impensável, num país democrático, manifestamo-nos e oferecerem-nos como recompensa um processo-crime. Parece que queriam, afinal, e ainda querem da próxima vez, um banho de sangue”.(fim de citação)

Está marcada uma manifestação para dia 27 Fev., irão ser produzidos cartazes para dizer “basta” ao governo. Os trabalhadores das polícias não vão “reprimir a sua revolta”.

Como disse aqui há uma semana: 
Se não é possível reprimir a revolta, não reprimam – nem a vossa revolta nem a revolta dos outros que como vós estão revoltados.

Post Scriptum: Para  dia 27 de Fevereiro já está agendada uma manifestação nacional, convocada pela APG/GNR (Associação de Profissionais da Guarda). Contra os novos cortes nos vencimentos e os aumentos da carga horária e dos descontos para o subsistema de saúde.

Para ver últimos posts clicar em – página inicial








domingo, 12 de janeiro de 2014

Precisa-se acção para testar capacetes da polícia.

Polícia vai ficar ainda melhor equipada. Jan.2014

A notícia não diz qual o peso que os coletes à prova de bala e os capacetes da PSP têm na balança comercial. Diz que importamos tal equipamento e que vamos produzi-lo em Portugal, com inovação e parcerias entre a universidade e as empresas.

Substituir importações por fabrico nacional dizem que é bom, e, já que não se aplica à produção de kiwis e outros alimentos importados desnecessariamente, que se aplique aos plásticos - até à comida de plástico.

Para além de investigação na área, temos habilidade em design nacional capaz de criar fatiotas para polícia de choque, masculino e feminino, a preceito das várias culturas e modas.

Trajes para os trópicos, para as zonas temperadas e as outras; estampados para África, cores cruas para a Indochina, de riscas finas verticais para a europa e largas horizontais para a Tunísia, burcas cintadas ou acentuadas conforme o desejo dos príncipes. Temos negócio.

O único senão, que o cluster português do equipamento de dar porrada, sem sofrer amolgadelas nem desengomar, é o ensaio do produto.

A PSP ofereceu-se para fazer uma calendarização da experimentação, mas suponho que estão a ser voluntariosos. A PSP sabe lá se daqui a dois anos e meio (é o prazo) tem manifestações onde possa arrear, esvoaçando invulneráveis com a leveza das novas vestes de super-heróis?

O mercado da violência de rua anda deficitário.

Brutalidade continuará a ser os pivôs e comentadores das televisões, mas não se vê que vantagem tem um ensaio de uma marrada, melhor… que um polícia invista (para usar uma linguagem empreendedora) contra um LCD ou um plasma.

A não ser que usem uma estratégia que já deu frutos (infelizmente esses frutos não dão para exportar pois o mundo está cheio deles) que é… infiltrar umas manifestações pacíficas com agentes provocadores que iniciem as hostilidades.

Se alguém der por isso, pergunte aos paisanos se é para o teste. Se for, desculpem-nos. É para bem do equilíbrio da balança comercial, é para substituir importações, é para aumentar as exportações e pagar a dívida com o excedente.

É só mais um esforço, se já demos a bolsa e o emprego, não vamos ser queixinhas por levar um enxerto.

Para ver últimos posts clicar em – página inicial










quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

China anunciou fim dos campos de reeducação

Reeducação - repressão - ilegalidade. Dez.2013
  (Sistema ilegal de repressão)

A Assembleia Nacional do Povo, órgão do poder legislativo da China, decidiu o fim dos campos de reeducação pelo trabalho. 

Os campos foram criados em 1957, na era Mao Tsé-tung (1949-1976), resistiram à desmaoização da era Deng Xiaoping, até aos dias de hoje.

Os campos foram usados para reprimir os opositores da linha do partido comunista da China, quadros “caídos em desgraça”, intelectuais, religiosos, manifestantes e outros "dissidentes".

O sistema dos campos de reeducação permitia a detenção sem julgamento até quatro anos e era nos últimos tempos, muito contestado dentro da China. 

Apesar do poder chinês dizer que tiveram um “papel relevante” (imagem) na correção de delinquentes e de alguns críticos preverem que vão continuar com outro nome, o certo é a sua abolição oficial.

Os campos de reeducação pelo trabalho, um método incompatível com os Direitos Humanos, encerram na China; o campo americano de Guantánamo, igualmente ilegal à luz da Justiça e dos Direitos Humanos, continua em actividade.

Para ver últimos posts clicar em – página inicial








sábado, 30 de novembro de 2013

Espanha. Protestos contra Lei do Medo.

Cidadãos do Estado Espanhol contra lei do medo.Nov.2013

Centenas de pessoas saíram às ruas de Madrid em defesa da livre expressão; protestam contra um projecto de lei aprovado pelo governo Rajoy, a chamada “Lei da Segurança Cidadã”.

A lei, já denominada pelos movimentos sociais e pela oposição como “lei mordaça” ou “lei do medo”, prevê multas pesadas para “crimes” tão abstractos como “ofender Espanha”, ou indefinidos, como “actos de obstrução” exercidos sobre autoridades policiais ou entidades públicas e oficiais.

Filmar polícias ou tapar a própria cara são infrações punidas com gravidade, assim como injuriar ou desobedecer à polícia; no fundo qualquer autoridade que se sinta constrangida ou simplesmente incomodada pode deter e incriminar um manifestante.

Manifestações não comunicadas junto de espaços “sensíveis” como o Parlamento ou os ministérios serão consideradas infracções graves. Uma lei destas em Portugal levaria as manifestações sindicais desta semana a sujeitarem-se a uma multa até 30.000 euros. 

A livre expressão do protesto cidadão está gravemente em causa no Estado Espanhol. Quando a repressão se abate sobre as demonstrações pacíficas de protesto, está legitimada a desobediência civil. 

Quando a repressão cresce e é sobre quem trabalha ou quer trabalhar, os trabalhadores têm justificação para criar novas formas de resistência, de se defenderem da violência do Estado.

Portugal primeiro, o Estado Espanhol depois, caminharam há quatro décadas para uma democracia que libertou a península dos fascismos; agora surgem sinais de que essa ideologia, da direita extremista, esteve dissimulada e volta a meter a cabeça de fora.

Corta-se?

Para ver últimos posts clicar em – página inicial








domingo, 20 de outubro de 2013

Manifestações ordeiras ou violentas.

Graffiti (pormenor) em Alcântara. Out.2013

Acredito que vão existir em Portugal graves convulsões sociais, mas não serão necessariamente iguais a outros países onde a crise está instalada.

Todos os que discutiram a manifestação da CGTP, na Ponte 25 de Abril-Alcântara, deviam estar em reflexão. Só argumentei no Facebook num círculo restrito, mais uns apartes em comentários. Houve muito ruído, tudo inconsequência.

Defendi que a CGTP fazia bem em não responder à provocação do governo para o eventual confronto com forças policiais. O poder gostaria de isolar a CGTP, organização que a cada manifestação alarga o protesto a mais sectores da sociedade e a cidadãos que nunca protestaram nas ruas.

As manifestações da Intersindical, pelo facto de terem um histórico sem desacatos, têm atraído “povo” que independentemente da politização tem as maiores e mais autênticas razões de queixa do governo. São protestos verdadeiramente populares, de quem mais precisa, e que tendo a coragem de sair à rua, não tem a preparação (e em boa parte, a idade) para confrontos físicos com homens jovens, protegidos e treinados militarmente para reprimir. Os sindicalistas sabem-no, são opções, géneros de confronto.

A opção da CGTP desagrada a algumas pessoas, movimentos inorgânicos e grupos minoritários tradicionais da esquerda, que se imaginam capazes de provocar um crescendo de violência nos protestos. A qualidade ou a quantidade, o exemplo e a reacção das forças repressivas. 

Sendo partidário do que dizia Marta Harneker; “que é na luta que nós humanos, crescemos e nos transformamos”, e que, “constatar que somos muitos, os que estamos na mesma luta, é o que nos faz fortes – é o que nos radicaliza”, não desanimei nos meus comentários quem quer confrontos com a polícia, nesta altura.

Antes aprendam a não dispersar,…etc. para não dar o espectáculo desmobilizador de apenas “enfardar” ou fugir a sete pés como se tivessem tocado às campainhas. Para ontem estava anunciado por anónimos mais ou menos conhecidos que iam bloquear o porto de Lisboa, até tinham uma televisão para acompanhar o evento. A PSP colocou alguns agentes a proibir a passagem - vieram embora. 

Não é dessa toca de que sai o furão; haverá, penso, convulsão social com a aplicação do Orçamento e outras medidas; poderá iniciar-se com força numa manifestação, num mercado, num centro de saúde; organizada ou não e revestir outras formas de acção, pode até ser um acto desesperado de um suicida ou planeado friamente. Pode ser banal e absorvido, como é hábito, ou determinante.

O balão está a encher e Portugal tem uma história de violência política que não é ensinada na escola nem nas redes sociais. 

Para ver últimos posts clicar em – página inicial









quinta-feira, 14 de março de 2013

A Mão de Deus e os argentinos. Maradona e Bergoglio.

Os Papas movimentam muita gente. Mar.2013

D. José Policarpo disse ter havido “Mão de Deus” na designação do Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio na Argentina. Ouvi na TSF.

Não parece mão de Deus.

Andei em viagem, não me juntei por isso à denúncia do passado de Bergoglio. A polémica ressuscitou como Bergoglio temia, caso fosse eleito Papa. Pode-se especular que seria a sua boa relação com a ditadura argentina, a razão que o levou a pedir para não ser nomeado, no Conclave que designou Ratzinger.

Como já está mais divulgado, o agora Papa foi denunciado em 2005 pela Justiça do seu país, por envolvimento no sequestro, pelos militares da ditadura, de dois religiosos jesuítas (Francisco Jalics e Orlando Yorio) que estavam sobre as suas ordens e protecção. Segundo a acusação, fê-lo por eles se negarem a deixar de visitar as favelas.

Em 2011, o Ministério Público e a associação Avós da Praça de Maio, pedem a convocação de Bergoglio para depor sobre o “roubo de bebés”, dado haver provas documentais de que ele soube dos casos, quando se sequestravam bebés nascidos nas prisões da ditadura, e negou-o mais tarde.

O cardeal Jorge Bergoglio foi um opositor particularmente activo aos governos progressistas de Néstor e de Cristina Kirchner, chegando a participar numa manifestação de rua.

Depois da publicação de vários depoimentos, em 2010 e 2011, que o indicam como colaborador da ditadura, não seria recomendado para Papa.

O que se alterou? As nomeações papais têm sido tão direcionadas politicamente como os prémios Nobel da Paz. Não é coincidência os Papas estarem no âmago de alterações fundamentais do poder politico nos últimos tempos. A seguir ao polaco e ao alemão, com os resultados visíveis, nomear um da zona do mundo onde se faz tudo por escapar às centrais mundiais de dominação é um sinal.

Não é um sinal de Deus. Bobby Robson, depois do jogo do mundial do México, entre a Inglaterra e a Argentina dizia sobre o golo de Maradona; “não foi mão de Deus, Deus nada tem a ver com aquilo, foi a mão de um malandro”.

Gosto de Maradona mas foi malandrice. Será o Vaticano capaz de malandrices?

Para ver últimos posts clicar em – página inicial










quarta-feira, 13 de março de 2013

Reynaldo Bignone condenado a prisão perpétua.

Reynaldo Bignone presidente da ditadura argentina. Mar.2013

O último presidente da ditadura argentina, Reynaldo Bignone, foi ontem condenado pelo Tribunal Federal de San Martin, a prisão perpétua. Respondia por 23 crimes, sete deles sobre mulheres grávidas, cometidos no centro prisional clandestino Campo de Mayo.

É a quarta condenação do ex-ditador, a última, 15 anos de prisão, foi em Julho de 2012, juntamente com o ex-presidente Jorge Videla (1976/1981) - este condenado a 50 anos por roubo de bebés. 
 
Desde 1983 que a Argentina investiga e julga os militares da ditadura. Agora foram julgados 24 acusados de violações dos direitos humanos. As acusações da Justiça argentina continuam, estando a ser ouvidos outros militares envolvidos na “Operação Condor”.

Caíram as ditaduras e cairam os ditadores, os torturadores e assassinos, nas mãos da Justiça.

Relacionado: Clicar aqui

Para ver últimos posts clicar em – página inicial





quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Comissão de trabalhadores da RTP acusa ministros.

Comunicado CT da RTP.Nov.2012

A Comissão de Trabalhadores da RTP, pede hoje que sejam apuradas responsabilidades políticas sobre o “caso das imagens em bruto” recolhidas pelo canal público, durante a manifestação de 14 de Novembro.(assunto do posts de hoje de manhã – Aqui). Acusa o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, de “induzir ao crime” com “pedidos de imagem que pressupôem uma violação da legalidade pela RTP”. Considera ainda que “não pode tolerar-se um Ministério da tutela que tolera toda esta intromissão e dela se faz cúmplice, por acção ou omissão". (o ministro da tutela é Miguel Relvas).

O comunicado na integra da CT da RTP:


 A RTP NÃO É FIGURANTE NAS ENCENAÇÕES DO GOVERNO

Toda a gente sabe que, no dia 14 de Novembro, a polícia foi apedrejada durante hora e meia sem reagir. Toda a gente sabe que, depois disso, a carga policial cilindrou por igual manifestantes violentos e manifestantes pacíficos, passantes acidentais em S. Bento e alguns no Cais Sodré. Toda a gente sabe que as dezenas de pessoas detidas foram depois privadas de contacto com os seus advogados e submetidas a vexames em Monsanto. Toda a gente sabe que o ministro Miguel Macedo negou com solenidade a mesma existência de infiltrados que a PSP veio depois confirmar.

A actividade dos infiltrados e a passividade da polícia, durante uma hora e meia, só podem ter servido para justificar aos olhos da opinião pública as violências e arbitrariedades policiais. Em última análise o plano só pode ter consistido em intimidar as centenas de milhares de pessoas que nos últimos meses têm participado em protestos contra o Governo e em dissuadi-las de voltarem à rua. Tudo teve os contornos de uma grande operação de guerra psicológica.

Para continuar, nos dias e meses seguintes, a fazer render essa operação de guerra psicológica, o Governo quis lançar mão de todos os recursos. Entre eles, quis contar com imagens gravadas pela RTP. Aqui enganou-se. A cada passo que dava dentro da RTP, o pedido governamental tropeçava na resistência dos trabalhadores.

A Comissão de Trabalhadores tomou desde o primeiro instante o seu lugar – e só o seu, sem ocupar o de mais ninguém – nessa espontânea resistência dos trabalhadores. Do primeiro ao último instante, insistiu para que fosse esclarecida toda esta história nebulosa.

Uma parte das responsabilidades foi assumida pelo Diretor de Informação e pelo Conselho de Administração. Nada foi dito pela Direção Geral de Conteúdos. Um inquérito interno irá correr para apurar outras responsabilidades: o ministro Miguel Macedo deverá saber que nem nós somos figurantes da sua encenação, nem a RTP é uma manifestação onde possa colocar impunemente os seus peões infiltrados.

E são estas as responsabilidades políticas que deverão ser apuradas por quem de direito. Não pode tolerar-se que Miguel Macedo, para efeitos da propaganda do Governo, induza ao crime – seja com as pedradas dos seus infiltrados, seja com pedidos de imagens que pressupõem uma violação da legalidade pela RTP. Não pode tolerar-se que homens de mão do ministro entrem na televisão pública como numa quinta sua, sem mandado judicial, para visionar e requerer cópias de imagens destinadas exclusivamente ao trabalho jornalístico. E não pode tolerar-se um Ministério da tutela que tolera toda esta intromissão e dela se faz cúmplice, por acção ou omissão.

A hora é de apurar também as responsabilidades políticas.

O Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP 

Para ver últimos posts clicar em - página inicial










RTP. Demissões por causa de imagens de manifestações.

policia encoberto.Nov.2012
Polícias de cara tapada nas suas próprias manifestações.
 
Eles querem amedrontar.

Nuno Santos e Vítor Gonçalves, membros da direcção de informação da RTP, demitiram-se. Em causa a disponibilização de imagens captadas pela televisão e não editadas, (da manifestação de 14 de Novembro) a “elementos estranhos” à estação pública.

Nuno Santos diz na sua carta de demissão que reuniu com o conselho de redacção e com a comissão de trabalhadores, aí garantindo que “nenhuma imagem saiu das instalações da RTP.”

O Conselho de Administração fala na “presença de elementos estranhos à empresa, dentro das suas instalações”, em “acção abusiva” e “quebra grave de responsabilidades”. Diz ainda que “poder-se-á verificar uma violação dos direitos liberdades e garantias, com consequências nefastas para a credibilidade e idoneidade na produção informativa da RTP.” 

Cito os comunicados do DE, que também diz que é prática corrente, pedidos de imagens pelas autoridades, mas que, “todas as estações (de televisão) assumem que em nenhuma circunstância cedem imagens que não tenham sido emitidas nos seus serviços noticiosos”.

O inquérito aberto na RTP dirá o que se passou, a boa notícia é a sua existência. Se, mais uma vez se provar que houve agentes da investigação que contornaram a lei, é grave.

A tendência para o abuso da autoridade e a prática do chico-espertismo para obter provas é já habitual. As notícias vindas a público ao longo dos anos serão a ponta do iceberg das ilegalidades; são detectives privados a fazer escutas ilegais para a polícia, são empregados das telecomunicações seduzidos a fazer de espiões etc. 

Desde o anúncio pela polícia de que filma as manifestações, que se sabe da intenção de reduzir o número de manifestantes nas ruas, haverá sempre quem receie o destino e uso das imagens. A detenção ou identificação de manifestantes que nada fizeram de errado ou ilegal tem a mesma missão. A repressão, através da brutalidade indiscriminada, é outro passo para dificultar o uso do direito constitucional à manifestação.

A resposta dos democratas tem de contrariar os excessos policiais e o ressurgimento de um poder “musculado”. Estar presente nas manifestações é a melhor réplica a quem pensa ser possível amedrontar um povo que quer viver em liberdade. 

Para ver últimos posts clicar em – página inicial










terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imagens das manifestações.

oclarinet.Cuidado com as imagens.Nov. 2012
Cuidado com as imagens mas não é preciso exagerar…

  “Relvas repreende presidente da RTP” é o título de um artigo do jornal i de hoje, onde também se escreve sobre a manifestação do dia da greve geral.

Diz: “O i sabe que a PSP pediu à RTP brutos das imagens recolhidas junto do parlamento, material que a estação não fornece. Luís Silveira, da direcção de emissão e arquivo, confirmou apenas que foi feito um pedido das imagens recolhidas”.

Mais abaixo: “Como o DN já tinha avançado, a divisão de investigação criminal da PSP pretende socorrer-se de imagens para perceber ligações eventuais entre manifestantes com comportamentos mais violentos a grupos extremistas ou relacionados com tráfico de droga”. (sublinhado meu)

Temos assim, nas manifestações, além dos hooligans da bola, dos agentes estrangeiros e dos profissionais da desordem, os traficantes de droga: Seguir-se-ão decerto os pedófilos e outros violadores, os incendiários da floresta, os assaltantes de multibancos e de velhinhos que vivem isolados, os que fogem ao fisco e os fumadores de tabaco. Toda a corja, nacional e internacional de malfeitores, encontra-se nas manifestações contra a austeridade a troika e o governo de Passos Coelho.

Num outro artigo, de Nuno Ramos de Almeida (no jornal i), é relatado a certa altura. “Algumas raparigas foram obrigadas a despir-se para uma revista mais aprofundada. Vários jovens foram insultados, tendo sido dito, por agentes policiais, àqueles que garantiram não ter participado nos incidentes que “gente inocente não vai a manifestações”.

Não há nada como ouvir falar claro.

O mesmo jornalista, no artigo “Um dia com os 380 irredutíveis estivadores”, (aqui) a ler, particularmente por quem ainda não entendeu o que se passa nos portos, escreve:

“No mesmo dia em que falamos, os estivadores juntam-se à manifestação nacional de polícias, sob o olhar curioso dos agentes. Perto deles, estão activistas dos indignados, gente com máscaras dos Anonymos. Mais atrás, um elemento da DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo) com uma camisola do Che Guevara. Um circo”.

Camisola do Che Guevara? Seria para passar despercebido entre os hooligans do No Name Boys ou da Juve Leo?

Não sabemos o que o futuro nos reserva em termos de liberdades fundamentais. Por isso, à cautela, é preciso ter cuidado com os vídeos e fotos que se publicam nas redes sociais. Mais prudências ainda com as campanhas contra aqueles que usam maior radicalismo na acção. Agora levam esses em seguida vão os outros (todos conhecem a história). 

O pacifismo é muito bonito mas pode haver uma curta distância entre um pacifóide e um patifóide, o espaço encurta-se pela delação. Bufos conscientes ou involuntários não se diferenciam objectivamente.

Para ver últimos posts clicar em – página inicial.












sexta-feira, 17 de agosto de 2012

África do Sul. Da luta sindical à violência policial.

A vida dos trabalhadores vale pouco. Ago.2012
 
36 Mortos, baleados pela polícia; dezenas de feridos e centenas de detidos é o último episódio de uma semana de violência na mina de platina de Marikana, na África do Sul.

O acontecimento de ontem serviu para todo o tipo de acusações. Já se sabia que a polícia ia invocar legitima defesa; antes disso já jornais e televisões faziam grandes planos de lanças e catanas (o “nosso” Público tem um fulano lambendo uma ponta de lança) para se calhar justificar o tiroteio.

Acusações ao ANC, ao racismo, e quejandos, são mato; referências à empresa exploradora da mina, que é a outra parte do processo reivindicativo, passaram ao lado.

Os mineiros estão em greve há uma semana, reivindicam melhores condições de trabalho e aumento salarial. A companhia inglesa Lonmin considerou a greve ilegal e houve trabalhadores que quiseram voltar ao trabalho, o que provocou confrontos entre mineiros.

Desses primeiros confrontos resultaram 10 mortos, tendo nos dias seguintes havido mais (2 ou 4 segundo as fontes). Haver mineiros armados, de forma rudimentar, na quinta-feira, é o resultado da violência que nem os sindicatos, nem a companhia mineira, nem a polícia quiseram os conseguiram controlar.

À rivalidade entre dois sindicatos e a radicalização da luta dos mineiros, a polícia respondeu com aparato militar e o uso de armas letais, a lembrar a repressão de outros tempos na África do Sul.

A Lonmin limitou-se a criticar a polícia por não ter conseguido manter a “ordem e segurança nas instalações desde o início da violência”.

Do processo reivindicativo não se sabe o futuro; num dia 36 trabalhadores morreram porque queriam ser menos explorados, a platina subiu 15% nos mercados e as acções da Lonmin perderam 17,5%. É essa a notícia da Sky - as acções baixaram…

 (Para ver últimos posts clicar em – página inicial)








sexta-feira, 6 de julho de 2012

Videla condenado a 50 anos de cadeia por roubo de bebés.

Jorge Videla condenado a 50 anos de prisão- foto el Clarin.Jul 2012

O ditador argentino Jorge Rafael Videla foi condenado a 50 anos de cadeia pelo roubo de bebés. O tribunal deu como provado a “prática sistemática” de se apoderarem dos filhos das mulheres presas que estavam grávidas. Os factos ocorreram durante a repressão levada a cabo pela ditadura do ex-militar argentino.

Os crimes, considerados “contra a humanidade” segundo o acórdão dos juízes “foram implementados mediante uma prática sistemática e generalizada de subtração, retenção e ocultamento de menores”. Às crianças foram alteradas as identidades, enquanto as suas mães desapareciam ou eram mortas.

Em julgamento estiveram 35 casos, tendo 25 dos jovens já recuperado a sua identidade. Dois deles são actualmente deputados.

Videla chegou ao poder (1976/1981) através de um golpe de Estado que depôs a presidente Maria Perón. A violação dos direitos humanos foi uma prática quotidiana do regime, que em nome do combate à subversão desenvolveu um plano de repressão sobre a oposição política; prisões ilegais, a prática da tortura e o assassinato dos opositores foram a marca da ditadura Videla.

Como outros ditadores da América Latina caiu, e caiu como outros ditadores nas mãos da Justiça. Com Videla foram condenados outros 9 torcionários - num dia bom para a Democracia.

(Para ver últimos posts clicar em – página inicial)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Violência policial em Valência revolta espanhóis.

Perigosos inimigos.Fev.2012

Milhares de manifestantes voltaram ontem a sair às ruas de Valência. A repressão policial contra estudantes em Valência gerou protestos em várias cidades espanholas envolvendo milhares de jovens; só em Madrid, 3.000 cortaram o trânsito em solidariedade com os estudantes de Valência.

Desde 25 de Janeiro que às quartas-feiras jovens estudantes do instituto Lluís Vives cortavam por 10 minutos o trânsito em frente do estabelecimento de ensino; um protesto simbólico contra os cortes na educação, que levaram inclusive à falta de aquecimento e a terem de levar cobertores para as aulas.

A 15 de Fevereiro a policia deteve e manteve por horas incomunicável um estudante de 17 anos, que fazia parte de uns 30 ou 40 alunos que se manifestavam pacificamente em frente ao Lluís Vives. Foi a origem da manifestação de segunda-feira, na qual a polícia teve um comportamento abusivamente violento e desproporcionado perante jovens (na maior parte menores) e cidadãos que nada tinham a ver com os protestos.

O ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón defendeu a actuação policial.
O chefe da polícia António Moreno e a delegada do governo na Comunidade Valenciana Paula Sánchez de León deram uma conferência de imprensa em que a delegada classificou os incidentes como “anedota” e o responsável da polícia negou a carga policial. Moreno recusou dizer o número de efectivos policiais para não         “ proporcionar essa informação ao inimigo”.

Inimigos 1  Inimigo 2 inimigo 3

As repercussões da difusão das imagens da violência policial pelos meios de comunicação internacionais, levaram o primeiro-ministro Mariano Rajoy (em Londres) preocupado com a imagem de Espanha e do seu governo, a pedir tranquilidade. O ministro do Interior reconheceu “alguma actuação infeliz da polícia” e o porta-voz do Partido Popular (PP) no Congresso de Deputados manifestou preocupação pela imagem de Espanha no estrangeiro.

O PP, que inicialmente tinha fornecido uma cartilha de justificações para a repressão, aos seus porta-vozes, vai tentar minimizar os acontecimentos, enquanto a oposição e os estudantes querem demissões dos responsáveis.

Com razão chamaram “Primavera Estudantil de Valência” aos protestos, não há como esconder a repressão nos dias de hoje. Fica um sinal da mudança política em Espanha, interpretada por alguns como favorável à “ordem musculada”. Mas em democracia, protestar é um direito – reprimir é um delito.

Vídeos AQUI.

(Para ver últimos posts clicar em – página inicial)