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sábado, 21 de setembro de 2013

A tragédia. Portugal vai precisar de segundo resgate?

oclarinet.blogspot.com Lixo Laranja.Set.2013

(Não saímos do fundo - os fundos é que saem daqui.)

Como diria o Artur Albarran, na sua fase da guerra do Solnado, “ O choque! …O horror!… A tragédia…!!!” está aí. A crise da dívida mete-se, em crescendo dramático, pelos ouvidos dos mais ausentes e desatentos.

Os mercados, através dos seus agentes e padrinhos, deram o último alarme. A hora é de fugir de Portugal. Sete por cento, já não é taxa de rendabilidade suficiente para arriscar um possível processo de perdão de dívida portuguesa. Aprenderam com a Grécia enquanto os portugueses não aprendem nada com a Grécia.

As “notícias” chegam em catadupa, como convém numa campanha orquestrada; do segundo maior banco alemão, o Commertzbank, à maior gestora de obrigações do mundo, a Pimco, as campainhas soaram.

Os mercados financeiros ficam “nervosos” e têm as suas razões; têm estado a ganhar balúrdios à conta do empobrecimento dos portugueses sem nada arriscar, não lhes digam que há riscos de que um segundo resgate os venha a afectar.

Tudo isto não é novidade, nem para Paulo Portas. Aliás, culpam-no injustamente pelo alarme dos mercados, (tem culpas mas não são exclusivas). Na verdade, antes da crise de Julho, já o presidente da Pimco, Mohamed El – Erian, dizia ao Der Spiegel (em Março) que Portugal ia precisar de um novo resgate.

Agora é o tempo de todas as pressões, juntam-se as avaliações troikanas ao orçamento (fora-da-lei) de Estado, as nossas autárquicas às eleições alemãs, a decomposição grega ao rotundo falhanço das políticas de austeridade em Portugal.

Os verdadeiros mercados já nem estavam por aqui, apenas especuladores. As pressões vão continuar; de todos os troikos sobre o Tribunal Constitucional (Mexia da EDP mexe-se nesse sentido) e pressões do governo sobre a oposição e sobre os ofendidos pelas suas medidas. 

Também o povo se vai manifestar, uns pelo voto, outros pelo voto e nas ruas, o tempo é mesmo de guerra. Está em causa a soberania do país e a vida da sua população. 

Alguns dos meus votos são: Que se lixe a troika, os mercados especuladores e a Zona Euro dos alemães.

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ir aos mercados? Portugal desenganado pela troika.

oclarinet.blogspot.com Sair do Euro.Abr 2013

O acesso de Portugal aos mercados tem uma avaliação pessimista da troika.

O jornal Público cita um relatório obtido pelo Financial Times, onde a troika e o FEEF dizem, “nesta fase, o acesso de Portugal aos mercados apenas pode ser considerado como limitado e oportunístico”. Portugal só tem atraído investidores especulativos.

Continuo a citar: “Esta avaliação pessimista deve-se essencialmente a três fragilidades nacionais: os elevados montantes de divida que Portugal terá de emitir nos próximos anos, o rating (a classificação do risco da divida pública) abaixo do nível de investimento e as características dos investidores que estão neste momento a mostrar interesse em Portugal”. 

Uma vez que a troika afirma que fazer as emissões de divida, “pode ser demasiado exigente sem uma melhoria dos ratings de Portugal e a criação de uma base estável de investidores”, sabemos de antemão que qualquer decisão do Eurogrupo sobre Portugal é para consumo interno e guia de risco dos especuladores. Mentiram-nos acerca dos mercados.

Investidores sérios não metem dinheiro em países cuja economia está a ser destruída e o reembolso poderá ser de alto risco. Quem não cria riqueza dificilmente paga dividas.

Os esforços feitos até aqui, pelos portugueses, serviram apenas para resolver os problemas da banca nacional, mais a europeia, detentoras de divida portuguesa, e, encher os bolsos dos especuladores internacionais. 

A divida aumenta e “prospera” a destruição da nossa economia, tornando a divida impagável. O processo de pedir para pagar empréstimos enquanto a divida aumenta é suicidário e não terá fim aceitável para Portugal.

Quando se der atenção às vozes alternativas, será tarde. A sociedade portuguesa (e não só os políticos) espera milagres insistindo no trilho do desastre. 

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Enganar os mercados é mais fácil que enganar a fome?

oclarinet.blogspot.com Jan.2013

A propaganda diz que a propaganda deu resultado, só pode ser propaganda.

Com o efeito BCE; protegido, pré combinado e sem riscos de maior, ir aos mercados colocar dívida a cinco anos foi um pró-forma. Não haverá juros convenientes enquanto as agências de rating continuarem a classificar Portugal como “lixo”. 

É um episódio da novela do financiamento do BCE que custou mais que os comprados à troika; faz parte do enredo dar umas alcavalas aos mercados para ir buscar a parte do leão ao BCE. Se o serviço da dívida actual come o que os cortes rendem, a ida aos mercados tem este incidente, o chamado “primeiro passo” e parou. Novo passo depende do rumo da crise europeia e por consequência do Banco Central Europeu.

O que o governo podia fazer para ir aos mercados não fez, a divida em 120% do PIB é impagável e montada numa espiral recessiva é imparável. Nem enganam os mercados nem enganam os portugueses que sentem a crise, e são mais a senti-la, mais intensa, cada dia que passa.

A economia foi paralisada pela política do governo, clientes que me queriam pagar dizem que não há “dinheiro a entrar” e daqui não há dinheiro a sair nem para os meus fornecedores nem para o fisco. Vai ser a história de 2013 para a grande maioria das empresas. 

A dose de austeridade está a matar a economia do país e a levar fome à casa dos portugueses. No meio deste desmando falar nos números da execução orçamental, em derrapagens e desequilíbrios, défices e medidas extraordinárias, receitas fiscais e cortes de despesa é já absurdo.

Portugal, o país e a sua gente, precisam de uma só medida, que se tire depressa o brinquedo da mão desta garotada. 

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Moody´s corta rating de bancos alemães.

Moody´s baixa nota de bancos alemães e austríacos. Jun 2012

A crise da dívida na Zona Euro atinge a Alemanha. A agência de notação “Moody´s cortou nesta quarta – feira a nota de sete grupos bancários alemães e dos três maiores bancos da Áustria.

A Moody´s realça os riscos da qualidade dos activos da banca alemã e austríaca, pela limitada capacidade de absorverem prejuízos causados por mais choques, resultantes da crise da divida da Zona Euro.

A exposição directa da banca alemã e do Unicredit italiano, proprietário de bancos na Alemanha e na Áustria, à dívida soberana e à crise financeira “a leste”, pode levar a um colapso do sistema financeiro pelos reflexos que teria nos Estados Unidos da América.

Como dizia um ministro francês respondendo às pressões de Obama na cimeira da Nato, “que saibamos a crise não começou na Europa, o Lehman Brothers não era um banco francês ou italiano”, se chegar lá a carambola da crise não é nada que não tenha sido previsto, para não dizer merecido.

Que apareceria à porta dos bancos alemães era mais que certo; ainda tem pouco significado e no fundo têm sido as instituições de crédito alemãs as mais favorecidas pela crise. Quem não merece pagar a crise é quem não contribuiu para ela e têm sido sobretudo esses que estão a pagá-la.

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sábado, 14 de janeiro de 2012

França. Perda de Triple A com reflexos nas presidenciais.

Sarkozy tremido. Jan 2012


Como estava “anunciado” e como resultado do fracasso da cimeira europeia de Dezembro, e os impasses seguintes, a Standard & Poor´s baixou vários ratings pela Europa.

A França, a 100 dias das eleições presidenciais, será o país onde a iniciativa da agência terá efeitos políticos imediatos, com influência importante no resto da Europa. Para já toda a oposição a Sarkozy, da esquerda e da direita, veio aproveitar a situação.

Se para Jean Luc Mélenchon esta perda do “triple A”, é uma “rendição incondicional” de todos os líderes políticos, e para Eva Joly, “deve ser uma oportunidade para tomar consciência de que outro mundo deve nascer”; já Francois Bayrou diz haver uma “responsabilidade dos governos de Sarkozy”, mas essa responsabilidade é partilhada entre o UMP e o PS, pois a origem desta situação remonta aos anos 90. Francois Hollande, que lidera as sondagens, diz que a batalha de Sarkozy pelo “triplo A” se perdeu, e que a degradação é da política e não da França. No mesmo sentido Dominique de Villepin considera que a perda do “Triple A” é “o fracasso da política do governo e não da França”, é “ a sanção de uma política”. Marine Le Pen assinala “o fim do mito do presidente protector.

Nicolas sarkozy já tinha a reeleição comprometida; a classificação da Standard & Poor´s será decerto um contributo para aumentar a distância nas sondagens.
 A descida do rating francês trará consequências para a vida dos franceses, e também efeitos na política francesa e europeia. Sarkozy fez do “Triple A” bandeira do seu mandato, dificilmente a tentativa de desdramatizar a situação impedirá as consequências políticas.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fitch baixa Portugal a "lixo" por falta de crescimento.

Carvalho da Silva (Greve Geral) Nov.2011
No dia em que se realizou em Portugal a maior Greve Geral de sempre nos sectores público e privado, outra das grandes agências de rating – depois da Moody´s a 5 de Julho – dá nota “junk bond” (lixo) a Portugal. A Fitch Ratings considera o “cenário macroeconómico negativo” para além do desequilíbrio orçamental e o elevado endividamento conhecido.

Também a agência chinesa Dagong baixou o rating de Portugal para a mesma condição. O nível “lixo” significa que é desaconselhável o investimento em divida portuguesa.

Não vai haver crescimento devido à austeridade imposta pela troika e às medidas do governo de Passos Coelho que vão no sentido de aumentar ainda mais a recessão. Sem criação de riqueza é impossível pagar os empréstimos contraídos, é a perspectiva das agências. Após a classificação da Fitch subiram naturalmente os juros das Obrigações do Tesouro portuguesas.

A Fitch, que tinha ameaçado com o corte agora feito, acrescenta que Portugal continua sobre observação e que a tendência negativa pode levar a novos cortes no rating.

A agência de rating “percebeu” que o objectivo de baixar o défice em 2011 só fui possível com os fundos de pensões da banca, e entende que “para 2012 o risco de derrapagem é grande”.

A política de empobrecimento dos consumidores internos e de asfixia das empresas com a falta de crédito bancário, está a deixar a economia sem meios de funcionar. O que espera os portugueses são mais medidas de consolidação para 2012, ou seja mais cortes nos rendimentos, mais impostos e menos serviços públicos essenciais. Foi contra isso a Greve Geral de hoje.

O governo vai teimar na ofensiva contra a população, os trabalhadores, os pensionistas e os jovens vão ter de endurecer a luta contra a agressividade do governo.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Efeito Boomerang, banca americana afunda em Wall Street.

Ratings Nov 2011
Há precisamente 15 dias e a propósito da Grécia, escrevia aqui:

- “O futuro da Grécia não pode ser imposto pelo estrangeiro, pela estratégia dos ricos da Europa de sacrificar alguns países para manter a estabilidade do euro. Não funciona, o caos imposto à Grécia está a espalhar o caos na Zona Euro e já atinge outros Continentes.

Era barato salvar a Grécia, optaram por puni-la, agora o boomerang anda desordenado a bater nos reais culpados dessa decisão”.

Atente-se nesta notícia:

Nova Iorque, 16 nov (Lusa) – A agência de notação financeira Fitch alertou hoje que os maiores bancos norte-americanos podem ser "muito afetados", no caso de a crise de dívida soberana da Europa se espalhar, criando uma cascata de choques.
A Fitch, uma das três grandes agências de 'rating' mundiais, afirmou, num relatório hoje divulgado, que os bancos norte-americanos podem ser "muito afetados" se a crise de dívida europeia continuar a alastrar a outros países além dos que já estão em apuros, como a Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha.
Depois deste alerta, as cotadas bancárias em Wall Street afundaram: o Bank of America e o JP Morgan Chase desvalorizaram 3,7 por cento, o Goldman Sachs 4,1 por cento e o Morgan Stanley 7,9 por cento.

In Jornal i

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Agências de rating atacam países ricos da Europa.

Sarkozy ameaçado Out2011


A doença ataca os mais fortes porque não a curaram quando atacava os mais débeis, é a narrativa das epidemias por contágio. Itália e Espanha vêem baixar as suas notações e a França é ameaçada pela Moody´s. Um corte na dívida francesa poderia ter implicações na que é atribuída ao fundo de socorro do euro .
A exposição à dívida soberana da banca europeia e a fraca perspectiva de crescimento das economias, são argumentos de peso das agências para atacar também os países ricos da Europa.

Uma história. Há anos, quando era industrial, precisei de uma máquina (16.000 contos) e o meu banco, também meu cliente, demorava a aprovar a operação de leasing. Voltei-me para “os espanhóis” instalados em Lisboa; enviaram um analista (português) à fábrica, deu uma volta pelo fabrico, viu os produtos expostos da nossa produção, reconheceu as marcas, não pediu balancetes ou outros dados, conversámos e aprovou a operação na hora.
O equipamento foi pago (pagou-se) facilmente. O profissional da empresa bancária, conhecedor do sector, sabia que a máquina triplicaria a nossa produção, e foi essa perspectiva de crescimento que o levou a aprovar o investimento, em condições para nós bastante favoráveis.

As agências de notação financeira sabem que o simples anúncio da possibilidade de cortes no rating cria ou aumenta vulnerabilidades aos países, estão a pressionar soluções para a zona euro. Portugal, com as opções internas que tomou, tem um papel secundário e mudo, não sabe quando vai renegociar a divida nem qual será o perdão, está a destruir o resto do aparelho produtivo por ignorância dos decisores políticos e a inércia dos portugueses.

A falta de resposta atempada das instituições europeias põe em risco toda a zona euro, por cá a governação espelha-se num ministro da economia que podia ser atropelado por uma fábrica de lâmpadas acesas, que não veria o que lhe passou por cima. Sabem lá o que é uma empresa.

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Agência de notação corta rating dos Estados Unidos.

QuemdisseJul2011


Segundo noticia o Expresso online; «A agência de notação Egan-Jones Ratings – como tinha anunciado a semana passada – decidiu comunicar aos mercados a sua decisão de baixar o rating do governo federal dos Estados Unidos de AAA para AA+. Esta notação equivale a que a dívida americana continua “quase sem risco” mas é uma machadada na imagem da dívida acima de qualquer suspeita. Nem mesmo quando os Estados Unidos entraram em default restrito por três semanas em 1979 (entre 26 de Abril e 10 de Maio) haviam tocado no triplo A. O tabu foi vencido.»

Ainda segundo o Expresso; «A principal razão deste corte na notação prende-se com o nível de dívida pública federal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) com uma trajectória de subida de 86,2% em Junho de 2009 para 99,9% em Junho de 2010 e 101,35 em Junho de 2011, avaliado em termos ajustados.
No canal CNBC, o co-fundador da Egan-Jones Ratings, Sean Egan, ironizou que era um rácio “ao nível de Portugal”.»
A seguir

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Irlanda no lixo. "Desvio colossal" de Passos Coelho.

IrlandaLixoJul2011


A zona euro está em pânico, nas televisões da Europa aproveita-se o horário nobre para debater a situação, por cá continua a política do entretenimento e do entretenimento em política.

Passos Coelho lançou sob a forma de fuga do Conselho Nacional do PSD, mais um rumor de que há um colossal desvio das contas públicas; “conta” auditada pela troika. Está a dar mais uma razão às agências de rating para baixar a notação portuguesa, de lixo, para lixo mal cheiroso. Estará também a preparar aqueles que pensa serem uns papa-açordas, para lhes ir mais ao bolso sem que refilem (muito).

A realidade é que a Irlanda está a fazer tudo “bem feito” (segundo a troika) para se credibilizar, está a seguir o guião, e o resultado é que também foi parar ao lixo. Como vão convencer alguém a ser certinho como a Irlanda? Como vão persuadir os portugueses de que basta a austeridade para “ir aos mercados mais cedo”? Com a infantilidade da herança do governo anterior? Isso não pega nem para consumo interno.

O que se passa na Europa e no mundo é do conhecimento público, por lá nenhum português esteve a governar, o que se vê é a soberania de alguns países a capitular perante a banca e os especuladores.

Na Itália o ministro Giulio Trimonti vai apresentar até ao fim-de-semana um novo plano da velha receita, “gastos públicos/ impostos/ privatizações”. Por cá impostos e privatizações já vimos, e sabemos que vamos ver mais; - gastos públicos, nada. Até se percebe, impostos é fácil, privatizações já estavam combinadas com os amigos e a Igreja. Para mexer nos gastos públicos é preciso estudar, estudar muito, não vá haver erros de análise por falta de estudo, como ditava o nosso estudioso presidente.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Moody`s. A resposta dos portugueses.

RatingJul2011


A indignação geral contra a Moody`s é demasiado geral para ser séria.
Há aqueles (gastos - agastados) que sempre acharam que a “mão invisível” dos mercados não são quem promove o bem-estar na sociedade, e os outros, que ganharam o poder político nas nossas últimas eleições, com o seu enxame de peões no poder mediático, cujas cenas de cólera só podem ser fita.

Quem ontem lesse editoriais dos jornais económicos (entre outros) ou ouvisse os costumeiros comentadores liberalóides de Tv, rádio, ou da blogosfera, ficaria espantado. Quem ligasse o canal ETV e visse gente nova e (ultra)passada a esbracejar raiva e revolta contra os malvados das agências de rating, diria que estávamos perante um cisma contra o Deus Mercado.

Depois tive a sorte de ver num dos canais televisivos o ex-jornalista de economia e actual opinion maker, José Gomes Ferreira, contorcionista do Circo dos Amadores do Mercado, que explicou aos portugueses que a tramóia da Moody`s durou 24 horas. Está portanto ganho, vencemos a batalha contra a ofensa de desconsiderarem Portugal até ao nível do lixo.

Não há nada como uma campanha publicitária para adormecer o povinho, a partir de agora é só não fazer ondas e cumprir patrioticamente o que diz a troika. Pois eu acho que se enganam em relação às ondas; vai haver grossa tempestade, e também leram mal o que anda no ar. Os ventos que vêm da Europa não foram de solidariedade com Portugal nem tratamento de favor; O BCE não leva em conta as notações da Moody`s, como já não levava em relação à Grécia e à Irlanda, é público.

A notação da Moody`s para os seus clientes (os investidores) não se alteraram, nem se alterou a politica das instituições europeias em relação à defesa do euro. Não está tudo na mesma; piorou e muito, com a agora maior exposição da Espanha. Ficámos todos a saber, e os próprios, que termos um governo liberal não trás vantagens ou qualquer protecção contra os abusos da especulação. O “mercado” é bicho habituado a comer as próprias crias.

A solução está na União Europeia, mas o nosso presidente ou o nosso governo não têm a mínima influência por aqueles lados. Fiquemos pelo manguito à Moody`s.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Portugal no "lixo". Medidas do governo não acalmam os mercados.

EuroJul2011

A agência Moody`s cortou o rating da dívida portuguesa quatro níveis. A sua actuação, como das outras principais agências de rating, não é novidade, andaram pela América Latina a fazer o mesmo; impor o dólar, fazendo as suas ligações ganharem fortunas e espalhando a pobreza.
Viraram-se para a Europa porque o Euro é uma moeda forte e ameaça a moeda americana; é uma tarefa de política geoestratégica.

Os Estados Unidos têm dificuldades mais sérias que o conjunto da Zona euro, em relação à divida. O problema na Europa é político, é preciso perceber se os actuais líderes europeus estão resolvidos a prescindir de alguns países membros para manter o Euro forte. Na dúvida sobre o que pretende a Europa joga-se o futuro dos países em apuros, fazemos todos parte do Euro ou os mais pobres andam cá só para salvar os bancos e enriquecer os mercados.

Terá sempre de haver austeridade para corrigir as contas públicas e privadas, mas os portugueses têm o direito de saber o que acontece após os sacrifícios, e quando é que eles terminam. Se são eternos, de escravidão, temos de encontrar alternativas, recusar o modelo.

Ao contrário do que nos prometeram quando a troika impôs austeridade, ou quando o governo de Passos Coelho somou mais austeridade, as medidas restritivas duras não estão a resultar na acalmia dos mercados.
A receita em vigor é igual à grega, só pode ter os mesmos efeitos. Não se pode pedir sofrimento para apenas pagar os serviços da divida, levando essas medidas a maior recessão e nenhum crescimento económico.

Dependendo dos investidores do mercado não se pode fugir das agências de rating; no governo anterior elas faziam um trabalho indispensável, e eram uma desculpa, como era a crise financeira internacional, neste momento são terroristas e fazem dores de barriga (dão murros). O melhor era Cavaco voltar a juntar os ex-presidentes para se aconselhar e os verdes políticos deste governo pensarem a Europa. Não há solução solitária ou nacional dentro do euro, ou se prepara a saída ou se é mais exigente politicamente junto da União Europeia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Processar as agências de rating.

Economistas portugueses vão promover uma queixa na PGR contra as agências Moody´s, Fitch e Standard & Poor´s. Apurar a “prática de actos abusivos” e a “existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e povo português” são a razão da abertura do inquérito. A acção é por crime de manipulação do mercado.
Um grupo de advogados espanhóis também estão a processar as mesmas agências por “terem alterado o curso normal do mercado, agindo em benefício dos seus interesses e dos seus clientes”.
Nos Estados Unidos há mais processos, instaurados pelo procurador do Connecticut, e pelo Ohio, outros estados estão na fase de investigação às práticas comerciais das agências.
Processos anteriores nos USA chocaram com a alegação de as notações serem “opiniões”, portanto constitucionalmente salvaguardadas pela liberdade de expressão. O que, digamos, é extraordinário; o mundo de pantanas por causa da opinião de uns funcionários incompetentes, mas apesar disso todos muito ricos.
Paul Krugman escreveu no The New York Times. “É confortável fingir que a crise financeira foi causada por nada mais do que erros honestos. Mas não foi; foi, na maior parte, o resultado de um sistema corrupto. E as agências de classificação de risco de crédito foram uma parte importante dessa corrupção.
O economista José Reis, um dos subscritores da queixa portuguesa disse que duas das agências têm como proprietário o mesmo fundo de investimento.
Não se sabendo no que resultarão os processos instaurados, pois a Wall Street não faltam bons e caros advogados, a multiplicação de queixas nos vários países afectados, pode levar a uma nova era de regulação financeira onde as agências de rating respondam pelas suas opiniões, particularmente quando delas depende a vida de populações inteiras de vários países.