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sábado, 2 de agosto de 2014

José Afonso - 85 anos.

85 anos do nascimento de José Afonso.Ago.2014

Rua de São Bento, 170 – Lisboa

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Poemas de Carlos Loures. O Atlas Iluminado.

Novo Livro de Carlos Loures. Ago. 2014
 
Faz depois de amanhã oito dias, que me chegou às mãos o último livro de Carlos Loures, li-o nesse dia e encontrei nos poemas algo que me dá jeito. Gosto da obra literária do Carlos Loures também por isso; dá-me jeito. Estes poemas, O Atlas Iluminado, até têm no subtítulo “manual…” e, como o bom design, é para usar.

Das páginas 50 e 51, das 60 do livro fino e jornada longa, duas passagens da viagem poética.

A espera

Pela noite vou esperando, ansioso,
que o sono me restitua o sonho.
A gente que me habita quero voltar a ver.
Tanta esperança na vida ponho
que a espera me deixa tão nervoso
que até me esqueci hoje de beber.
Soam as vésperas e o dia escurece.
Saio da locanda sem cambalear
é a primeira vez que tal acontece,
chega gente às portas para apreciar.
Sem tropeços corro para a alfurja,
Passo pela gorda quase sem a ver, vou dormir enfim,
e voltar a ver a estranha gente que vive dentro de mim.

Mas o sonho do debuxante muda – no convés é interrogado por um meirinho.

Para que queres um mapa, idiota
se não tens plano traçado, rumo certo? –
Para que te serve a agulha de marear?
- sabes lá se estás longe ou se estás perto!
Se a utopia que procuras, a tal ilhota,
fica onde o sol se põe ou à mão de semear;
se dista mil léguas ou cem toesas.
Cuida mas é dos perigos que se tecem
agora e aqui. Tem as lanternas bem acesas,
está nevoeiro, é mau – é assim que elas acontecem.
Quem anda a olhar para o horizonte, esquece
o chão que pisa e não tarda muito que tropece.

Carlos Loures

in O atlas iluminado – manual de poemonáutica.

Edições Colibri



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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sacanas – Não me lembra o tempo.



oclarinet.blogspot.com - BEZEGOL. Abr.2014

14 de Abril já foi, para mim, um dia especial – “não me lembra o tempo”…!

Um presente.

Mais de Bezegol (fora-da-lei) AQUI



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quarta-feira, 26 de março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Agora está a voltar ao que era dantes.



oclarinet.blogspot.com - O que faz falta...Mar.2014

Mas se há um camarada à tua espera…



… não faltes ao encontro e sê constante.


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quarta-feira, 5 de março de 2014

Hoje. Tributo a Pete Seeger no São Jorge.

Pete Seeger no São Jorge. Mar.2014

Apresentação:

Um grupo de pessoas ligadas à música, às canções de valer a pena, aos exemplos de dignidade, de fraternidade, de postura, abalançou-se à tarefa de levar a cabo uma homenagem a Pete Seeger, um homem de referência incontornável na música, nas palavras das canções, em tudo o que isso implica de compromisso com as pessoas, com o mundo, com o futuro, com o quotidiano que queremos construir de mãos dadas com todos os que acreditam que é possível um mundo melhor, mais justo, mais são, mais feliz. A esse tributo chamámos We Shall Overcome, com o subtítulo Tributo a Pete Seeger.


Hoje quarta-feira dia 5 de Março pelas 21.30h 
(bilhetes de 5 a 15 euros).


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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Até sempre Isabel.

Roriz 30 de Setembro de 2013. Set 2013

Cantiga para quem sonha

Tu que tens dez reis de esperança e de amor
Grita bem alto que queres viver
Compra pão e vinho mas rouba uma flor
Tudo o que é belo não é de vender

 
Não vendem ondas do mar
Nem brisas ou estrelas
Sol ou lua cheia
Não vendem moças de amar
Nem certas janelas 
Nem dunas de areia


Canta, canta como uma ave ou um rio
Dá o teu braço aos que querem sonhar.
Quem trouxer mãos livres ou um assobio
nem é preciso que saiba cantar.


Tu que crês num mundo maior e melhor
grita bem alto que o céu está aqui.
Tu que vês irmãos, só irmãos em redor,
crê que esse mundo começa por ti.

Leonel Neves/ Luiz Goes


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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Alexandre O´Neill. Entre pedras, palavras…

21 de Agosto lembrar Alexandre O´Neill.Ago.2013
Alexandre O´Neill – 19 de Dezembro 1924 – 21 de Agosto de 1986

Entre pedras, palavras…  
 
Que estupidez o sangue nas calçadas!
O sangue fez-se para ter dois olhos,
um lépido pé, um braço agente,
uma industriosa mão tocante.
Que estupidez o sangue entre as palavras!
O sangue fez-se para outras flores
menos fáceis de dizer que estas
agora derramadas.

Alexandre O´Neill


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sábado, 10 de agosto de 2013

Bezegol – Fora da Lei

Também Cavaco Silva. Ago.2013
 
Machete é manchete, o BPN é a vossa mancha; ó senhor presidente!…

 
Fora da Lei.

Andam-nos a tentar enganar,
aldrabar a roubar, eu sei.
Será que nos vamos aguentar
ou virar uns fora da lei?
É sentires que o teu tempo,
não vale o teu sustento.
É querer olhar de frente
o futuro e o presente
ó senhor presidente.


A multidão num cinema mais um imposto se aproxima
Quantos mais lá virão até eu acabar esta rima.
Comprima o orçamento que já não é nada
e mande a criança p'rá escola com um copo d'água.


Ó pai tramado o que nos está a acontecer?
Tanta glória passada e tanto lixo a aparecer.
Mas vamos explicar à próxima geração,
os espinhos que vivemos cravos da revolução.


Andam a brincar com a nossa vida à tanto tempo
agora são discursos de pesar e de lamento.
Tento, mas eu não me aguento
a ganhar quinhento com uma vida de seiscento.
Tudo tem aumento menos os salários,
são assembleias a fazer de nós otários.


Venham mais salafrários, chulos aldrabões
quando o mar bate na rocha quem se lixa é os mexilhões.


Andam-nos a tentar enganar,
aldrabar a roubar, eu sei.
Será que nos vamos aguentar
ou virar uns fora da lei?
É sentires que o teu tempo,
não vale o teu sustento.
É querer olhar de frente
o futuro e o presente
ó senhor presidente.


(Bezegol)

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Margem sul – Poema de Urbano Tavares Rodrigues.

Urbano Tavares Rodrigues. Ago.2013
Clicar nas imagens.

Cantámos Margem Sul.

Urbano Tavares Rodrigues. 6 de Dezembro de 1923 - 9 de Agosto de 2013.

Conheci Urbano Tavares Rodrigues em 1973, fazia-nos falta. Éramos jovens e envolvidos. Depois aconteceu Abril e fizeram-se outros caminhos.
Pessoas como Urbano Tavares Rodrigues farão sempre falta.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aniversário do nascimento de José Afonso - 84 anos.

O sempre assumido PREC.

O ano passado lembrou-se aqui uma canção do PREC, nesta apresentação é o próprio Zeca que refere o Período Revolucionário e os companheiros da canção popular e de intervenção.

Mais Zeca Afonso n´oclarinet; Clicar etiqueta Zeca Afonso no fim deste post.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

História da Alma.

oclarinet.blogspot.com - Jan.2013

Meia-noite. Frio. Frio em tudo
E mais frio que em tudo, frio na Alma
A Noite grande e aberta... a Alma grande e aberta...
Infinitamente frias...

No alto a noite má seguia a Alma que vagava
Enregelada e nua entre todas as almas
Seguia a Alma presa
Presa por todos os lados
A Alma caminhava e a noite caminhava com ela
A Alma fugia e a noite perseguia a Alma
E a Alma parava. Então a noite também parava
E mandava um frio mais frio do que a Alma

E a Alma já fria tornava a caminhar
E a noite vinha e perseguia a Alma
E a Alma parava... e a Alma parava...
E chorando ajoelhada pedia perdão...

Vinícius de Moraes

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

La libertá – Giorgio Gaber.

Giorgio Gaber.Jan 2013

Cavaco falou. Para não começar o ano mal, falemos de outra coisa…(enquanto Cavaco falava fazia dez anos que Giorgio Gaber morreu).


Do autor de “Qualcuno era comunista”; (de “duas pessoas em um” a “duas misérias em um só corpo”). Uma história próxima.

Liberdade

Giorgio Gaber (1972)

Eu quero ser livre, livre como um homem.

Como um recém-nascido perante somente a natureza
e que caminha na floresta com a alegria de perseguir uma aventura,
sempre livre e essencial - fazendo amor como se fosse um animal,
inconsciente como um homem satisfeito pela própria liberdade.

A liberdade não é uma estrela sobre uma árvore,
não é sequer o vôo de uma mosca,
a liberdade não é um campo livre,
Liberdade é participação.

Eu quero ser livre, livre como um homem.
Como um homem que precisa procurar com a sua fantasia
e que encontra esse lugar apenas na sua democracia,
que tem o direito de votar e que passa a vida a delegar
que conseguindo controlar encontra a sua nova liberdade.

A liberdade não é uma estrela sobre uma árvore,
não é sequer ter uma opinião,
a liberdade não é um campo livre,
Liberdade é participação.

A liberdade não é uma estrela sobre uma árvore,
não é sequer o vôo de uma mosca,
a liberdade não é um campo livre,
Liberdade é participação.

Eu quero ser livre, livre como um homem.
Como o homem mais evoluído que se eleva com a sua inteligência
que desafia a natureza pela força da incontestada ciência,
que se entusiasma no espaço sem limites do cosmos
convencido de que o poder do pensamento é a única liberdade.

A liberdade não é uma estrela sobre uma árvore,
não é sequer um gesto ou uma invenção,
a liberdade não é um campo livre,
Liberdade é participação.

A liberdade não é uma estrela sobre uma árvore,
não é sequer o vôo de uma mosca,
a liberdade não é um campo livre,
Liberdade é participação.

(Tradução caseira oclarinet)

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

De que se ri o ministro do impossível.

De que se ri ministro do impossivel.Dez.2012

Letra. Mário Benedetti - música Alberto Favero – Nacha Guevara.


En una exacta foto del diario,
señor ministro del imposible,
Vi en plena risa y en plena euforia
y en pleno gozo su rostro simple.
Seré curiosa, señor ministro,
¿De qué se ríe?
¿De qué se ríe?


De su ventana se ve la plaza
Villamiseria no está visible.
Tienen sus hijos ojos de mando
pero otros tienen mirada triste.
Aquí en la calle suceden cosas
que ni siquiera pueden decirse
Los olvidados y los obreros
ponen los puntos sobre las íes
Por eso digo, señor ministro,
¿De qué se ríe?
¿De qué se ríe?


Usted conoce mejor que nadie
la ley amarga de estos países.
Ustedes, duros con nuestra gente,
por qué con otros son tan serviles.
Cómo traicionan el patrimonio
mientras el gringo nos cobra el triple.
Cómo traicionan, usted y los otros,
los adulones y los serviles.
Por eso digo, señor ministro,
¿De qué se ríe?
¿De qué se ríe?


Aquí en la calle la gente muere
y los que mueren son gente humilde.
Y los que mueren son gente humilde
y los que quedan, llorando rabia,
seguro piensan en el desquite.
Allá en la selva sus hombres hacen
sufrir al hombre y eso no sirve.
Después de todo usted es el palo mayor
de un barco que se va a pique.
Por eso digo, señor ministo,
¿De qué se ríe?
¿De qué se ríe?


Seré curiosa, señor ministro,
¿De qué se ríe?


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cesariny–Todos por um.

oclarinet - Cesariny.Nov.2012Mário Cesariny, Lisboa 9 de Agosto de 1923 – Lisboa 26 de Novembro de 2006
 
Todos por um

A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos de certeza

Santos
Mártires
e Heróis

Que mau tempo estará no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a ponto de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum.

Mário Cesariny

Antes: You are welcome to Elsinore (clicar aqui)

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domingo, 12 de agosto de 2012

12 de Agosto de 2012. Lembrar Miguel Torga.

Miguel Torga. 12 Agosto 1907 - 17 Janeiro 1995.Ago.2012

Por Miguel Torga

Querido leitor: Escrevo-te da montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro. Vim ver a sepultura do Alma Grande e percorrer a via-sacra da Mariana. Encontrei tudo como deixei o ano passado, quando da primeira edição destas aventuras. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero. Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma peça cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. Ora eu sou escritor, como sabes. Poeta, prosador, é na letra redonda que têm descanso as minhas angústias. Mas nem tudo se imprime. Ao lado do soneto ou do romance que a máquina estampa, fica na alma do artista a sua condição de homem gregário. E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito: que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contida nas fragas, não como leitor do pitoresco ou do estranho, mas como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida. Prometi isso porque me senti humilhado com tanto surro e com tanta lazeira, e envergonhado de representar o ingrato papel de cronista de um mundo que nem me pode ler. Tomei o compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar e, se possível for, comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos.

Teu

MIGUEL TORGA

S. Martinho da Anta, Setembro de 1945 - Prefácio à segunda edição dos “Novos Contos da Montanha”.

Sobre Torga ler aqui. Mais os poemas, Brinquedo; Liberdade; Orfeu Rebelde.

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