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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Chile. Justiça detém assassinos de Víctor Jara.

Victor Jara Martinez. 28 Set.1932- 16 Set.1973. Jan. 2013

Quatro dos oito oficiais do exército chileno, ao tempo de Pinochet, acusados formalmente na última sexta-feira do assassinato do cantautor Víctor Jara, estão detidos desde ontem.

É uma marca importante na conduta da Magistratura e da Investigação forense chilenas, que em 40 anos não conseguiram levar à Justiça os executores de Víctor Jara. 

O músico chileno foi preso, torturado e assassinado, no Estádio de Santiago do Chile, aquando do golpe militar de Augusto Pinochet, em 1973. Foi vítima de tortura no estádio transformado em prisão, segundo testemunhas presenciais partiram-lhe as mãos à coronhada vindo a executá-lo a 16 de Setembro, com 44 tiros. O seu corpo foi encontrado dias depois, junto de um cemitério.

Segundo a investigação, os autores materiais da execução foram os ex-tenentes Hugo Sánchez Marmoti, que está preso, e Pedro Barrientos Núñes, a viver nos Estados Unidos e cujo pedido de extradição foi iniciado. Dos cúmplices do homicídio qualificado estão detidos, Jorge Smith Gumuncio, Edwin Dimter Bianchi e Nelson Hasse Mazzei, todos antigos oficiais do exército e da confiança dos generais golpistas.

É significativo que com um governo em que partidários de Pinochet voltam ao poder, em que há homenagens públicas à ditadura, e ameaças de morte a dirigentes estudantis feitas por funcionários do estado, a Justiça chilena demonstre a intenção de julgar os militares que assassinaram prisioneiros civis desarmados.

Nunca é tarde para apanhar os culpados do terror.


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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Chile. Homenagem a Pinochet e repressão dos protestos.

Polícia reprime manifestação contra homenagem a Pinochet.Jun2012

Realizou-se ontem, em Santiago do Chile, uma homenagem ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet, numa tentativa de branqueamento do seu poder autoritário e repressivo.
Homenagem a Pinochet no teatro Caupolicán em Santiago do Chile.Jun2012
Partidários da ditadura que matou, em 17 anos de poder, mais de 4 mil pessoas e torturou dezenas de milhar de homens e mulheres exibiram no Teatro Caupolitán um documentário de exaltação à figura do ditador.

A Associação de Familiares de Desaparecidos e Mortos do Chile, assim como o Instituto e a Comissão Parlamentar dos Direitos humanos, lamentaram a autorização pela “Corte de Apelação do Chile” da realização da homenagem.
Manifestantes contra homenagem a Pinochet.Jun 2012
Apelos ao presidente Sebastián Piñera também não impediram o acto, o que não admira conhecidas que são as relações dos fundadores da actual direita no poder, com a ditadura de Pinochet (ler aqui).

A polícia de intervenção “fez a segurança” da homenagem ao ditador, reprimindo os manifestantes que sitiaram os arredores do teatro. Atacaram a população que pugna pelos Direitos Humanos, em defesa de um milhar de saudosistas do regime criminoso e sangrento de Pinochet.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa nas redes sociais.

Ameaça sobre a Liberdade de Imprensa. Mai2012

A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu os novos media e as redes sociais como tema de reflexão no Dia Mundial de Imprensa. Já em datas anteriores, a ONU tinha dedicado o Dia à segurança dos profissionais da comunicação social sujeitos a violência. A perseguição, agressão e prisão de jornalistas e outros profissionais dos media, e até o assassinato, constitui uma das principais ameaças à Liberdade de Expressão.

Em mensagem conjunta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon e da directora da UNESCO, Irina Bokova, considera-se a Liberdade de Expressão como um dos direitos mais preciosos. Referem o facto de, com a mudança dos meios para o suporte online, “jornalistas online, incluindo bloggers” estarem a ser “perseguidos, atacados e mortos” por causa do seu trabalho. Defendem por isso que estes “devam receber a mesma protecção que os trabalhadores dos media tradicionais”.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) reafirma em comunicado, “a importância dos serviços públicos de comunicação social – da agência de comunicação, de rádio e televisão – que o governo e a maioria parlamentar querem desmantelar, com o pretexto demagógico da crise, mas visando cumprir uma agenda neo-liberal de privatização a todo o custo”.

O SJ considera que a “informação como bem público necessita de jornalistas livres e com direitos”, alerta para “o agravamento das condições de trabalho” o “despedimento de centenas de profissionais nos últimos anos” e as “situações de precariedade, de contratados a recibos verdes ou a prazo, bastante generalizada entre os jovens jornalistas”. O SJ especifica “não é possível garantir a independência e a liberdade de informar de jornalistas que podem ser sumariamente despedidos no dia seguinte ou no mês seguinte”.

As ameaças à liberdade e ao pluralismo da imprensa está na concentração dos media, na degradação e precariedade laboral, no controlo ideológico e poder dos grupos económicos. O “primado da superficialidade” é opção política dos donos da comunicação social.

O SJ afirma que “sem informação livre, plural e de qualidade, não há verdadeira democracia”.

Volto a lembrar a forma como os amigos de Pinochet voltaram ao poder no Chile, e o papel preponderante do controlo da comunicação social nesse feito.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Afinal vai haver mais austeridade ou não? Défice há.

Buracos.Jan 2012


O governo fez publicar ontem no DN, que não consegue para 2012 o défice acordado com a troika, será de 5,4 e não 4,5% do PIB. Ontem o governo estava “a trabalhar num cenário de medidas adicionais para este ano”, (DN), hoje “uma fonte oficial do executivo garante que o desvio não será tapado com mais austeridade” (jornal i). ontem tinha “um problema de comunicação”, hoje teria o problema de comunicação resolvido.

Percebe-se o que o governo pretendia e foi ensaiado, pelo silêncio, em vários órgãos; secundarizar as dificuldades da execução orçamental. Lá mais para a frente quando surgisse a necessidade de mais medidas de austeridade, a “legião jornaleira” lembraria que já em Janeiro o governo tinha “comunicado” aos portugueses que “a execução orçamental se tinha tornado ligeiramente mais difícil”. Só há um problema, é dia de debate na Assembleia da República, não há como esconder a coisa. Por isso, a RTP veio falar (agora) em possível austeridade. Em que ficamos?

Para já a ordem é baralhar. A política de “comunicação” do governo nem é sofisticada, apenas controla os órgãos de comunicação social; foi esta a forma como os partidários de Pinochet voltaram ao poder no Chile poucos anos volvidos sobre a restauração da democracia.

Não é fácil combater a intoxicação mediática, a manipulação de notícias e a contra-informação policial, num país em que a oposição não possui qualquer meio informativo de grande difusão. Só resta a luta de quem sofre as consequências das políticas do governo, e a denúncia das maneiras como os portugueses estão a ser burlados.

A “nota interna” que o governo ontem divulgou tem várias semanas, esperou por montar várias manobras de diversão para a difundir. A clássica é fazer burburinho à volta do nome de Sócrates – já se sabe que se Sócrates aparece a despropósito há bernarda a anunciar pelo governo; é lamentável o número de pessoas informadas, que por não gostarem do anterior governo se deixam ludibriar por este. Mas é o que temos – vistas embaciadas.

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domingo, 11 de setembro de 2011

Os efeitos do 11 de Setembro no Chile.

manif.ChileSet2011


É do conhecimento geral o que a ditadura militar de Pinochet provocou na sociedade chilena. A prisão tortura e assassinato, foi a prática durante 17 anos, (de 1973 a 1990) do poder autoritário e repressivo, sobre os militantes e simpatizantes de esquerda e os protagonistas da participação popular na vida pública.

Fazem sentido umas notas sobre a evolução politica chilena, da transição para a democracia que não se concretizou em pleno, com grandes desigualdades na distribuição da riqueza, quando antigos membros e apoiantes do regime de Pinochet, através de novas organizações partidárias voltam a dominar o poder político.

Em 2010, vinte anos após o fim da governação Pinochet, a direita identificada com a ditadura, com nova cara construída pelos media, voltou ao poder com a vitória do multimilionário Sebastián Piñera, candidato da Coligação pela Mudança.

A recuperação da direita chilena assenta na estruturação realizada após o golpe militar e que em 20 anos de “recuperação da democracia” ficou quase inalterada. O Chile foi durante a ditadura o palco experimental do neo-liberalismo, protagonizado por um grupo de economistas americanos (os Chicago Boys). O “milagre económico chileno” teve resultados desastrosos que culminaram na depressão de 1982, e na contestação a Pinochet.

Para implementar o modelo neo-liberal, perseguiram-se os sindicatos, proibiram-se os partidos, encerrou-se o parlamento, terminou a liberdade de expressão; “suspendeu-se a democracia” não durante seis meses como advogava Ferreira Leite, mas durante 17anos; o resultado foi quase 40% dos chilenos abaixo da linha de pobreza, a queda do PIB em 30%, desemprego.

Ficou a desregulamentação da economia, a privatização da segurança social, que deixou metade da população sem qualquer previdência; ficaram maiores desigualdades. Permaneceu o que seria essencial para a recuperação da direita da era de Pinochet, o fundamental da Constituição de 1980, o modelo económico neo-liberal, as intocáveis forças armadas e carabineiros, e o controlo dos grandes meios da comunicação social.

sábado, 10 de setembro de 2011

O 11 de Setembro de há 38 anos.

38 anos após o 11 de SetembroSet2011


Até ao ataque da Al-Qaeda às “Torres Gémeas” a data “11 de Setembro” estava associada, nas efemérides dos acontecimentos políticos, ao golpe de estado de Pinochet, em 1973, contra o governo legítimo do Chile, de Salvador Allende. O golpe militar fascista no Chile foi sentido em todo o mundo e particularmente em Portugal pela minha geração, que na época e aproveitando a “abertura marcelista” lutava aqui, pela democracia.

O que se passou após o fim da ditadura no Chile, e o trajecto das forças políticas, que fazem um curioso paralelo com o que se passa em Portugal, será matéria para amanhã. Como encontrei nos meus “arquivos” o cartaz que inicia o post, vou recordar a sua história.

Estávamos em 1973, passagem do ano para 1974; eu era desenhador de máquinas numa metalurgia e estudava à noite. Foi ano de campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizaram em Outubro. O Movimento Democrático representando a oposição democrática ao regime de Marcelo Caetano, participou na campanha, mas desistiu de ir a votos por considerar não existirem condições para eleições livres.

No Natal de 1973, José Afonso tinha lançado o álbum “Venham Mais Cinco” (é verdade, já tem uns anitos). O Zeca esteve detido em Caxias de Abril desse ano até finais de Maio, mas tinha uma grande actividade apesar de alguns dos seus concertos terem sido proibidos pela PIDE. Os militantes da oposição aproveitavam todas as ocasiões para juntar os democratas que tinham “aparecido” na campanha eleitoral. Uma festa de passagem de ano vinha a propósito.

Cheguei mais cedo a Sintra, à “casa do Sr. Embaixador”, para com o António “Fogueteiro” preparar os “comes”, que os “bebes” era tinto de Cheleiros que ele tinha trazido. O António teria a idade que eu tenho hoje, era rijo e poeta popular, dirigente do Sindicato dos Mármores e Cantarias (penso ser este o nome), encontrava-o por vezes na cooperativa livreira Esteiros. Os convivas eram sobretudo jovens, homens e mulheres, alguns quadros políticos e oradores, lembro-me de Urbano Tavares Rodrigues ter dissertado sobre a condição da mulher.

Abreviando, após várias intervenções sobre a situação política nacional e internacional, onde se abordou a situação chilena cujo golpe tinha três meses, alguém apareceu com o cartaz (edição World Peace Council), uma raridade. Foi leiloado e o dinheiro foi para a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Eu não tinha muito dinheiro, não sei como fiquei com ele, devo-o ter comprado a meias com os efeitos do tinto de Cheleiros.

terça-feira, 12 de julho de 2011

No aniversário de Pablo Neruda, o poema "Siempre" na música dos Illapu.


Illapu (do idioma Quichua – raio/relâmpago) grupo chileno de raiz tradicional andina, de múltiplos estilos musicais e influências. Fundado em 1971, viveram exilados em França e no México durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. Regressaram ao Chile em 1988. Estiveram em Portugal aquando da Expo 98.

Siempre de Pablo Neruda (12Jul 1904 / 23 Set 1973)


Aunque los pasos toquen mil años este sitio,
no borrarán la sangre de los que aqui cayeron.

Y no se extinguirá la hora en que caísteis,
aunque miles de voces crucen este silencio.
la lluvia empapará las piedras de la plaza,
pero no apagará vuestros nombres de fuego.

Mil noches caerán com sus alas oscuras,
sin destruir el día final del sufrimiento.

Un día de justicia conquistada en la lucha,
y vosotros, hermanos caídos, en silencio,
estaréis com nosotros em ese vasto día
de la lucha final, en ese día inmenso.