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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Guerra do Mali. Mais apontamentos. Al-Qaeda. França.

Lider extremista de Timbuktu. Jan. 2013

(continuação)

Se o norte do Mali corre o risco de se transformar num Afeganistão, como disse um ministro francês, os “talibans” que está a gerar, podem chegar à Europa. Que as suas acções no Sahel e no Magreb atingem a economia europeia, para além dos países do norte de África, não restam dúvidas.

Como disse aqui ontem, Os tuaregues que Kadhafi empregou e com quem dizia ter afinidades, regressaram da Líbia após o fim do regime; desempregados e sujeitos a perseguição racista, voltaram e com armas. Compõem o moderado MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad) com antigos combatentes das rebeliões anteriores e juntando várias etnias.

Na rebelião no Mali, o MNLA teve como aliado o grupo extremista islamista Ansar Dine, que domina algumas cidades (como Timbuktu - dos túmulos sagrados). O grupo Ansar Dine (defensores da fé) como o MUJAO (Movimento de Unidade e Jihad na África Ocidental), estão ligados por militantes comuns, e estes à AQIM (Al-Qaeda do Magreb Islâmico). Ouve-se falar em dissidências; são processos de autonomia e concorrência entre as bases da Al-Qaeda, passe a redundância.

Os grupos fundamentalistas tomaram cidades aos independentistas e nelas têm aplicado a Sharia, com a mesma leitura dos talibans afegãos sobre a lei islâmica. A determinação e traquejo militar dos combatentes jihadistas aliada ao fanatismo religioso parece ter feito a diferença nos combates contra o MNLA, que são (ou eram) em muito maior número.

Jihadistas de vários países estarão na Guerra do Mali, como estão armas nas mãos dos grupos islamistas vindas da Líbia e entregues pela França aos rebeldes líbios. O “Le Figaro” fez uma reportagem há cerca de dois anos, foi depois confirmado; mísseis anti-tanque, lançadores de foguetes, etc. de França para os rebeldes. Depois desapareceram, andam por todo o lado, da Síria ao Mali. Pior são os mísseis terra-ar, (ver aqui set-2011) um perigo acrescido para os interesses franceses na região.

A França que começou por intervir no Mali para criar uma zona tampão que impedisse o avanço dos rebeldes até à capital, vai ter de ir mais além, talvez numa guerra de longa duração. Esta intervenção francesa excede a sempre evocada vontade de intervir nos países que colonizou, tem um interesse estratégico fundamental, que são as minas de urânio no deserto do Níger, na zona que dá para a fronteira do Mali. A que está a funcionar em Arlit, essencial para alimentar as centrais nucleares francesas, e a que está em construção nas novas reservas de Imourarene na mesma região, que terá uma área de exploração de duzentos quilómetros quadrados.

Em Arlit, apesar da segurança militar, já raptaram sete funcionários (4 continuam presos pelos raptores); guardar duzentos quilómetros quadrados de deserto em Imourarene vai ser uma empreitada. E como se está a ver pelo que acontece na Argélia, vontade e capacidade militar não falta aos grupos ligados à Al-Qaeda, que competem entre si esgrimindo contra os infiéis. A França é dos países que tem ajudado (inadvertidamente?) a propagação do radicalismo islamista.

Agora é na Síria.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Guerra do Mali. Apontamentos.

Azawad Independente.Jan.2013

A exportação da guerra santa islâmica para o Sahel e para o Magreb, às portas da Europa, põe em causa a segurança dos europeus? 

Mali. Mais uma guerra com envolvimento europeu. Não é (apenas) uma guerra contra terroristas, tem essa componente mas é mais que isso. Está em causa o direito à autodeterminação dos povos, de viverem em paz, livres do colonialismo e também do fanatismo religioso.

No norte do Mali há tribos abandonadas historicamente pelo poder político e fronteiras territoriais em todo o Sahel que são invenções coloniais sem sentido. O povo tuaregue vive numa área que abrange território da Argélia, Líbia, Mali, Níger e Burquina Faso. Os tuaregues independentistas “do Mali” têm identidade política própria e uma região herdada das divisões coloniais a que chama sua, Azawad.

Os tuaregues, povo berbere semi-nómada com cultura e língua própria, lutam pela independência desde 1916, primeiro contra os colonizadores franceses, depois de 1960 contra o Mali. Revoltaram-se em 1961/1964 pelo direito às suas terras que uma reforma agrária ameaçava e foram brutalmente reprimidos. Voltaram a sublevar-se entre 1990 e 1995, após a grande seca da década de oitenta, e foram novamente alvo de violenta repressão. A terceira grande revolta pela independência foi em 2007; a resposta sangrenta dos militares do Mali levou à fuga em massa de refugiados.

A guerra pela independência do Azawad tem quase cem anos, mas pela primeira vez os tuaregues têm agora armamento capaz e organização política/militar adequada. Iniciaram o levantamento a 17 de Janeiro de 2012 e tomaram as principais cidades da região. A 6 de Abril declararam a criação do Estado Independente de Azawad (não reconhecido pela “comunidade internacional”).

O exército do Mali não tinha meios para enfrentar os tuaregues que regressavam da Líbia bem armados. Um “efeito colateral” da intervenção militar americana e da NATO na Líbia. Americanos que, lembre-se, com a criação de um exército de jihadistas no Afeganistão, lançaram uma força terrorista no Mundo. 

Os tuaregues, organizados no Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA), consideram “o Islão como uma religião de tolerância e não-violência”. Os grupos islâmicos (islamistas) de orientação radical são contra a independência e pela guerra santa, mas participaram nas operações contra o poder central do Mali e controlam várias cidades.

 Sobre esses grupos (Ansar Dine, AQIM, MUJAO), os interesses franceses, e as contradições do “Ocidente”, será o próximo post, este vai longo. 

(continua AQUI)

Anterior sobre Mali AQUI

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Al-Qaeda retalia na Argélia a ofensiva no Mali.

Mokhtar Belmokhtar. Jan.2013

Islamistas dizem ter raptado 41 ocidentais, no campo de gás da BP, em In Amenas na Argélia. Ameaçam matá-los se a França não terminar a intervenção no Mali.

Os raptores, que estarão ligados ao AQIM (Al-Qaeda do Magreb Islâmico), agem como tinham ameaçado, atacar ocidentais no norte de África e/ou as capitais europeias.

Dois líderes radicais são apontados como responsáveis pelas acções, o argelino Mokhtar Belmokhtar (*), um dos líderes históricos do AQIM no Sahel, jihadista no Afeganistão, que se juntou a vários grupos islâmicos armados (GIA,GSPC,AQIM) e que estaria no Mali, na cidade de Gao, atacada pela aviação francesa. Outro, o maliano Omar Oud Hamaha, líder em Timbuktu; foi porta-voz do Ansar Dine (destruição dos túmulos de Timbuktu) e tanto se diz do AQIM como do grupo MUJAO (jihadistas da África subsariana). Foi figura principal no programa da TVI 24 sobre o Mali.

Para já, temos um campo da BP, tão isolado como os campos de urânio que levam os franceses a intervir militarmente no Sahel, a ser atacado.

E temos a confirmação de que os aliados de ontem no derrube de Kadhafi, o AQIM e a Coligação Ocidental, vão envolver-se noutra guerra, agora entre eles, e provavelmente envolver nela o espaço europeu.

Tudo isto é um legado do colapso da Líbia, sobejamente avisado, até por mim.

P.S. (*) Notícias posteriores indicam o grupo de Mokthar como autor da captura dos reféns; já fez sequestros e conseguiu milhões em resgates. Em 2007 matou quatro reféns, é determinado, o que não é boa notícia.

(Mais sobre a guerra do Mali - AQUI e AQUI)

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Al-Qaeda obteve na Líbia mísseis terra-ar. Receiam-se ataques à aviação civil.

oclarinetSet2011



Sumiram da Líbia grande parte dos mais de 20.000 mísseis terra – ar, portáteis, que estavam nos arsenais militares. Mercado negro e Al-Qaeda terão sido os seus destinos.

Um “efeito colateral” da guerra da Líbia, patrocinada pela NATO, pode vir a ser boa parte de África, e não só, vir a ser considerada zona de exclusão aérea para voos civis. O alarme tem sido lançado por líderes políticos, membros de ONGs, especialistas em estratégia e na “luta anti-terrorista”, militares e civis.

Agora (TSF) foi o presidente da Mauritânia a chamar a atenção para o facto da Al-Qaeda se ter armado fortemente na Líbia. Era uma preocupação dos serviços estratégicos ocidentais, anterior à participação da NATO no conflito Líbio. A presença de elementos da Al-Qaeda nas forças rebeldes de Benghazi, já foi aqui abordada, em Março.

A União Europeia foi informada pelo governo líbio, em Fevereiro, de que a Al-Qaeda tinha estabelecido um emirato islâmico em Derna, cidade de maior recrutamento de extremistas islâmicos, situada na região (Cirenaica) controlada pelos revoltosos.

Foi filmado e fotografado por jornalistas, em Benghazi, o assalto aos arsenais e a exibição, entre outras armas, de mísseis terra – ar, entretanto desaparecidos das imagens. Os figurantes televisivos continuaram a dar tiros para o ar usando várias armas, mas os mísseis, pelo seu valor no mercado negro e a procura por extremistas, abalaram. O que se passou em Benghazi repetiu-se pelo resto do país, de cada vez que os bombardeamentos da NATO permitiram o avanço dos insurgentes, aconteceu o assalto (sem controlo) aos depósitos de armamento.

O fornecimento de armas pela França, violando a resolução 1973 do CS da ONU, agravou a situação. Os ministros do interior da União Europeia reunidos em Junho, com a directora de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, disseram através do espanhol Perez Rubalcaba, que as armas líbias traficadas estariam a ir para uma organização do norte de África.

Rubalcaba referia-se à AQMI (AQIM) Al-Qaeda do Magreb Islâmico, (a desenvolver em futuro post) que é uma preocupação da União Africana e particularmente dos países do Sahel (Mauritânia, Mali, Argélia e Níger) que têm exércitos da AQMI nos seus territórios. O presidente do Chade disse ao Jeune Afrique que a Al-Qaeda do Magreb Islâmico está a tornar-se um verdadeiro exército, dos mais bem equipados da região.

A Europa é um objectivo da AQMI, mas por agora basta pensar que o receio de voar pode passar do medo das alturas, para o medo da altura – da altura em que a Al-Qaeda resolva usar um dos mísseis que possui.

PS : Segundo noticia o jornal Público, os rebeldes pediram a Cameron e Sarkozy mais armas. A irresponsabilidade do "ocidente" não terá limites?


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