Líbios apoiantes do regime ainda resistem à ofensiva militar da NATO e das forças rebeldes. Os países da coligação já fazem a partilha dos bens naturais da Líbia. A progressão dos rebeldes até ao interior de Tripoli foi possível devido à intervenção directa de militares e serviços de espionagem dos países ocidentais, apoiados pelo bombardeamento aéreo da NATO.
Já em Março a Reuters noticiava que Barack Obama tinha assinado a ordem que autorizava a CIA a dar apoio directo aos rebeldes. Também, segundo a Reuters, foram mobilizados “dezenas de membros das forças especiais britânicas e agentes do MI 6”. O coronel francês Thierry Burkhard, confirmou que desde o início de Junho estavam a enviar armas para os rebeldes que actuam nas Montanhas Ocidentais da Líbia (reportagem do “Le Fígaro”).
Portanto já há muito que a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU que autorizou a “zona de exclusão aérea”, e proibia o fornecimento de armas aos contendores, era letra morta. A suposta medida para proteger os civis líbios dos ataques do governo de Kadhafi, transformou-se em ataque indiscriminado contra o povo e os bens dos líbios que habitam as zonas sob administração do governo.
O que agora se passa não é completa surpresa como o demonstra a entrevista (abaixo) que o filho de Kadhafi, Saif, deu ao jornal El-Khabar da Argélia em 11 de Julho. Foi enganado pelos franceses, foi ingénuo ao pensar ser possível um Estado Moderno após o inicio da intervenção da NATO, mas já devia calcular que a ofensiva viria das Montanhas (com os franceses), enquanto a CIA operava no interior de Tripoli, guiando os bombardeamentos da NATO.
Numa coisa acertou, a TOTAL já assinou com o governo de transição a partilha do petróleo líbio, cabendo-lhe 35%. Os líbios vão pagar as bombas que lhes destruíram o país e mataram milhares de civis, com petróleo do melhor do mundo.
Sobre Saif el-Islam falaremos mais tarde até porque o Tribunal Penal Internacional quer a sua entrega para julgamento. Não é a figura que a propaganda dos vencedores diz, e alguma coisa disso mesmo é visível na entrevista.
A entrevista é transcrita do word-revolution.com (o português foi revisto em algumas partes pelo ClariNet)
El-Khabar: Começamos a nossa entrevista com aquilo que mais interessa à opinião pública