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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Abstenção e apelo ao voto. Marinho e Pinto.

Ex-abstencionista militante apela ao voto. Mai.2014
 

Há 3 anos, Abril de 2011, escrevi um artigo (aqui) insurgindo-me contra a campanha que o então Bastonário da Ordem dos Advogados fazia. Marinho e Pinto advogava (!) uma “greve ao voto”, incitava a abstenção massiva como punição da mediocridade dos políticos. Invocava Manuela Ferreira Leite, que havia sugerido a “suspensão da democracia por seis meses”.

Marinho e Pinto; um fanático da “revolução pela abstenção”.

Acabei o post dizendo: “Se Marinho e Pinto pedir aos portugueses, ajuda para a sua luta pela exclusividade no Parlamento dos deputados que são advogados, (que lá fazem leis para os clientes) terá decerto apoio, agora vir também com o discurso populista anti-partidos, é uma decepção. É verdade que Fernando Nobre já caiu desse cavalinho e que ele anda por aí, mas não é sela para si Dr. Marinho e Pinto”.

Enganei-me, Marinho e Pinto enganou-nos. Aí está, montado no ginete da política. Obviamente para fazer diferente, como afirmam todos os novatos que alçam a perna à montada de um qualquer papel político. Não critico, apenas faço o reparo óbvio de que começa a carreira de político contra o que afirmava antes, é afinal… um clássico.

Como nada me move contra o candidato, nem contra o partido MPT (ainda ontem dei os parabéns a um dos fundadores, que fez anos) espero que faça proveito do cargo, caso seja eleito.

A solução Marinho e Pinto pode ser a chave para muitos dos actuais abstencionistas – adiram ou formem partidos, candidatem-se. Façam política se acham que a fariam melhor que os políticos de hoje.

Eu voto e voto contra o governo. Seria uma vergonha que Passos Coelho/Paulo Portas e Cavaco Silva ganhassem hoje eleições em Portugal.

Só terão uma boa percentagem de votos se não votarem contra eles.

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terça-feira, 31 de maio de 2011

Prisão preventiva de menores e Marinho Pinto.

imagemoclarinetJustiçaMai2011


Faz falta, de vez em quando, alguém vir lembrar o estádio da nossa civilização, o irracional que habita cada um, e a facilidade com que se resvala para a era animalesca da nossa espécie.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, que dizem ter uma animosidade militante com a classe dos juízes e tem em minha opinião pouca habilidade com a política, tem qualidades raras nas nossas figuras públicas; é corajoso, faz declarações iluminadas pelo saber e é um indefectível defensor dos direitos humanos. É um adversário declarado do “justiceirismo”, seja dos poderosos, seja das massas ululantes sedentas de vingança. É simplesmente um homem justo que prima pela Justiça. Faz falta.

Vem a propósito do caso de violência adolescente que fomos obrigados a presenciar, e que hoje já constitui a maior dose de violência gratuita televisiva imposta aos telespectadores. Gratuita a das televisões que as miúdas pensam que tinham boas razões para a brutalidade. TV que não passe dezenas de vezes as imagens (atentatórias no youtube) nem é órgão de informação.

O caso em si não é o mais importante, e não faltam especialistas encartados a prenunciar-se, muitos deles não fazendo ideia do que é educar um adolescente na suburbanidade de Lisboa. Sempre houve violência juvenil, no meu tempo a pancadaria era igual, pelos mesmos motivos fúteis, embora sempre aparecesse alguém mais velho ou com mais “cabedal” para apartar (aqui notei essa perversidade), e no tempo do meu pai era pior, por causa dos namoricos jovens de aldeias vizinhas pegavam-se aos tiros e havia mortos. Sem TV, jornais ou sequer telefonia, vivia-se na paz salazarenta, não havia notícia nada acontecia, havia “segurança” como hoje dizem alguns saudosistas.

A sociedade dá sinais de regressão e Marinho Pinto fez bem em alertar para a desproporcionalidade das penas aplicadas aos jovens agressores. Não foi popular num país onde os pelourinhos ainda estão intactos e os castigos e a educação á pancada moldaram as personalidades de muitos. A criminalização de brigas de adolescentes pode parecer exemplar, como pode transformar em maiores delinquentes quem se quer punir. Cada pai que assista às imagens pedirá a justiça dos Céus e da Terra, quanto mais doses vir mais vingança pedirá. Os tribunais existem para que não se faça “justiça” pelas próprias mãos, os meios de comunicação são criminosos quando para deleite e lucro exploram uma situação de violência transformando-a em selvajaria e repulsa colectiva.

É passageiro, muita chama para pouco pavio. Como todos os casos mediáticos vão deixar traumas nas personagens e nos espectadores. Espera-se que a Justiça não vá pelos maus caminhos do “justiceirismo”, e que reconsidere pois a prisão é para gente perigosa, por mais que desagrade à satisfação doentia pela humilhação.
Não é promovendo a raiva que se pacifica.

Os jovens delinquentes precisam que se fale com eles. Não querem ouvir ninguém? Dêem-lhes uma pena que contrarie a sua vontade – obriguem-nos a ouvir.
Abram-lhes outras portas para além das portas das cadeias.

sábado, 16 de abril de 2011

Marinho e Pinto quer fazer de Fernando Nobre!?

Marinho e Pinto veio sugerir que se calhar era melhor não votar nas eleições. Calha que não é melhor para ninguém a não ser para quem ganha. Abster-se é votar no que vai à frente, é deixar que outros decidam por nós. Os deputados são eleitos independentemente do número de votos, muita gente vai sempre votar, e o SE; - se ninguém votasse, se eu mandasse, se todos fossem tão inteligentes que votassem como eu, e outros ses – são fantasias como o Sr. Bastonário sabe.
Explorar sentimentos de frustração não é próprio de quem tem tido, e bem, participação cívica exemplar, particularmente na denúncia dos atropelos e arbitrariedades da Justiça.