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domingo, 11 de novembro de 2012

Militares mostram cartão vermelho ao governo.

foto Manif. Militares 10 Novembro.Nov.2012

  Manifestação 10 de Novembro

Foi ao som de “Grândola Vila Morena”, com emoção, que a frente da manifestação da “família militar” entrou na Praça dos Restauradores. 

A marcha fez-se em silêncio, da Praça do Município (onde foi implantada a República) até à Praça dos Restauradores, que comemora a Restauração da Independência Nacional, em 1640. 

Tal foi lembrado por Paulo Amaral da Associação de Praças, que saudou os presidentes das associações sindicais da polícia (ASPP/PSP) da Investigação Criminal (ASFI/PJ) e profissionais da Guarda (APG/GNR) que acompanharam a manifestação. Leu e nomeou mensagens, entre elas de Vasco Lourenço.
 oclarinet Manif.Militares 10 Novembro.Nov.2012

Os presidentes das três associações, Luís Reis, Associação de Praças (AP); Pereira Carcel, Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e Lima Coelho, Associação Nacional de Sargentos (ANS) - na foto junto aos símbolos respectivos – discursaram. 

O coronel Manuel Pereira Carcel referiu-se aos cidadãos de Portugal como de “uma pátria ameaçada” cuja “independência e soberania está posta em causa”, declarou que “ninguém tem mandato para promover o desmantelamento das forças armadas”, e garantiu que as forças armadas “não serão um instrumento de repressão sobre quem juraram defender, o povo português”.

Luís Reis expressou a “indignação perante as medidas do Orçamento de Estado para 2013” afirmando ser “hora de dizer basta”. Deu também um recado ao ministro da Defesa, Aguiar Branco: “as ameaças veladas do Sr. Ministro, aos militares e às suas associações, não terão nenhum efeito”. Ainda sobre as polemicas declarações de Aguiar Branco (ver aqui) sobre a “vocação para servir nas Forças Armadas”, Luís Reis perguntou; “Sr. Ministro, o senhor tem a certeza de querer falar em vocação? É que se quer, provavelmente amanhã, Portugal e os portugueses não têm governo”.

Lima Coelho, que confessou terem-lhe vindo as lágrimas aos olhos quando entrou na praça ao som da “Grândola”, disse que “não é inevitável este malvado orçamento” pois é um projecto que “nós, cidadãos, temos a obrigatoriedade de alterar”. Referiu a Constituição a propósito dos direitos aí consagrados e as “10.000 crianças com fome”; “não admitimos a fome”, disse.

Cavaco Silva foi várias vezes referido pelos oradores (e apupado pelos manifestantes) para lhe lembrarem que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição. 

No final, foi aprovada por unanimidade dos milhares de militares presentes, uma resolução:

Considerando medidas na segurança interna no sentido de atribuírem aos militares um papel que vai além da sua missão, “tudo farão para impedir o uso dos militares em acções que visem reprimir a expressão do descontentamento dos portugueses”. Decidiram ainda “testemunhar com a sua presença” a votação final do Orçamento, dia 27 de Novembro. 

Nesse mesmo dia entregarão ofícios contra a aprovação do Orçamento de Estado (OE) ao Provedor de Justiça e ao Tribunal Constitucional seguindo-se uma vigília junto da presidência da República, apelando à não promulgação do OE e que Cavaco Silva peça a sua fiscalização preventiva.

 Os militares vão continuar na luta.

oclarinet.Manif.10 Novembro Militares.Nov.2012 
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Portugal vende armas à Guiné-Bissau.

... E depois envia forças militares para defender as vítimas da instabilidade.Jul.2012
A Guiné-Bissau é dos países mais instáveis de África, as suas forças armadas são a principal fonte da insegurança e da inconstância política. 

Entidades regionais e internacionais têm tentado promover o diálogo entre os líderes políticos e os militares. Da ONU à CPLP passando pela Comunidade Económica dos Estados do Oeste Africano e a União Europeia, têm-se esforçado para que seja implementada uma reforma no sector da defesa.

Segundo o jornal i, Portugal, que faz parte de algumas das organizações que procuram ajudar na pacificação da Guiné-Bissau, vendeu 684 mil euros de armas, desde 2009, à Guiné-Bissau, contrariando, (como denuncia a deputada do Parlamento Europeu, Ana Gomes) “as salvaguardas da posição comum assim como o trabalho da missão da EU para a reforma do sector de segurança na Guiné-Bissau, lançada em 2008 e que deixou o país em 2010”.

Temos assim, a costumeira hipocrisia dos países que se dizem fomentadores da paz a fornecer o equipamento para fazer as guerras. 

A proibição da venda de armas a “países em risco de tensão e conflitos”, habitualmente ladeada pelo recurso a intermediários, é no caso das exportações portuguesas de armamento, ignorada às claras; a Guiné-Bissau é o nosso sexto melhor cliente nos últimos meses, segundo dados do INE.

Depois enviamos navios e aviões de guerra para a costa de África a cada vez que surge um golpe ou um assassinato, porque, como dizia o ministro da defesa, “as forças armadas portuguesas estarão á altura do desafio se vier a ser necessário”.

Hipócritas!

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carta de oficiais das Forças Armadas põe em causa ministro.

Aguiar Branco em causa. Fev.2012


O ministro da Defesa, Pedro Aguiar Branco, considerou hoje que as associações das forças armadas “não representam a família militar”. Respondeu assim à carta aberta, tornada também hoje publica, da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA). Em vez de pôr água na fervura do descontentamento militar, Aguiar Branco decidiu-se pelo confronto verbal com as associações.

A carta aberta é ela própria “uma resposta a recentes declarações de Aguiar Branco sobre as Forças Armadas e que terão caído mal entre os militares”. As afirmações de Aguiar Branco, proferidas há uma semana, num debate onde estiveram presentes altas patentes militares, foram no sentido de que “ninguém é obrigado a ficar” nas Forças Armadas.

Acusando as associações de “na prática, fazerem política onde a política não tem lugar”, o ministro disse que “se não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar, fazer manifestações ou dar conferências de imprensa, precisam mudar de carreira”.

A AOFA pergunta se “denunciar perante a opinião pública as medidas lesivas e carregadas de falta de respeito pela dignidade de quem jurou e serve abnegadamente (sem se servir) a pátria, é fazer política?”

Ao contrário de Jorge Sampaio, Cavaco Silva tem-se recusado a receber as associações dos militares. Agora, o ministro Pedro Aguiar Branco resolveu desencadear uma guerra com elas; nem as recebe “ignorando o quadro legal vigente” como provoca o “descontentamento de muitos que se sentiram humilhados com as suas palavras”, como assinala a carta aberta.

Se aos militares não cabe fazer política partidária, e não fazem; aos políticos caberia fazer uma política qualquer, mas definitivamente políticos como Aguiar Branco não têm nenhuma capacidade para a tarefa.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Citações e confusões.

oclarinet.Dez 2011

De cada um, segundo as suas capacidades, a cada um, segundo as suas necessidades!

Quando escrevia o post anterior lembrei-me deste e coloquei uma chamada para o texto que fiz no Estrolabio – enganei-me, cada citação com seu citador. Fica aqui como post autónomo; é datado mas quando se trata do PSD as datas repetem-se (!?), tanto quanto os conceitos se confundem e nos baralham.

Lembro-me de um filme publicitário inglês em que um casal idoso, viajando no seu automóvel, ouve uma canção Punk (em alemão parece-me) e segue o ritmo da música alegremente, abanando o capacete e rindo cúmplices um para o outro; em rodapé passa a legenda, a letra é toda obscenidades. O slogan era qualquer coisa do género, “ não faça figuras tristes, matricule-se na escola de línguas XPTO”.

São muitos os exemplos de gafes monumentais do nosso mundo político quando fazem citações para armar em cultos, usando frases de notáveis, a maior parte das vezes fora do contexto, para evidenciar que leram um ou outro teórico, ou simplesmente repetindo expressões que andam por aí, e que nunca usariam se soubessem a sua origem.

Recentemente, Aguiar Branco discursando pelo PSD, resolveu transformar a sessão solene das comemorações do 36º aniversário do 25 de Abril, num cómico stand up, citando uma frase de Lenine que podia ter sido escrita por um carteiro dos CTT ou um dirigente de clube de futebol da segunda circular.

Passos Coelho já fala chinês. Democratizar a economia.

oclarinet. Chinesices.Dez 2011


O período natalício tem destas coisas, para dar atenção à família não se liga a televisão e perdem-se pérolas como a mensagem de Natal do primeiro-ministro.

Do que vem no Público percebe-se que Passos Coelho apenas quis reagir às críticas (mesmo dentro do PSD) de andar a matar qualquer esperança de futuro para os portugueses. Disseram-lhe que tinha de falar em confiança, ele deve ter dito “mas isso é canja!” e toca a debitar lugares comuns e frases feitas, entremeadas da palavra confiança repetida a despropósito.

Que o discurso resulte oco e expresse o contrário da prática do governo, não faz mal; no fundo até ajuda os papagaios do regime a reagir a futuras criticas. Há maior diferença entre os mais ricos e os mais pobres? Olhem que se há – dirão os papagaios – o governo está a contrariar a tendência, o Passos Coelho até falou (no Natal) em democratizar a economia!

Também se pode dar o caso de o primeiro-ministro não fazer ideia do que diz, coisa comum no PSD, a frase soa bem, e pimba, sai, fica. Já Aguiar Branco, o ministro da Defesa, muito antes de visitar as tropas que “defendem Portugal” no Afeganistão, dizia “de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um, segundo as suas necessidades”.

Sr. Passos Coelho, se quer que “as reformas nasçam de baixo para cima”; os portugueses têm de ter formas de organização para as implementarem, não será numa democracia representativa, cujo desgraçado píncaro o senhor ocupa, que isso se faz.

A organização económica do capitalismo é hierárquica e o poder político na sociedade capitalista reproduz essa relação de poder, não há democracia económica sem democratização do mercado, do trabalho, dos rendimentos.

Mas se o Sr. Passos Coelho quer que a economia seja definida de baixo para cima, “pelo povo, para o povo”, em vez de falar chinês, demita-se. Os cidadãos governando-se a eles próprios, tratarão de escolher os seus representantes para instâncias de planeamento económico e representação política, a partir da base até onde acharem necessário.

Ou será que não quis dizer nada disto? Dizem que as rabanadas ficam bem com um pouco de vinho branco. Pouco!

(Erro meu: A citação de Aguiar Branco está mal entregue como explico no post seguinte.)
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domingo, 14 de agosto de 2011

Exército - ilegalidades ou não nas contratações.

ExércitoAgo2011


O exército português contratou mil praças, quando estavam obrigados pelo orçamento de Estado aprovado para 2011 pelo PSD e pelo PS, a reduzir o contingente em 3.000 contratados. Igualmente conforme o memorando acordado com a troika está previsto diminuir os efectivos das forças armadas até 2014 em 10% (4.000 elementos).

Segundo o jornal “Diário de Notícias” a incorporação das mil praças foi feita sem o conhecimento do governo. Um porta-voz do exército diz que foi do conhecimento da tutela, e o ministro da Defesa Pedro Aguiar Branco, afirmou que não confirma nem desmente; o que traduzido para português corrente quer dizer que está conivente com a irregularidade.

O que diz a voz popular é que nas forças armadas portuguesas são mais os chefes que os índios, a incorporação de mais praças poderia equilibrar a relação entre as altas patentes, oficiais, e praças, mas a contenção nos gastos do Estado, impõe e estava definido pelo anterior ministro da Defesa, a redução obrigatória “até Setembro deste ano”.

Manda a transparência (que o governo Passos Coelho/Portas tanto apregoa) que os portugueses saibam se o actual governo revogou (em segredo) a medida do anterior, indo contra o Orçamento aprovado para este ano e contra o acordado com a troika, ou se o Exército não cumpriu as ordens recebidas do poder político – da trapalhada já ninguém se livra.

O que é inconcebível é esta situação de cada instituição fazer o que lhe apetece dos dinheiros públicos. O exemplo da Madeira está a fazer escola; é a GNR a usar as verbas devidas ao fisco e à Segurança Social para gastos correntes, agora isto.