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terça-feira, 25 de março de 2014

Portugueses na bancarrota.

Bom dia Portugal. Mar.2014

Vemos ouvimos e lemos, não podemos ignorar.

“A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor” dizia Luís Montenegro, líder do PSD.

Nota-se. 

"O país não é sustentável" diz-se nas jornadas parlamentares do PSD.

Anota-se!

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Morreu Chávez. Está viva a luta contra a pobreza.

Hugo Chávez Morreu. Mar.2013

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio escrevia em Janeiro sobre 

“A demonização de Chávez

Hugo Chávez é um demónio. Por quê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, mesmo vivendo num país detentor da riqueza natural mais importante do mundo, o petróleo.

Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que ele era. Chamavam-no a “Venezuela Saudita” por causa do petróleo. Havia 2 milhões de crianças que não podiam ir à escola porque não tinham documentos… Então, chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer: “As crianças devem ser aceitas nas escolas com ou sem documentos”.

Aí, caiu o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado malvadíssimo. Já que ele detém essa riqueza, e com a subida do preço do petróleo graças à guerra do Iraque, ele quer usá-la para a solidariedade. Quer ajudar os países sul-americanos, e especialmente Cuba.

Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos com a presença desses intrusos trabalhando nos bairros mais pobres. Na época que eu morava lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico.

Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chávez está na Terra só de visita, porque ele pertence ao inferno. Então, quando for ler uma notícia, você deve traduzir tudo.
O demonismo tem essa origem, para justificar a diabólica máquina da morte.”
Eduardo Galeano


Morreu Hugo Chávez mas está viva a luta contra a pobreza na América Latina. Um texto equilibrado no Público, de Ana Gomes Ferreira, refere a existência de mais de 30% de pobreza na Venezuela e muito se vai ouvir falar nestes dias da pobreza na Venezuela.

Faltou referir nesse artigo que na Venezuela a pobreza ultrapassava há dez anos os 60%. O governo de Hugo Chávez, reduziu num curto prazo, a pobreza para cerca de metade. Podem fazer todas as campanhas internacionais contra o chamado “socialismo do século XXI” de Chávez, mas o povo venezuelano não esquece as grandes alterações na educação, na saúde, na habitação, na sua dignidade como povo.

Os ataques à Venezuela e aos povos da América Latina vão continuar na imprensa e vão continuar os projectos conspirativos estrangeiros e das antigas oligarquias. A Venezuela por agora está bem entregue, e a maioria da América Latina também. Tivesse a Europa líderes semelhantes e não estaria a caminhar para o buraco.

Morreu Chávez, continua viva a sua luta pela dignidade e independência dos povos. Que na América Latina continuem a encontrar mais felicidade que pela mui civilizada e rica Europa, felicidade, é coisa que se vai perdendo.

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sábado, 2 de junho de 2012

Boaventura de Sousa Santos. Sexta carta às esquerdas.

oclarinet.blogspot.com - Esquerdas.

Sexta carta às esquerdas por Boaventura de Sousa Santos


Historicamente, as esquerdas dividiram-se sobre modelos de socialismo e as vias para os realizar. Não estando o socialismo, por agora, na agenda política, as esquerdas em várias regiões do mundo dividem-se sobre os modelos de capitalismo.

À primeira vista, esta divisão faz pouco sentido pois, por um lado, há neste momento um modelo global de capitalismo, de longe hegemónico, dominado pela lógica do capital financeiro, assente na busca do máximo lucro no mais curto espaço de tempo, quaisquer que sejam os custos sociais ou o grau de destruição da natureza. Por outro lado, a disputa por modelos de capitalismo deveria ser mais uma disputa entre as direitas do que entre as esquerdas.

De facto, assim não é. Apesar da sua globalidade, o modelo de capitalismo agora dominante assume características distintas em diferentes regiões do mundo, e as esquerdas têm interesse vital em discuti-las, não só porque estão em causa as condições de vida, aqui e agora, das classes populares que são suporte político das esquerdas, como também porque a luta por horizontes pós-capitalistas – de que algumas esquerdas ainda não desistiram, e bem – dependerá muito do capitalismo real de que se partir.

Curiosamente, ao contrário do que se passa em outras regiões do mundo, há um consenso perturbador ente as esquerdas europeias. As esquerdas europeias parecem estar de acordo em que o crescimento económico é o que as distingue das direitas, apostadas na consolidação orçamental e na austeridade. O crescimento significa emprego e este a melhoria das condições de vida da maioria.

Este consenso é perturbador porque não problematizar o crescimento implica a ideia de que qualquer crescimento é bom, inclusive aquele obtido à custa da exploração desenfreada dos recursos naturais, da destruição ambiental e dos modos de vida de populações inteiras do mundo, seja europeu ou extraeuropeu, precisamente o tipo de crescimento que divide, por exemplo, a esquerda latino-americana.

Ora, a ideia de que todo o crescimento é bom é suicida para as esquerdas. Por um lado, as direitas facilmente a aceitam (como já estão a aceitar, por estarem convencidas de que será o seu tipo de crescimento a prevalecer). Por outro lado, significa um retrocesso histórico grave em relação aos avanços das lutas ecológicas das últimas décadas. Ou seja, omite-se o facto hoje comprovado de que o modelo de crescimento dominante é insustentável.

Em pleno período preparatório da conferência da ONU Rio + 20, não se fala de sustentabilidade, não se questiona o conceito de economia verde, mesmo que, para além da cor das notas de dólar, seja difícil imaginar um capitalismo verde.

Este consenso entre as esquerdas europeias decorre do «pacto colonial» que sempre subscreveram, segundo o qual os avanços do capitalismo valem por si, mesmo que tenham sido (e continuem a ser) obtidos à custa da opressão de tipo colonial dos povos extraeuropeus. Nada de novo na frente ocidental enquanto for possível fazer o outsourcing da miséria humana e da destruição da natureza. Mesmo quando é cada vez mais visível que este outsourcing se complementa com o insourcing, isto é, com o empobrecimento e a miséria humana dos europeus.

É urgente que as esquerdas europeias ponham em causa o consenso do crescimento, o qual é falso e significa uma cumplicidade repugnante com uma injustiça histórica. É imperioso recomeçar a discutir a questão da sustentabilidade, pôr em causa o mito do crescimento infinito e a ideia da inesgotável disponibilidade da natureza, assumir que os crescentes custos socioambientais do capitalismo não são superáveis com imaginárias economias verdes, defender que a prosperidade e a felicidade da sociedade dependem menos do crescimento do que da justiça social e da racionalidade ambiental, ter a coragem de afirmar que a luta pela redução da pobreza é uma burla para disfarçar a luta que se não se quer travar contra a concentração da riqueza.


(Publicação autorizada pelo autor, outras “cartas” na tag Boaventura Sousa Santos)

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domingo, 7 de agosto de 2011

Medicamentos fora de prazo.

MedicinalDentrodoPrazoAgo2011As medidas do Programa de Emergência Nacional não surpreenderam, já se previam como resultado de um governo PSD/CDS com a ideologia de Paulo Portas e Passos Coelho. O sobressalto de comentadores e de alguns políticos é que são de pasmar, conheciam os programas e projectos assistencialistas desta direita.

O que está a mudar é a estrutura do Estado, substituída por privados subsidiados pelo governo, e pelas organizações da Igreja católica reforçadas financeiramente com mais dinheiro dos contribuintes. Não se trata de gerir melhor que a “máquina do Estado”, mas de demolir o Estado Social.

O chamado Sector Social, composto de IPSS, Misericórdias e instituições afins, já viviam sem controlo apropriado, são muitas as denúncias de irregularidades, de aldrabices e de roubos descarados dos seus responsáveis. Tem sido difícil levar esses dirigentes à justiça ou a demitir-se, é um meio protegido e fechado, também desculpado por parte das populações pelo “bem” que vêem fazer com a distribuição de migalhas. Dos lares a outras benfeitorias os abusos são conhecidos, mas a fiscalização ou a justiça é incapaz de os impedir.

Agora, para facilitar esses atropelos retira-se a fiscalização, deixa de haver dependência da Segurança Social, deixa de actuar a ASAE, e quer-se obrigar os beneficiários de subsídios a prestar trabalho gratuito (escravo).

O que o ministro da caridade anunciou é o reforço de verbas para instituições impossíveis de controlar. O problema não é a “sopa dos pobres” (expressão horrível do ponto de vista civilizacional) que a ajuda alimentar é necessária, é o estigma da pobreza, a humilhação dos necessitados, a esmola.

A ideia deixada pelo governo é que há homens mulheres e crianças que vão consumir restos, é muito grave na prescrição de medicamentos fora do prazo de segurança; aqui os pobres são tratados abaixo de cão, literalmente: se alguém quiser aviar uma receita do veterinário para o seu cachorro, na farmácia não encontra remédios fora de prazo; vão ser reservados para os portugueses de segunda – coisa que não contava ver depois do 25 de Abril.