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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Hoje. Cenas da Luta de Classes em Portugal.

Cenas da luta de classes. Jan.2014
 

Promovido pela “Associação Cultura no Muro”, é hoje exibido em Lisboa o documentário “Cenas da Luta de Classes em Portugal”.

Filme/documentário/ensaio, do cineasta nova-iorquino Robert Kramer, (1939-1999) sobre o período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril.

O documentário será apresentado por Miguel Cardina, da Universidade de Coimbra. Em seguida, participantes no documentário e activistas do período revolucionário pós-25 de Abril, conversarão com o público sobre esse momento da nossa história.


Na livraria Ler Devagar (Rua Rodrigues de Faria 103)
LX Factory em Alcântara, hoje 5ªfeira pelas 21.00H.

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domingo, 1 de dezembro de 2013

História. A clandestinidade das Brigadas Revolucionárias.

Outubro de 1975. Conferência de Imprensa da separação das BR do PRP. oclarinet Dez.2013

A historiadora Raquel Varela escreve no seu livro sobre a história do PCP, (de que li um fragmento na Net) o seguinte: (…) “O partido não iria apoiar uma guerra civil. Esse argumento, o de que o PCP teria evitado um “novo Chile” em Portugal, foi considerado à altura e mantido como argumento estrutural da posição do PCP a 25 de Novembro de 1975. Nesta política, da potencialidade do regresso a um regime ditatorial, o PCP era apoiado por vários sectores da extrema-esquerda – o PRP-BR, por exemplo, anuncia o regresso à clandestinidade em Novembro de 1975”.

Num outro livro, “Revolução ou Transição”, coordenado por Raquel Varela; na parte lavrada por Jorge Fontes diz-se: “Um capitão do COPCON desvia um milhar de G3 para o PRP-BR, que decide passar à ilegalidade de forma a preparar a «insurreição armada».”

Não foi assim. O PRP-BR não passou à “clandestinidade” ou à “ilegalidade” (!). Foram as Brigadas Revolucionárias. Houve uma separação das Brigadas, do PRP, em Outubro de 1975 (não em Novembro) anunciada em conferência de imprensa (foto em cima).

O desvio das G3 de Beirolas foi em Setembro (dia 10), a separação das BR estava decidida pela Comissão Central do PRP-BR desde Junho, por causa da lei do desarmamento e para “logo que houvesse necessidade disso” (Revolução Nº51, 30/10 anúncio da separação). O prazo da lei do desarmamento saiu em Outubro 75 e deu-se nessa data a separação. Só isso.

Já agora, e lembrando a onda de terrorismo impune da direita, na altura, o PRP-BR dizia em Outubro 75, ser curioso que a lei do desarmamento seja idêntica, e saia numa altura idêntica, à ocorrida no Chile dois meses antes do golpe de Setembro de 73. 

As preocupações com o caso chileno não podem ser baralhadas com qualquer apoio político do PRP-BR ao PCP, antes pelo contrário. Basta ver a quem se dirigia o discurso de Cunhal no Campo Pequeno, após o 25 de Novembro, e a prática seguinte do PCP sobre a esquerda revolucionária. Aliás, os comunicados de todas as organizações da esquerda após o 25 de Novembro são claros, os coincidentes com o PCP, (que são muitos) não são do PRP-BR.

PS. Coloco esta nota neste blogue, por estar cansado de ver na Internet alterações de factos, seja por esquecimento, desconhecimento ou outra razão; parecem menores mas contribuem pouco para a História. 

 Como habitual, no dia 1 de cada mês os 10 posts mais lidos no mês anterior:

27/11 – Alemanha baixa idade de reforma e aumenta salários.

02/11 – Carvalho da Silva. Precisam-se pessoas para a porrada.

22/11 – Cresce a resistência à violência pré-ditadura.

10/11 – Paul de Grauwe também se engana. Que Comissão Europeia.

25/11 – Eleições primárias abertas, Louçã e os outros.

20/11 – Função pública e aposentados roubados no subsídio.

17/11 – Livre. O partido lançado por Rui Tavares.

13/11 – Durão Barroso, o servente mole da Alemanha.

01/11 – Manifestação 1 de Novembro.

07/11 – O embuste da taxa de desemprego - há menos empregados.

(para ler os artigos clicar nos textos a cor)

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domingo, 24 de novembro de 2013

A esquerda e o populismo.

Indignação Protesto e Luta. Nov.2013

A primeira coisa que fiz hoje enquanto lia os jornais online, foi partilhar no Facebook o artigo de Jorge Almeida Fernandes (JAF), “A esquerda sem povo”. Continua por lá a ser partilhado o que significa que o “divórcio entre a esquerda e as classes populares” é assunto que interessa.

As crises do capitalismo colocaram sempre em crise as forças políticas do sistema, anti-sistema ou pela reforma do sistema. A capacidade do capitalismo se regenerar, aproveitando as contradições políticas das organizações partidárias e de classe, tem sido comprovada. O que agora parece relevante é a hegemonia política não ser fruto da supremacia de um grupo social. 

O exemplo de JAF no artigo do Público sobre os 40% de operários a votar na Frente Nacional, de Marine Le Pen, não é muito preocupante, já nos anos 60, segundo o sociólogo Michel Simon, 31% dos operários inscritos votavam na direita (43% à esquerda) e havia Partido Comunista. Operários e outros assalariados votam de maneira semelhante, em França.

O alarme do crescimento populista deve-se mais aos novos meios ao dispor do marketing político, à captura pelos populistas das bandeiras sociais descuradas pela esquerda, e à incapacidade das esquerdas falarem de forma que se entendam e com projecto opcional popular. É um problema da utilidade da acção política.

A incompetência das sociais-democracias, dos partidos da Internacional Socialista, em afirmarem um projecto alternativo à política anti-popular dominante na Europa, poderia levar à afirmação da esquerda anti-capitalista.

Acontece que à esquerda das sociais-democracias, na maioria dos casos, os valores históricos, económico-sociais e da natureza do poder político, são substituídos por objectivos fracturantes cuja importância não se renega, mas que não preenchem as necessidades prioritárias das “classes populares”. 

Em Portugal, acresce a canga do PREC, com as polémicas de quase 50 anos com o PCP e os múltiplos criadores do Partido Comunista “verdadeiramente revolucionário”, sem o qual (como se viu no 25 de Novembro de 1975) nada pode ser feito para alterar a essência do poder, ou sequer para fazer frente a um golpe de Estado. 

 Por golpes de Estado; falo do de 1975 e falo do que agora está em curso.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Já não há paciência para o FMI, nem para a esquerda.

O FMI tem de deixar de mandar aqui.Nov.2013

Numa altura em que alguma “actividade” da esquerda é andar pelas redes sociais a discutir a discussão, a comparar umbigos e a perfeição das suas capelinhas, o FMI vem lembrar que a hora é de fazer contas e não de preleccionar sobre a melhor forma de aprender a tabuada.

O inimigo tem destas coisas, existe e gosta de aparecer, mesmo nas alturas em que pelejam vaidades disfarçadas de debates marxistas, com partidões e partidinhos, ultraminoritários e sócios moços do Benfica - herdeiros dos golos do Eusébio.

Já não há pachorra para ver o estudantariado e a doutorança a relatar desafios a que nunca assistiram, ou, o que é costumeiro, de ver gente jovem formada em história a não acertar nem com a formação de uma equipa que jogou uns anos antes de terem nascido. Acontece sobre o PREC, os SUV, a FUR, o PCP, o PRP, a piada da Guerra Civil; uma época que alguém resolveu embutir no panorama actual, dividindo a resistência de hoje ao novo-fascismo em desenvolvimento.

Como a maioria dos protagonistas do período revolucionário pós 25 de Abril estão vivos, devia haver uma certa contenção, em contar histórias da carochinha. Não há. Já o professor Hermano Saraiva dizia, que estava farto de ver em livros de história, coisas a que ele assistiu contadas de forma absolutamente falsa. Também eu, professor, também eu.

Bom. O tema era o FMI, mas não tenho vagar para recapitulações. Também, quem ainda não percebeu o papel do relatório encomendado ao FMI, não vai lá com mais uma explicação.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

11 De Setembro. Lembrando.

oclarinet.blogspot.com- Chile 40 anos. Set.2013

Certas lembranças materiais não perduram em minha casa, não guardo, ou vão emprestadas e não voltam, desaparecem; nem tenho cartazes e autocolantes políticos, da minha autoria, usados no PREC. Este cartaz, de 1973, tem-se aguentado e fiz a partir dele um post há 2 anos. Sobre o Chile.

Até ao ataque da Al-Qaeda às “Torres Gémeas”, a data 11 de Setembro estava associada ao golpe de estado de Pinochet, em 1973, contra o governo legítimo do Chile, de Salvador Allende. 
 
O golpe militar fascista no Chile, foi sentido em todo o mundo e particularmente em Portugal, pela minha geração, que na época e aproveitando a “abertura marcelista” lutava aqui pela democracia.
 
Estávamos em 1973, passagem do ano para 1974; eu era desenhador de máquinas numa metalurgia e estudava à noite. Foi ano de campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizaram em Outubro. O Movimento Democrático de oposição ao regime de Marcelo Caetano participou na campanha, tendo desistido de ir a votos por considerar não existirem condições para eleições livres.
 
No Natal de 1973, José Afonso tinha lançado o álbum “Venham Mais Cinco” (é verdade, já tem uns anitos). O Zeca esteve detido em Caxias de Abril desse ano até finais de Maio, mas tinha uma grande actividade apesar de alguns dos seus concertos terem sido proibidos pela PIDE. Os militantes da oposição aproveitavam todas as ocasiões para juntar os democratas “aparecidos” na campanha eleitoral. Uma festa de passagem de ano vinha a propósito.
 
Cheguei mais cedo a Sintra, à “casa do Sr. Embaixador”, para com o António “Fogueteiro” preparar os “comes”, que os “bebes” era tinto de Cheleiros que ele tinha trazido. O António teria a idade que eu tenho hoje, rijo e poeta popular, dirigente do Sindicato dos Mármores e Cantarias (Pero Pinheiro), encontrava-o por vezes na cooperativa livreira Esteiros. 
 
Os convivas eram sobretudo jovens, alguns quadros políticos e oradores, lembro-me de Urbano T. Rodrigues ter dissertado sobre a condição da mulher.
 
Após várias intervenções sobre a situação política nacional e internacional, onde se abordou a situação chilena cujo golpe tinha três meses, alguém apareceu com o cartaz do Chile (edição World Peace Council), uma raridade.
 
Foi leiloado e o dinheiro foi para a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Eu não tinha muito dinheiro, não sei como fiquei com ele, devo-o ter comprado a meias com os efeitos do tinto de Cheleiros.

Já não bebo, já não se fazem leilões para estas causas, nem festas por estas razões. É pena, pois os tempos aconselham a juntar vontades e militâncias.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Aniversário do nascimento de José Afonso - 84 anos.

O sempre assumido PREC.

O ano passado lembrou-se aqui uma canção do PREC, nesta apresentação é o próprio Zeca que refere o Período Revolucionário e os companheiros da canção popular e de intervenção.

Mais Zeca Afonso n´oclarinet; Clicar etiqueta Zeca Afonso no fim deste post.

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