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sábado, 2 de março de 2013

Saúde de Chávez. A baixa política internacional.

Nicolás Maduro vice-presidente da Venezuela.Mar.2013

O estado de saúde de Hugo Chávez tem sido alvo de rumores pelos seus inimigos políticos internos e externos. As campanhas internacionais de desestabilização da Venezuela fazem-se sem qualquer decoro pela doença de uma pessoa, a tal ponto que o vice-presidente Nicolas Maduro qualificou o presidente eleito como “o paciente mais acossado da história”.

No jornal Público de hoje diz-se que “As especulações sobre o estado de saúde cresceram, em parte devido a uma declaração de um antigo embaixador do Panamá na Organização de Estados Americanos, Guilhermo Cochez, de que teria morrido.” (sublinhado meu).

Sendo verdade, é conveniente acrescentar que há uma razão recente para que Guilhermo Cochez seja um antigo embaixador. Cochez foi despedido pelo governo do Panamá, de embaixador na OEA, precisamente por causa das suas declarações contra a Venezuela. 


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domingo, 6 de janeiro de 2013

Chávez; chavismo, sucessores e facções.

Maduro e Cabello - Correo del Orinoco.Jan. 2013

As facções no partido de Chávez e a luta secreta pelo poder é a nova criação da guerra de 4ª geração contra o regime venezuelano. Com origem na imprensa espanhola e dos Estados Unidos está a ser replicada, como habitualmente, a nível internacional.

Chávez continuará a ser o Presidente da Venezuela, diz Maduro (Público) e diz também Diosdado Cabello, reeleito presidente da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela.

A constituição apenas prevê a “falta absoluta” do presidente para não ser assim, e ele não falta; segundo constitucionalistas venezuelanos está ausente autorizado pela AN (maioria e oposição) que de facto aprovou por unanimidade a sua saída para tratamento. Mas para interpretar Constituições, temos a nossa discórdia interna, e basta.

Mais relevante é na notícia do Público, assinada por Ana Gomes Ferreira, dizer-se que Maduro e Cabello “pertencem a alas diferentes do Partido Socialista Unificado da Venezuela, no poder”, comprando do “EL País” uma fracção “desenvolvimentista e tecnocrata” para Diosdado Cabello. 

O conhecimento do trajecto político de ambos e ambos com Chávez contradiz esta fantasia. Maduro conhece Chaves em 1992, quando sua mulher Cília Flores, actual Procuradora-Geral da República, defendia o então tenente-coronel Hugo Chávez, preso após falhar um golpe de Estado. O então tenente Diosdado Cabello participou com Chávez nesse golpe de 4 de Fevereiro de 1992 contra Carlos Andrés Pérez. 

Daí para cá estiveram sempre juntos, na fundação do Movimento Quinta República (MVR) que levou Chávez ao poder, na sua dissolução para criar o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) e aceitando todos os cargos políticos por eleição ou nomeação presidencial.

No golpe de estado de 11 de Abril de 2002, que derrubou Chávez por dois dias, após o restabelecimento legal é Cabello que assume provisoriamente a presidência, tomando como primeira medida enviar uma força da armada para resgatar Chávez da ilha La Orchila, pôr-se em causa, hoje, a sua lealdade a Chávez, é um disparate. 

Igual disparate é espalhar, para dividir, que Nicolás Maduro é próximo dos cubanos, como Chávez, e Cabello não. Um empresário amigo a viver há muito na Venezuela dizia-me o ano passado que o 2º homem politicamente mais necessário ao regime era o presidente da AN. 

O PSUV, partido maioritário, não é um partido de quadros, a defesa do chavismo assenta nos “círculos bolivarianos”, organizações de base com algumas semelhanças aos CDRs da Revolução Cubana. Criados após a vitória de Chávez de 1998, com recursos do Estado, terão entre 2 a 2,5 milhões de membros, Cabello foi o responsável pela sua dinamização, sendo assim, mais o homem com ligações fortes ao aparelho do regime (ultrapassa o aparelho do partido) que a invencionice do “tecnocrata desenvolvimentista”.

O Chavismo não é fácil de entender à luz de leituras históricas viciadas, do partido único para impor o socialismo, da ditadura militar ou estatal para impor uma sociedade alternativa. Coexistem com a democracia parlamentar projectos diferenciados de investimento público; dirão que é pouco democrático Chávez dispor dos fundos do petróleo, que usa para suprir as necessidades básicas da população – perguntem aos timorenses se não preferiam isso à miséria.

Os interesses portugueses na Venezuela e em toda a América Latina não são os mesmos que os de Espanha ou dos Estados Unidos, espera-se que a imprensa portuguesa perceba isso.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Paulo Portas Na Venezuela - a fazer de Sócrates.

Paulo Portas e Nicolás Maduro Nov2011                                Foto: AVN/TeleSUR


Paulo Portas – quem o ouviu e quem o vê!? Pois é, ouvir o que os direitinhas nacionais disseram dos negócios de Sócrates com a Venezuela de Hugo Chávez, e agora ver o deleitado Portas a desfazer-se em sorrisos perante Nicolás Maduro, o “perigoso revolucionário” seu homólogo, tem algo de burlesco.

Chávez abre os sorrisos desta espécie de Portas, o dinheirinho é a chave-mestra. Perante as dificuldades até Paulo Portas não se importa de fazer de Sócrates.

Paulo Portas é um bluff como “vendedor diplomático”, não tem carteira de clientes. Anda no fundo a bater às portas que outros abriram. Foi à Líbia para ver se não fugiam os acordos anteriormente firmados com Kadhafi e agora está a fazer o mesmo na Venezuela, usufruindo do trabalho feito pelo governo de José Sócrates.

Trabalho esse ridicularizado e até considerado de lesa democracia não só por políticos (de várias áreas), como também por jornaleiros e blogueiros, que estão com dificuldades em engolir a afronta agora feita pela sua gente. Leia-se aqui as “fortes preocupações” com que a embaixada norte-americana via as relações do nosso anterior governo com a Venezuela, segundo um documento divulgado pela WikiLeaks. Estavam preocupados pela imagem cordial dos encontros e pelo “crescente reforço militar” da Venezuela.

Podemos informar a embaixada dos EUA, e “Companhia”, sem passarmos por delatores, que isto de negócios de equipamento militar tem sido mais profissão de Paulo Portas do que de José Sócrates. Já agora, se Paulo Portas vendesse os “seus” submarinos a Chávez, (que precisa mais deles que nós) fazia um grande favor aos portugueses – era menos tralha para nós pagarmos.

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