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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Boa. Multar consumidores por não pedir factura.

Novos descobrimentos portugueses.Fev.2013

“Ditosa pátria que tais filhos tens”. Não advém das brumas da memória, nasceu na mioleira dos novíssimos descobridores portugueses. O Fisco espalhou a notícia de que os “consumidores estão obrigados a garantir que lhes seja passada factura no acto da compra” e informou já ter instalado processos pelo “incumprimento da obrigação da exigência de factura”.

Acabam de desresponsabilizar, à luz do entendimento popular, os fornecedores e comerciantes da obrigação de passar factura. Muitos já se faziam esquecidos, ou surdos (como escrevi aqui), agora tiraram-lhes o peso de cima.

Com o barulho dos secadores (ou das luzes), com o tilintar dos talheres e o berreiro dos pedidos, não vai ser fácil encontrar algum comerciante - que não queira - a ouvir pedir factura. Então nos postos de combustível (comigo já são dois que passam papelinhos em vez de factura) vai ser uma surdez profunda. 

A DECO diz que “é uma exigência que não faz sentido e dificilmente será implementada” e lembra que “é o prestador de serviços que recebe o nosso dinheiro e que com ele paga os seus impostos”. Pelos trabalhadores dos impostos, o sindicalista Paulo Ralha disse à Lusa; “não temos meios, mas mesmo que os tivéssemos, não temos estatuto legal que nos permita actuar imediatamente”, na prática, disse, “não temos nem competências, nem autoridade para efectuar esses autos”.

Depois temos a situação de quererem fazer de cada cidadão, fiscal das Finanças – e à força. Não é assim que têm a participação das pessoas para combaterem a economia paralela e a evasão fiscal, não é com brutalidade e ameaças. 

Vão descobrir que não é metendo tanta água que chegam a navegadores.

PS. Porque é que nos postos de combustível, e só aí me acontece, depois de passarem um papel sem valor, já não podem fazer a factura?

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um bom discurso de Passos Coelho – e da oposição.

oclarinet.blogspot.com Dez.2012

Estive fora uma semana, constato que o momento político continua invariável. A agência de comunicação do governo ditou dois discursos a Passos Coelho, o “estamos safos” e o “estamos lixados”; o interruptor é acionado para cima ou para baixo, ligando um ou outro, consoante a percepção das inteligências do marketing político. Imaginam eles que desta forma alteram a noção da realidade que cada português tem.

A comunicação de Natal do primeiro-ministro, será um Pontal adaptado de optimismo, ficcionado para levantar a moral dos descrentes. 

“Não cola com a realidade”, diz o PS, que acha que não vamos no “bom caminho”. Uma crítica muito repetida de António José Seguro que também “não cola com a realidade”. Até que parte do mau caminho continuará o PS? O papel do maior partido da oposição é trilhar o carreiro do desastre, avisando da fatalidade, ou fazer por impedir a desgraça?

Os discursos são todos bons, os optimistas convocam críticas pessimistas e vice-versa; governo e oposição têm trabalho bem remunerado por muito e bom tempo, enquanto em outros sectores falta o que fazer. Saberá toda esta gente o que é a realidade nas empresas e logo no emprego?

A minha época natalícia ficou marcada por um telefonema (nem estava no país), para me avisarem de um cliente (grande empresa a quem o Estado deve milhões), que “o Director Financeiro mandou dizer que não há pagamentos este ano”. Está lá muito dinheiro, tramaram-me.

Um trabalho tem mais de nove meses e outro produzi-o na condição de mo pagarem antes do próximo dia 28. Estava combinado, eles falham e o Fisco não vai receber um euro do que lhes devo por causa destes atrasos, (receberam o IVA destas facturas que já paguei há meses). Em Janeiro vou fazer contas para ver se encerro a actividade ou não. Receitas para 2013 vão ver…

Curiosamente, os trabalhos que me devem há muitos meses, foram para a promoção das exportações e investimento em Angola, um deles levei-o num domingo ao Porto para ir por barco no dia seguinte, a expensas minhas. 

No fundo, financiei material promocional deste país, dei crédito que não queria nem podia dar, e ainda vou pagar juros de mora e coimas quando pagar as dívidas ao fisco que tudo isto provocou.

Estamos no mau caminho! Não vou apenas criticar como faz a cobardia do PS – não comem mais ovos que eu ponha! É a minha certeza para 2013.

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sábado, 24 de novembro de 2012

Portugal afunda-se e governo português mantém-se.

Portugal afunda-se.Nov.2012

Percebe-se que o PSD tenha desejado governar com a troika, em condições normais um executivo que tivesse falhado tão rotundamente já não governava.

Não tenho actualizado este blogue, como habitualmente, porque tenho trabalhos em curso que me poderão ajudar a não entrar em bancarrota. Já o governo de Passos Coelho tem o ano perdido, levando com a sua miserável incapacidade de governar muitos portugueses à miséria.
 
Os dados da execução orçamental de 2012 (Outubro), agora conhecidos, dizem que Vítor Gaspar, Passos e Portas, falharam em toda a linha.

Contas descontroladas.Nov.2012

Em Abril, (aqui) do governo diziam que estava tudo no bom caminho, já com as receitas fiscais em queda (-5,8%). Em Agosto, na quinta (auto)avaliação da troika (aqui) assumiam quebra das receitas de cerca de três mil milhões de euros. Vítor Gaspar deixou de dizer o mesmo de todos os meses, que os números da “execução” conhecidos “não afectam as previsões do governo para a totalidade do ano”.

Recorde-se que o Orçamento para 2012 previa aumento da receita fiscal para este ano de 3,8%, revisto no “rectificativo” para 2,8%. Está negativo (-4,2%) ao fim de dez meses do ano. 

Enganaram-se nas receitas de impostos em todas as parcelas, apenas receberam mais IRS à custa da redução dos reembolsos, mas mesmo o IRS ainda tem de contar com uma queda, imposta pelo não pagamento do subsídio de natal aos funcionários públicos.

Na despesa, não desce, e o dinheiro roubado aos funcionários públicos corresponde aos aumentos com juros da dívida. A Segurança Social levou um rombo de 800 milhões de euros, e o valor do défice aligeirado pela troika, se for atingido, é com a marosca da receita extraordinária da ANA.

O orçamento para 2013 é impossível, como todos sabem. 

Porque é que este governo continua a governar? Tem de se perguntar ao cómico…sim esse, o palhaço sem graça.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Redução de escalões do IRS é aumento de impostos.

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“Alguém acredita que com a situação financeira do país, com a situação das contas públicas, com a troika a dizer que é necessário mais esforço financeiro, que vai haver um reajustamento dos escalões de IRS no sentido de haver pagamentos de menos impostos? Ninguém acredita nisso”. Disse o fiscalista, (bastonário da OTOC) Domingos Azevedo, no programa de Gomes Ferreira na “SIC Notícias”.

A “simplificação” ou “redução significativa de escalões” do IRS, anunciada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, vai levar à subida de escalão de milhões (dois, três milhões) de contribuintes.

Os escalões são um sistema de progressividade que fazem sentido num país com grandes diferenças salariais e vencimentos médios baixos, como Portugal; comparar com o que é adoptado em outros países europeus, é não perceber a especificidade dos rendimentos nacionais. E é não perceber os efeitos que tal medida vai fazer ao estado de debilidade da nossa economia.

Soube-se hoje (Eurostat) que Portugal lidera (nos tombos) os 27 Estados – membros da Zona Euro, com a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) menos 1,2%.

A mudança de escalão do IRS para a classe média/ média baixa, que vai ser a atingida pelo imposto mal encapotado, vai traduzir-se em menos consumo interno e maiores dificuldades das famílias. É mais austeridade em cima da austeridade.

A medida foi elaborada e apresentada na Comissão do Orçamento por Paulo Núncio, militante do CDS. Que o CDS ande por aí a dizer que é contra a subida de impostos - é um pormenor.

Afinal, como disse Passos Coelho “ninguém dentro do governo pode dizer que os impostos não vão aumentar”. Só se pode dizer em campanha eleitoral, e aí, Passos Coelho e Paulo Portas fartaram-se de o pregar.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Buraco de três mil milhões na receita fiscal.


A dor de cabeca de Vitor Gaspar vai passar para os contribuintes portugueses. Ago.2012
Segundo o Diário Económico, o governo vai assumir uma quebra na receita fiscal de “menos 8,5%” na apresentação (próxima semana) da quinta revisão do programa da troika. São “cerca de três mil milhões de euros – um pouco mais de 1,8% do PIB”.

A Direcção Geral do Orçamento publica hoje os dados, mas já se sabe que o governo está a falhar na execução orçamental. De que estavam à espera? Aumentar a carga fiscal, directa e indirecta, não significa arrecadar mais dinheiro, leva à redução do consumo e da produção, logo a menos embolso do IVA, a parte do leão das receitas.

Mesmo o aumento da receita do IRS, porque feito à custa da redução dos reembolsos, tem o efeito perverso de retirar dinheiro da economia real, de resto como toda a austeridade abusiva, de que é feita a política económica da troika e deste governo - “para além da troika”.

Em Julho, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), dizia que os objectivos da receita fiscal estavam seriamente comprometidos devido ao comportamento desfavorável dos impostos indirectos, e afirmava ser “necessário que a receita fiscal cresça a um ritmo de 6,9% de Junho a Dezembro de 2012, para recuperar dos maus resultados dos primeiros cinco meses”.

Ora não há milagres, só tem havido agravamento da actividade económica e até os cortes de subsídios de férias e Natal, (aos funcionários públicos e pensionistas) se têm efeito do lado da despesa (vamos ver como está) tem efeito do lado do consumo e na arrecadação de IVA.

Tudo é perverso no ciclo vicioso em que está viciada a troika e o governo, a recessão provoca a derrapagem do défice e só temos de esperar por mais medidas de austeridade, é o que a comunicação social controlada pelo governo está a promover.

A dor de cabeça de Vítor Gaspar vai passar para os contribuintes – até quando?

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Frasquilho diz que troika devia dar mais dois anos.

Miguel Frasquilho quer mais dois anos. Jul.2012
É truque. Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD já veio dizer que Miguel Frasquilho foi mal interpretado. O PSD no seu melhor.

Como toda a gente viu, ouviu, ou leu, Miguel Frasquilho, vice-presidente do PSD, maior partido de suporte do governo, defendeu que a troika devia flexibilizar os prazos do ajustamento financeiro do nosso país. Primeiro na TVI24, depois em declarações à Lusa.

Vindo de onde vem, do economista que esteve até agora na primeira linha da defesa do governo, nos prazos impostos pela troika que muita gente sempre disse serem irrealistas, trás água-no-bico. Mas tem de ser considerado normal, dentro da anormalidade da comunicação governamental. O PSD tem sempre alguém a dizer uma coisa e o seu contrário, ser inclusivamente a mesma pessoa nem é relevante. É um truque, é o truque.

Para o que já vai faltando a paciência, é para ouvir logo a seguir um outro dirigente do PSD dizer que não percebemos o que ouvimos. Chicos espertos a tomarem os outros por parvos.

As declarações (sic) de Luís Montenegro às televisões: “Sempre dissemos que ao governo compete cumprir as suas obrigações, que decorrem da assinatura do memorando de entendimento com a troika. Faríamos esse esforço sempre sintonizados com essa necessidade, e se eventualmente POR RAZÕES EXTERNAS (sublinhado meu) a esse esforço que compete ao governo fazer… algum dia se colocasse uma questão, ela teria de ser vista pelos nossos parceiros atendendo ao comportamento que tínhamos tipo”. Fim de citação.

Quais razões externas, maçónica criatura, o que Frasquilho disse é que “do lado da receita há um desvio orçamental considerável, pelo que dificilmente se conseguirá cumprir o défice de 4,5%”. As asneiras governativas que impedem a execução orçamental prevista são externas?

A flexibilização das metas; a necessidade de prolongamento dos prazos e mais dinheiro é algo que muitos referem há muito, licenciados e tipos que não tiveram seis meses para se licenciar, da esquerda e da direita, só o governo não quis (não quer) ver as consequências das suas políticas.

Frasquilho pede dois anos porque o PS pediu um, se amanhã alguém pedir três haverá um frascário do PSD que pedirá quatro. Se a troika não quiser dar nada, está justificada mais austeridade - é o truque.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Receitas fiscais em queda, menos 5,8% em Março.

Menos receitas fiscais. Abr.2012

Mais carga fiscal e menos receita, é o resultado da política do governo.

O Estado arrecadou menos 5,8% de impostos em Março, que em igual mês de 2011. Já em Fevereiro, a receita de impostos tinha caído 5,3% e, em Janeiro 2,3%.

Recorde-se que o Orçamento para 2012 previa um aumento da receita este ano de 3,8%. Depois, no Orçamento Rectificativo, foi revisto para um crescimento de 2,8%. Crescimento, crescimento!

A execução orçamental vai no “bom caminho”? Uma coisa são os discursos (a campanha) outra os números.

Como vão tirar mais ovos matando as galinhas ninguém sabe, mas não será de espantar que o ministro Vítor Gaspar venha dizer que estes números “não afectam as previsões do governo para a totalidade do ano”, foi assim em relação a Janeiro e depois com a queda de Fevereiro.

Dar ouvidos a quem afirmava que o aumento da carga fiscal ia diminuir a receita prevejo eu que não esteja nas previsões do governo Vítor Gaspar/Passos Coelho/Paulo Portas.

É o que dá termos umas sumidades em finanças públicas, no governo e na presidência.


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