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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Eleitores europeus interessados nas sondagens.

Sondagens europeias - da treta.Mai.2014

Há sondagens e sondagens, aquela referida hoje no jornal Público, retira conclusões do estilo “seis em cada dez europeus” (!), tendo entrevistado “eleitores” de apenas 12 dos 28 países da União Europeia. Numas europeias, com as mudanças políticas que tem havido, não há países tipo.

Os inquiridos são menos de 9 mil pessoas - façam as contas pela soma dos eleitores europeus existentes, e verificarão a representatividade da sondagem.

Em Portugal ninguém foi sondado, nem interessa quem foi sondado em tal sondagem.

Se me perguntassem se estou interessado nas eleições europeias diria que estou pouco interessado e diria também que vou votar. Só baralhava a sondagem.

Está explicado porque Portugal não participou nas sondagens, tiveram receio de me apanhar do outro lado da linha telefónica.

Agora a sério…levem estas coisas a brincar. Pela nossa saúde.

Post Scriptum 1. Afazeres profissionais impediram-me de seguir os telejornais e as reportagens televisivas da chegada dos ministros (disseram-me que em directo e um-a-um) a uma reunião qualquer. Espero que repitam tantas vezes como os golos do Benfica, pois quero confirmar se meteu motas com câmaras móveis.

Post Scriptum 2. Isto vai uma azáfama na edição da comunicação social; Fátima, Bola e Promoção do Governo – Bola, Promoção do Governo, Fátima - Promoção do Governo, Fátima, Bola – Bolas! Não está nada fácil fazer o alinhamento…Né?

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domingo, 22 de dezembro de 2013

Ofensiva contra a lei do aborto – em Portugal.

Contra a lei do aborto, com profissionalismo. Dez.2013

Aproveitando a reforma da lei do aborto em Espanha, já se movimentam com mais afinco os grupos contra a lei vigente da interrupção voluntária da gravidez em Portugal.

Como referi no post de ontem; em Espanha o aborto volta a ser delito caso o ante-projecto do governo Rajoy, saído do conselho de ministros de sexta-feira passada, seja aprovado no Congresso de Deputados.

No nosso país, principalmente os movimentos eclesiásticos, nunca deixaram de contrariar a lei actual.

Em Outubro passado, com o patrocínio do Santuário de Fátima, foi lançada uma recolha de assinaturas em todos os países da União Europeia, “solicitando a protecção da vida humana desde o primeiro momento da sua existência”. As paróquias, sacerdotes, religiosos e leigos, foram chamados a colaborar.

No mês seguinte a Conferência Episcopal Portuguesa recordou que “as alterações legislativas introduzidas no nosso sistema jurídico, reflexo da ideologia de género, não são irreversíveis”. 

Vão querer beneficiar do governo conservador português e da onda espanhola. 

Já hoje vimos, pela manhã, a TVI convidar Ana Cid Poiares Maduro Gonçalves, presidente de uma organização de famílias com muitos filhos e muitas filhas, para comentar os jornais do dia. Começou pelo Correio da Manhã (pág.17) para tecer observações sobre a “lei muito permissiva” que o governo espanhol quer revogar. Daí passou à situação portuguesa e aos “gastos de 45 milhões de euros com os abortos”, a “defesa do direito à vida”, etc e tal.

Pela calada das paróquias e pela exuberância das televisões, a reacção à lei portuguesa da interrupção da gravidez está montada. Dá para ver que está a ser feita com profissionalismo e muitos meios.

A lei não é irreversível, poucas coisas são. Os retrocessos civilizacionais também não são impossíveis, mas os direitos das mulheres, uma vez conquistados, têm de ser defendidos.

O direito de decidirem sobre a interrupção da sua gravidez, conforme a lei em vigor, é um direito inalienável. Urge ficar atento.

Post Scriptum - A evolução da coisa (Jan. 2014):
Governo espanhol defende que restringir o aborto é bom para a economia. (?!)

(O post de ontem, clicar em “O aborto e os meus ovários”.)


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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

D.José Policarpo. A rua não resolve nada.

Patriarca contra manifestacoes.Out 2012

O Patriarca da Igreja católica, Sr. José Policarpo, tem Dom. O Dom de dizer que a sua igreja não deve intervir na política e ele não fazer outra coisa cada vez que lhe apontam um microfone.

Reaccionário como é, e nada criativo como é apanágio da função, repete repetidamente a ladainha. Desta vez deu-lhe para interpretar a Constituição, decerto lida na versão da Casa da Moeda, o que é um problema. Se fosse uma Constituição mais católica teria o articulado em salmos e não saltaria nenhum antes de o decorar.

O que é que foi que ele disse? Que “não se resolve nada contestando, vindo para grandes manifestações”.

“Sejamos objectivos e tenhamos esperança” disse, (o objectivo subjectivo da esperança, se ainda fosse - tenhamos objectivos e tenhamos esperança) “que há sinais positivos” (deve ser o Orçamento de Estado) “este sacrifício levará a resultados positivos não apenas para nós mas para a Europa” (deve ser aquela parte da Europa que tem guardas suíços à porta).

Depois pronunciou a «única coisa» que preocupa a Igreja (dele), disse: “A única coisa que neste momento é preocupante é uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as soluções alternativas têm lugar próprio para serem apresentadas, e neste momento está na rua”.

Continuou; “ … e portanto, até que ponto é que nós construímos uma saúde democrática com a rua a dizer como é que se deve governar”.

Veio o general Eanes apelar à intervenção da “voz credível” da Igreja, vieram os bispos defender-se; garantindo que têm alertado “para que as medidas de austeridade poupem aqueles que já vivem em profunda austeridade”; depois vem sua eminência estragar a cena composta a preceito.

Tudo isto porque a composição da Constituição não está em salmos, e saltou ao Dom o articulado sobre liberdade de manifestação (nem lhe falem no direito à rebelião). 

Outra razão pode ser o receio da concorrência, já há marchas do norte e do sul que não vão para Fátima mas para a Praça da Figueira. Talvez seja preciso uma entidade reguladora das marchas, das que procuram milagres e das que lutam pelos seus direitos.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

A culpa de Sócrates.

José Sócrates. Abri 2012 

Fátima, futebol e Sócrates, é a trindade do momento que, como a outra que durou 48 anos, cumpre a missão de desviar o olhar da realidade e dos problemas.

Fátima tem ministério da caridade, protecção e promoção do assistencialismo militante nas suas IPSS e fundos da educação deitados para a doutrina católica; a Igreja é um pilar do regime, como nos (seus) melhores tempos do salazarismo.

Futebol há todos os dias, para prazer dos adeptos (como eu) mas cujo papel de enterteiner político não passa despercebido nem ao Dr. Marcelo. Se o fisco quisesse, este futebol profissional acabava de um dia para o outro, mas perdoa-se o que devem em função do bem que fazem. É um investimento caro mas com retorno garantido e nem parece propaganda.

Se a religião e o futebol continuam a cumprir o seu papel histórico; são aliás um direito adquirido – o direito à alienação – que devia constar na Constituição, já o Fado, subtraído às tabernas e promovido a arte de vanguarda da burguesia urbana, largou o povão e cedeu o seu lugar na trindade; os três efes já não existem.

Sócrates preenche, a sumiço do fado, não o homem mas a Instituição Sócrates, uma fantasia mafarrica que arde todos os dias no pelourinho mediático para gáudio da populaça. Como dantes, os possessos estão na multidão, atiçados pelo justicialismo; já não se juntam na praça; e-maillam-se, twitam-se e facebookam-se em comunidades ululantes de semelhante acuidade visual dos simplórios medievos.

Não é difícil perceber o papel de Sócrates (nem o papel do sistema financeiro internacional, dos líderes europeus e da banca nacional) na crise portuguesa. A propaganda contra Sócrates tem menos a ver com peripécias do governo anterior que com a prática do governo actual.

Sócrates também existe para expiar os pecados de quem chumbou o PEC IV; não se sabendo se a situação financeira aguentava até ao reforço do FEFF, sabe-se que se o BCE tivesse as funções que tem hoje com Draghi, não haveria assistência externa.

A campanha contra Sócrates serve essencialmente a direita no poder e (doseada) é conveniente à esquerda parlamentar e ao próprio Partido Socialista, versão Tó Zé Seguro. Para os portugueses em geral só contribui para a sua estupidificação e para o alheamento da política, como se sabe a antecâmara de males maiores.

P.S. : Um bom trabalho jornalístico de Cristina Ferreira no jornal “Público”, sobre os últimos dias do governo socialista, com o título comercial “O dia em que Sócrates pediu a Cavaco para o salvar da troika”, tem elementos que ajudam a compreender os tempos anteriores à cedência da intervenção estrangeira em Portugal – recomenda-se.

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