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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Greve nos comboios no Carnaval. Serviço combinado.

Carnaval na CP.Fev2012


A greve dos maquinistas da CP no dia de carnaval deverá levar a empresa a realizar apenas os 162 comboios definidos como serviços mínimos pelo tribunal arbitral, um número que corresponde a cerca de 19% da oferta prevista.

O Sindicato Nacional dos Maquinistas (SMAQ) informou no sábado passado que mantém a greve para o dia de carnaval, amanhã, nas empresas CP – EPE e CP – Carga; das 00h00 às 24h00.

Segundo o sindicato, a razão para a greve é “o incumprimento por parte das administrações daquelas empresas do acordo de 9 de Junho de 2011, que criou condições objectivas para a pacificação laboral” e ainda a “intransigente posição do Presidente da CP de aposta no conflito e na negação do seu desbloqueamento pela via negocial”.

O SMAQ queixa-se da “perseguição disciplinar de que os maquinistas estão a ser alvo diariamente” notando que no próprio dia em que anunciam esta greve “chegaram mais 18 processos disciplinares contra os maquinistas que exerceram, nos termos legais, o seu direito de greve, relacionados com o conflito de Fevereiro/Março de 2011”.

Esta greve no Carnaval é a continuação das do Natal e Ano Novo que referi aqui em 23 e 27 de Dezembro. Os fundamentos ainda são os mesmos, a não cedência por parte da administração da CP em reivindicações que já tinha concordado conceder.

Trata-se de um serviço combinado entre a Tutela e a Administração da CP, agravado com mais processos disciplinares de maquinistas. Com estes responsáveis (?) no governo e no conselho de administração da CP, não se vê solução.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Continua a greve na CP. Irresponsáveis!

Dia 1 não há comboios.Dez 2011


A reunião de hoje entre o sindicato dos maquinistas e a administração da CP não deu em nada, a greve continua como estava anunciada.

A greve tinha sido convocada pelo sindicato pelas razões que aqui descrevi no dia 23 de Dezembro;

O Sindicato dos Maquinistas diz que entre o que urge resolver, está “nomeadamente o cumprimento integral dos acordos de 21 de Abril e 9 de Junho de 2011, pois, ao contrário do então acordado, foram mantidos e abertos inúmeros processos disciplinares relacionados com o legítimo exercício do direito de greve, em cuja anulação, então, aquele Conselho (de Administração da CP) se comprometeu; bem como a anulação das medidas que visam restringir o exercício da actividade sindical na empresa”.

A intoxicação da comunicação social e de alguns comentadores apressados têm dado largas a indignações várias, seja por razões ideológicas, o papel dos sindicatos e de que tipo de sindicatos, seja o moralismo dos utentes prejudicados, seja a situação económica da empresa (que nunca foi gerida por nenhum maquinista). O que parece não contar é a razão da luta dos maquinistas; que a administração ceda nas reivindicações que já tinha concordado conceder.

O conselho de Administração da CP desencadeou um confronto político contra o sindicalismo. Tem obviamente o apoio do governo com quem concerta as suas operações e iniciativas, pois a administração não tem autonomia para provocar um prejuízo de 2,5 milhões de euros sem ouvir a tutela.

O sindicato dos maquinistas, que não é um sindicato de base (como eu defendo que devem ser os sindicatos de empresa), é no entanto um sindicato que tem três características muito importantes; a primeira é os trabalhadores não serem facilmente substituíveis, a segunda é possuírem o “Kit da Luta” que lhes é fornecido pelo fundo de greve para o qual descontam, a terceira é serem suficientemente unidos para fazerem paralisações com 100% de adesão.

É portanto um sindicato forte, a quem o governo está interessado em quebrar a espinha, para servir de exemplo e especialmente para facilitar a privatização; sanear financeiramente não basta, é preciso entregar a CP com trabalhadores tão meigos como o chinês que rejubila com uma malga de arroz.

O Conselho de Administração da CP é apenas um intermediário; o governo conta com a legião de serviçais na comunicação social e a ingenuidade de muita gente bem intencionada, para encaminhar o confronto para o lado da propaganda.

O governo já sabia o desfecho da reunião se nada tivesse para dar, gasta assim 2,5 milhões em propaganda irresponsável contra o sindicalismo.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A greve na CP. Não há mais comboios por castigo.

Greve nos comboios.Dez.2011


A administração da CP prefere causar um prejuízo de 2,5 milhões de euros à empresa que dirige, e o transtorno a milhares de utentes, que ceder em reivindicações dos maquinistas que antes já tinha concordado conceder.

Não é normal, ou antes, não seria normal se a empresa fosse sua propriedade e os prejuízos fossem seus, mas nisto das empresas públicas é muito fácil gerir e bater o pé, quem acaba por pagar é o contribuinte, são os cidadãos. Com um governo a sério, que acautelasse os interesses das populações e das empresas do Estado, a administração da CP mudava na hora.

O que está em causa é o direito (constitucional) à greve, mas também o cumprimento do acordado entre a administração e o sindicato. O conflito tem como origem fundamental, os processos disciplinares instaurados pela CP aos maquinistas, por terem feito greve.

O Sindicato dos Maquinistas diz que entre o que urge resolver, está “nomeadamente o cumprimento integral dos acordos de 21 de Abril e 9 de Junho de 2011, pois, ao contrário do então acordado, foram mantidos e abertos inúmeros processos disciplinares relacionados com o legítimo exercício do direito de greve, em cuja anulação, então, aquele Conselho (de Administração da CP) se comprometeu; bem como a anulação das medidas que visam restringir o exercício da actividade sindical na empresa”.
Serviços mínimos assegurados.Dez.2011
O Conselho de Administração da CP, resolveu escolher um momento de dificuldades de financiamento da empresa e das festividades do Natal e ano novo, em que o comboio habitualmente ajuda a juntar as famílias, para abrir uma guerra com os trabalhadores.

Provavelmente esperavam voltar os cidadãos contra os grevistas; enganaram-se. Pelo que vi no telejornal da tarde, há compreensão dos utentes pela luta dos trabalhadores.

A Administração da CP é irresponsável e prepotente; com este governo os tempos estão de feição para este tipo de “gestores”, mas atrás dos tempos vêm tempos e a história não acaba aqui.

Uma nota pessoal: - a falta de comboios vai obrigar-me a ir buscar o meu filho de Ourém para Lisboa no dia da consoada, (a companheira está de serviço e precisa do único carro) mas estou solidário com os maquinistas e o seu Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ). Se não forem os sindicatos fortes que não cedem a chantagens, como o SMAQ, os portugueses passam todos a escravos muito rapidamente.

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