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terça-feira, 14 de maio de 2013

Relatório, ou manifesto da OCDE? Quem governa isto?

Os portugueses têm de impedir a degradação do país. Mai.2013

Depois do relatório do FMI concebido a pedido do governo, outro da OCDE por igual combinação. É um governo aflito, incompetente e desnorteado, que procura socorro. O manifesto da OCDE podia chamar-se, “ Destruir o Estado Democrático e Promover o Crescimento do Desemprego e da Pobreza”, deram-lhe outro nome para iludir papalvos.

Quem redigiu o relatório e quem assim o encomendou sabe que não é exequível em democracia, sabe que é um manifesto para um Golpe de Estado e deve assumir as consequências.

É uma declaração de guerra aos trabalhadores de hoje, de ontem, e do futuro. Há leis, há partes e negociações nas relações laborais, há valores civilizacionais que não se podem continuar a degradar, há caminhos que não sejam as condições de trabalho do Bangladesh. Não é esse o ajuste que os portugueses aceitam.

Propor o congelamento do salário mínimo, propor que se reduzam ainda mais as indeminizações por despedimento, renegar a contratação colectiva e apontar a abolição das portarias de extensão, são um conjunto ideológico de atentados ao direito em vigor e aos acordos já firmados. A crise é uma oportunidade para o extremismo, mas vai haver resistência.

Querem mais tempo de trabalho por menos remuneração, a redução da protecção social e a constituição de um exército de desempregados prontos a aceitar qualquer trabalho por qualquer salário. Mas estão a esticar demasiado a corda.

Tornem os Sindicatos e a Concertação, obsoletos por irrelevância, aqui e lá fora, e vão ver a reacção dos povos.

A resposta à violência não vai ser a passividade.

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domingo, 1 de julho de 2012

Mercosul suspende Paraguai e integra Venezuela.

A nova dimensão do Mercosul.Jun2012
O tiro saiu pela culatra para os golpistas do Paraguai e o seu aliado, os EUA. 

Como resultado do golpe de Estado que demitiu o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, (clicar AQUI) a cimeira de chefes de Estado do Mercosul (Mercado Comum da América do Sul), que se realizou em Mendoza, Argentina, a 28 e 29 e cujas conclusões foram conhecidas ontem, suspendeu o Paraguai dos blocos políticos regionais.

Na mesma reunião dedicada a discutir a crise global e o caso do Paraguai, decidiu-se integrar a Venezuela no Mercosul, o que não tinha sido possível até agora por oposição (desde 2006) do congresso do Paraguai, (para a admissão de um novo país é necessário o consenso dos países constituintes).

O presidente demitido Fernando Lugo, em entrevista a uma rádio argentina, apoiou a entrada da Venezuela (como antes apoiava contra a opinião da maioria do congresso paraguaio) no Mercosul, dizendo ser “uma oportunidade para ampliar o mercado” e assim “criar um grande mercado comum sul-americano que tenha força para negociar de igual para igual com outros mercados regionais de outros continentes”.

A Venezuela fará oficialmente parte do Mercosul a partir de 31 deste mês, em acto a realizar no Rio de Janeiro com Dilma Roussef no cargo de presidente da organização regional, lugar rotativo deixado agora pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

A entrada da Venezuela, uma “potência do petróleo” e da produção alimentar dará outra dimensão ao Mercosul, e terá, em princípio, influência na campanha eleitoral de Hugo Chaves, que se inicia hoje, para a sua recondução na presidência da Venezuela.

A VER - Vídeo (legendado em português) das conclusões da cimeira do Mercosul, no endereço:

http://multimedia.telesurtv.net/media/telesur.video.web/telesur-web/#!pt/video/mercosur-aprueba-entrada-de-venezuela-al-organismo-regional

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sábado, 23 de junho de 2012

Golpe de Estado no Paraguai. América Latina responde.

Fernando Lugo.Jun2012
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ex Bispo católico, progressista, foi destituído pelo Senado que o condenou num julgamento político em que foi acusado de “cumprir mal as suas funções”.

Todos os líderes da América Latina acusam a maioria do congresso de ter executado um golpe de Estado dissimulado, o que poderá levar à expulsão do Paraguai dos organismos comuns regionais, cujos estatutos exigem o respeito pelas regras democráticas. A presidente do Brasil, Dilma Roussef sugeriu de imediato a expulsão do Paraguai do MERCOSUL e da UNASUL, (o Mercado Comum e a União das Nações sul-americanas).

A morte de seis polícias e 11 camponeses “sem – terra” durante a desocupação de parte de uma propriedade de um político da oposição, foi o motivo para a direita paraguaia orquestrar o golpe de Estado, outras razões como uma reunião de jovens socialistas (em 2009) num comando militar, a assinatura do Protocolo de Ushuaia 2 (onde se criou um mecanismo de reacção a golpes de Estado no MERCOSUL), ou a insegurança e acusação de ser um “facilitador” das ocupações de terras, compuseram o libelo acusatório.

Sem tempo para organizar a defesa o presidente que na 5ª feira dizia não aceitar ser demitido, acabou ontem por acatar a decisão da maioria parlamentar de oposição.
Por detrás deste golpe estão interesses latifundiários, razões eleitorais e jogos geoestratégicos de desestabilização das organizações comuns da América Latina.

No Paraguai, terão sido roubados aos camponeses, durante a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989) e anos seguintes de governo do Partido Colorado (até 2003), cerca de 7,8 milhões de hectares de terras. A Comissão Verdade e Justiça, na informação de Junho referia que quase um milhão de hectares foi entregue entre 1988 e 2003 de forma irregular. Se nos 35 anos de Stroeessner correspondia a 19% das terras paraguaias, com a aceleração da agro-indústria e a ligação da direita aos grandes proprietários é evidente que um governo de Fernando Lugo incomodava, mesmo contendo políticos da direita.

A direita não esquece o papel do então Monsenhor de San Pedro, Fernando Lugo, na liderança dos protestos (em 2006) contra a reeleição de Nicanor Duarte, do Partido Colorado, organização que governava o Paraguai já há 61 anos. A nove meses das eleições no Paraguai retirar Fernando Lugo da corrida é também uma das razões do golpe.

Por outro lado, num período em que a América Latina está a concretizar formas comuns de se organizar, criando vários organismos de cooperação regional sem o controlo dos Estados Unidos da América, abrir uma brecha num país convém aos interesses imperialistas. As riquezas naturais da América Latina sempre foram cobiçadas e hoje sabe-se que estavam avaliadas por baixo.

Cabe aos líderes dos países latino-americanos dar uma resposta dura à situação actual, o que não deixará de acontecer na próxima cimeira de chefes de Estado do Mercosul que se realiza na próxima sexta-feira (30) na Argentina.
Comemoração.Caricatura de Victor Nieto
 
(P.S. - Passos Coelho acompanha a situação….!?)

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quinta-feira, 15 de março de 2012

Otelo diz que era necessário outro 25 de Abril.

oclarinet.blogspot.com Març.2012
Otelo disse ontem que era necessário um novo 25 de Abril, eu também sou dessa opinião. Se o Ministério Público vai abrir mais um inquérito ao coronel Otelo Saraiva de Carvalho por essas afirmações, pode também abrir um a mim e muitos mais a milhares de cidadãos deste país que pensam o mesmo.

Há quatro meses, Otelo fez umas declarações que foram entendidas como apelo a um golpe de Estado. Na altura não foram, apesar dos esforços de alguma comunicação social em demonstrar o contrário; manipularam vídeos da entrevista, truncaram o discurso, apresentaram o que deu jeito. Agora o Público diz que “Otelo defende actuação das forças armadas em nome do povo face a perda de soberania”.

Com o devido respeito pelos jornalistas, vamos precisar de ouvir as declarações de Otelo na íntegra, para perceber se na sua opinião já foram “ultrapassados os limites”.

Até lá, fiquem cientes que a campanha em marcha do “apoio dos portugueses às medidas do governo” só deixa todos mais descontentes; a perda da independência nacional, de condições de vida e dos direitos sociais, traz os portugueses cada dia mais insatisfeitos. De pouco serve tentar combater o desagrado com propaganda do governo, da Comissão Europeia ou do conjunto da troika, haverá sempre quem não se conforme.

Otelo considerou como “caso notável” a Islândia: “O povo prendeu os políticos, prendeu os banqueiros, disse que não pagava dívida nenhuma, que a culpa não era do povo, e com o poder popular emergente elegeram uma comissão para elaborar uma nova Constituição”.

O que fez o Ministério Público da Islândia? Fez inquéritos? A quem?

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domingo, 13 de novembro de 2011

Otelo. Golpes de Estado.

Golpe de Estado 25 de Abril Nov 2011


Otelo apelou a um golpe militar? Ouvi a entrevista de Otelo, algumas reacções, pareceu-me tudo “normal”, o costume, o homem fala e deturpam-lhe o discurso, já vem da inexistente conversa sobre o Campo Pequeno. Neste caso esmeraram-se.

Perante a minha dúvida se teria ouvido bem, fui ao Youtube ver uns vídeos da entrevista. Não encontrei um sem corte e costura (manipulado na montagem ou incompleto); não encontrei nenhum em que Otelo apele a qualquer golpe de Estado.

Disse umas evidências e deu a sua opinião. Disse “Os militares têm a tendência para estabelecer um determinado limite à classe política” é lapalissiano, razão do nosso 25 de Abril ou do recente abandono de Papandreou na Grécia; quando a gestão política não consegue manter os equilíbrios na sociedade surge a solução militar, umas vezes trazem ditaduras outras instalam democracias.

Se um golpe militar é mais fácil hoje que em 1974, por haver menos quartéis ou quantos homens seriam precisos, é uma opinião profissional, poderia ser perguntado a qualquer militar e qualquer militar daria a sua resposta.

O comentário à “manifestação da família militar” de ontem, foi o pretexto para a inventona mediática do apelo ao golpe militar de Otelo. Disse, “para mim, a manifestação dos militares deve ser, ultrapassados os limites, fazer uma operação militar e derrubar o governo” e disse a seguir “não digo que deva ser feito já, mas quando forem ultrapassados os limites”. Acabou a dizer, “se me fizer a pergunta de quando estarão ultrapassados – não sei dizer”.

Independentemente da opinião de Otelo, a história indica que “ultrapassados os limites” podem suceder golpes militares, “assassinatos políticos, tentativas de revolução” etc. Quem o diz são os historiadores económicos, como Jachim Voth e Jacopo Ponticelli, autores do estudo “Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009” e cuja entrevista (de Voth) à Lusa foi publicada no DN e em vários blogues, (alguns dos que criticam as palavras de Otelo nem lêem o que publicam). Os golpes de Estado fazem-se quando estão reunidas as condições para eles acontecerem, sem dúvida quando a política “ultrapassa os limites”.

O general Garcia Leandro afirma que Otelo disse uma asneira, pois o governo, diz o general, tem apoio de 80% dos portugueses. Deixemo-nos entrar em 2012 para ver se o general não terá de rever as casas decimais da asneira que afirmou.
(continua)

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