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terça-feira, 10 de setembro de 2013

11 De Setembro. Lembrando.

oclarinet.blogspot.com- Chile 40 anos. Set.2013

Certas lembranças materiais não perduram em minha casa, não guardo, ou vão emprestadas e não voltam, desaparecem; nem tenho cartazes e autocolantes políticos, da minha autoria, usados no PREC. Este cartaz, de 1973, tem-se aguentado e fiz a partir dele um post há 2 anos. Sobre o Chile.

Até ao ataque da Al-Qaeda às “Torres Gémeas”, a data 11 de Setembro estava associada ao golpe de estado de Pinochet, em 1973, contra o governo legítimo do Chile, de Salvador Allende. 
 
O golpe militar fascista no Chile, foi sentido em todo o mundo e particularmente em Portugal, pela minha geração, que na época e aproveitando a “abertura marcelista” lutava aqui pela democracia.
 
Estávamos em 1973, passagem do ano para 1974; eu era desenhador de máquinas numa metalurgia e estudava à noite. Foi ano de campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizaram em Outubro. O Movimento Democrático de oposição ao regime de Marcelo Caetano participou na campanha, tendo desistido de ir a votos por considerar não existirem condições para eleições livres.
 
No Natal de 1973, José Afonso tinha lançado o álbum “Venham Mais Cinco” (é verdade, já tem uns anitos). O Zeca esteve detido em Caxias de Abril desse ano até finais de Maio, mas tinha uma grande actividade apesar de alguns dos seus concertos terem sido proibidos pela PIDE. Os militantes da oposição aproveitavam todas as ocasiões para juntar os democratas “aparecidos” na campanha eleitoral. Uma festa de passagem de ano vinha a propósito.
 
Cheguei mais cedo a Sintra, à “casa do Sr. Embaixador”, para com o António “Fogueteiro” preparar os “comes”, que os “bebes” era tinto de Cheleiros que ele tinha trazido. O António teria a idade que eu tenho hoje, rijo e poeta popular, dirigente do Sindicato dos Mármores e Cantarias (Pero Pinheiro), encontrava-o por vezes na cooperativa livreira Esteiros. 
 
Os convivas eram sobretudo jovens, alguns quadros políticos e oradores, lembro-me de Urbano T. Rodrigues ter dissertado sobre a condição da mulher.
 
Após várias intervenções sobre a situação política nacional e internacional, onde se abordou a situação chilena cujo golpe tinha três meses, alguém apareceu com o cartaz do Chile (edição World Peace Council), uma raridade.
 
Foi leiloado e o dinheiro foi para a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Eu não tinha muito dinheiro, não sei como fiquei com ele, devo-o ter comprado a meias com os efeitos do tinto de Cheleiros.

Já não bebo, já não se fazem leilões para estas causas, nem festas por estas razões. É pena, pois os tempos aconselham a juntar vontades e militâncias.

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

PS. Disputa pela liderança.

Com o nariz acima da testa.Jan.2013

Ausente alguns dias (rurais) volto à urbe e a blogar.

Diz-se que o Sebastião da Autoridade da Concorrência se vai embora, e que o Sebastião do Partido Socialista ainda não chegou ou está a chegar. No primeiro caso nunca se deu pela acção da Autoridade da Concorrência, daí que mesmo saindo um Manuel Sebastião continuamos à espera do “Desejado”, com autoridade e independência para lidar com os vários cartéis.  

No Partido Socialista é semelhante, aquilo funciona assim, qualquer coisa é melhor que Passos Coelho, mas com António Costa a liderar era outra coisa.  

Desligado, perdi alguma informação, e também a contra-informação o que é uma vantagem. Do que me chegou pelos canais abertos de TV parece que o “jornalismo” e o “comentarismo” fizeram a festa toda, foguetes, canas etc. Todos confessam não saber as intenções de A.Costa, (antes, durante, após) mas concluem que o actual presidente da Câmara de Lisboa quis tomar o poder no PS e recuou nos intentos.

Dizer isso e qualificá-lo como político experiente é contraditório, o poder no PS não se conquista no Largo do Rato. Costa agitou o PS mantendo o status quo interno, aterrorizou a direita e por arrasto preocupou os partidos à sua esquerda - todo o espectro partidário prefere ir a eleições com António José Seguro como candidato.  

Não são os opositores ao governo nem os eleitores do PS que vão ao Congresso socialista. António Costa não tem tempo, nem teria decerto disposição, para fazer o trabalho de sapa pelas distritais discutindo as divergências que são evidentes, agora chega a todo o partido.

António Costa parou as acusações de deslealdade e impediu que a direcção do PS se visse livre da oposição interna. Para já cortou o passo a Seguro, posicionou-se, está a contar apoios. O que exige sobre a clarificação histórica e estratégica parece difícil de conseguir desta direcção, pelo que há mais hipóteses (agora que antes da crise) de avançar na disputa pela liderança.

Será matéria para os próximos dias.

Como habitual no início do mês os títulos mais lidos no ClariNet no mês anterior.

26/01 – Professores 26 Jan. Dezenas de milhar em manifestação.

02/01 – La Libertá – Giorgio Gaber.

09/01 – Bufos? GNR dá formação a 1708 parceiros civis.

03/01 – Chile. Justiça detém assassinos de Víctor Jara.

20/01 – Alemanha. Baixa Saxónia – CDU de Merkel desce. (6%).

04/01 – Saúde de Chávez complica jornalismo.

18/01 – Guerra do Mali. Mais apontamentos. Al-Qaeda. França.

24/01 – Enganar os mercados é mais fácil que enganar a fome?

14/01 – Travessa do Fala – só. Imagens que valem mil palavras.

17/01 – Guerra do Mali. Apontamentos.

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Chile. Justiça detém assassinos de Víctor Jara.

Victor Jara Martinez. 28 Set.1932- 16 Set.1973. Jan. 2013

Quatro dos oito oficiais do exército chileno, ao tempo de Pinochet, acusados formalmente na última sexta-feira do assassinato do cantautor Víctor Jara, estão detidos desde ontem.

É uma marca importante na conduta da Magistratura e da Investigação forense chilenas, que em 40 anos não conseguiram levar à Justiça os executores de Víctor Jara. 

O músico chileno foi preso, torturado e assassinado, no Estádio de Santiago do Chile, aquando do golpe militar de Augusto Pinochet, em 1973. Foi vítima de tortura no estádio transformado em prisão, segundo testemunhas presenciais partiram-lhe as mãos à coronhada vindo a executá-lo a 16 de Setembro, com 44 tiros. O seu corpo foi encontrado dias depois, junto de um cemitério.

Segundo a investigação, os autores materiais da execução foram os ex-tenentes Hugo Sánchez Marmoti, que está preso, e Pedro Barrientos Núñes, a viver nos Estados Unidos e cujo pedido de extradição foi iniciado. Dos cúmplices do homicídio qualificado estão detidos, Jorge Smith Gumuncio, Edwin Dimter Bianchi e Nelson Hasse Mazzei, todos antigos oficiais do exército e da confiança dos generais golpistas.

É significativo que com um governo em que partidários de Pinochet voltam ao poder, em que há homenagens públicas à ditadura, e ameaças de morte a dirigentes estudantis feitas por funcionários do estado, a Justiça chilena demonstre a intenção de julgar os militares que assassinaram prisioneiros civis desarmados.

Nunca é tarde para apanhar os culpados do terror.


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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Chile. Homenagem a Pinochet e repressão dos protestos.

Polícia reprime manifestação contra homenagem a Pinochet.Jun2012

Realizou-se ontem, em Santiago do Chile, uma homenagem ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet, numa tentativa de branqueamento do seu poder autoritário e repressivo.
Homenagem a Pinochet no teatro Caupolicán em Santiago do Chile.Jun2012
Partidários da ditadura que matou, em 17 anos de poder, mais de 4 mil pessoas e torturou dezenas de milhar de homens e mulheres exibiram no Teatro Caupolitán um documentário de exaltação à figura do ditador.

A Associação de Familiares de Desaparecidos e Mortos do Chile, assim como o Instituto e a Comissão Parlamentar dos Direitos humanos, lamentaram a autorização pela “Corte de Apelação do Chile” da realização da homenagem.
Manifestantes contra homenagem a Pinochet.Jun 2012
Apelos ao presidente Sebastián Piñera também não impediram o acto, o que não admira conhecidas que são as relações dos fundadores da actual direita no poder, com a ditadura de Pinochet (ler aqui).

A polícia de intervenção “fez a segurança” da homenagem ao ditador, reprimindo os manifestantes que sitiaram os arredores do teatro. Atacaram a população que pugna pelos Direitos Humanos, em defesa de um milhar de saudosistas do regime criminoso e sangrento de Pinochet.

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domingo, 11 de setembro de 2011

Os efeitos do 11 de Setembro no Chile.

manif.ChileSet2011


É do conhecimento geral o que a ditadura militar de Pinochet provocou na sociedade chilena. A prisão tortura e assassinato, foi a prática durante 17 anos, (de 1973 a 1990) do poder autoritário e repressivo, sobre os militantes e simpatizantes de esquerda e os protagonistas da participação popular na vida pública.

Fazem sentido umas notas sobre a evolução politica chilena, da transição para a democracia que não se concretizou em pleno, com grandes desigualdades na distribuição da riqueza, quando antigos membros e apoiantes do regime de Pinochet, através de novas organizações partidárias voltam a dominar o poder político.

Em 2010, vinte anos após o fim da governação Pinochet, a direita identificada com a ditadura, com nova cara construída pelos media, voltou ao poder com a vitória do multimilionário Sebastián Piñera, candidato da Coligação pela Mudança.

A recuperação da direita chilena assenta na estruturação realizada após o golpe militar e que em 20 anos de “recuperação da democracia” ficou quase inalterada. O Chile foi durante a ditadura o palco experimental do neo-liberalismo, protagonizado por um grupo de economistas americanos (os Chicago Boys). O “milagre económico chileno” teve resultados desastrosos que culminaram na depressão de 1982, e na contestação a Pinochet.

Para implementar o modelo neo-liberal, perseguiram-se os sindicatos, proibiram-se os partidos, encerrou-se o parlamento, terminou a liberdade de expressão; “suspendeu-se a democracia” não durante seis meses como advogava Ferreira Leite, mas durante 17anos; o resultado foi quase 40% dos chilenos abaixo da linha de pobreza, a queda do PIB em 30%, desemprego.

Ficou a desregulamentação da economia, a privatização da segurança social, que deixou metade da população sem qualquer previdência; ficaram maiores desigualdades. Permaneceu o que seria essencial para a recuperação da direita da era de Pinochet, o fundamental da Constituição de 1980, o modelo económico neo-liberal, as intocáveis forças armadas e carabineiros, e o controlo dos grandes meios da comunicação social.

sábado, 10 de setembro de 2011

O 11 de Setembro de há 38 anos.

38 anos após o 11 de SetembroSet2011


Até ao ataque da Al-Qaeda às “Torres Gémeas” a data “11 de Setembro” estava associada, nas efemérides dos acontecimentos políticos, ao golpe de estado de Pinochet, em 1973, contra o governo legítimo do Chile, de Salvador Allende. O golpe militar fascista no Chile foi sentido em todo o mundo e particularmente em Portugal pela minha geração, que na época e aproveitando a “abertura marcelista” lutava aqui, pela democracia.

O que se passou após o fim da ditadura no Chile, e o trajecto das forças políticas, que fazem um curioso paralelo com o que se passa em Portugal, será matéria para amanhã. Como encontrei nos meus “arquivos” o cartaz que inicia o post, vou recordar a sua história.

Estávamos em 1973, passagem do ano para 1974; eu era desenhador de máquinas numa metalurgia e estudava à noite. Foi ano de campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizaram em Outubro. O Movimento Democrático representando a oposição democrática ao regime de Marcelo Caetano, participou na campanha, mas desistiu de ir a votos por considerar não existirem condições para eleições livres.

No Natal de 1973, José Afonso tinha lançado o álbum “Venham Mais Cinco” (é verdade, já tem uns anitos). O Zeca esteve detido em Caxias de Abril desse ano até finais de Maio, mas tinha uma grande actividade apesar de alguns dos seus concertos terem sido proibidos pela PIDE. Os militantes da oposição aproveitavam todas as ocasiões para juntar os democratas que tinham “aparecido” na campanha eleitoral. Uma festa de passagem de ano vinha a propósito.

Cheguei mais cedo a Sintra, à “casa do Sr. Embaixador”, para com o António “Fogueteiro” preparar os “comes”, que os “bebes” era tinto de Cheleiros que ele tinha trazido. O António teria a idade que eu tenho hoje, era rijo e poeta popular, dirigente do Sindicato dos Mármores e Cantarias (penso ser este o nome), encontrava-o por vezes na cooperativa livreira Esteiros. Os convivas eram sobretudo jovens, homens e mulheres, alguns quadros políticos e oradores, lembro-me de Urbano Tavares Rodrigues ter dissertado sobre a condição da mulher.

Abreviando, após várias intervenções sobre a situação política nacional e internacional, onde se abordou a situação chilena cujo golpe tinha três meses, alguém apareceu com o cartaz (edição World Peace Council), uma raridade. Foi leiloado e o dinheiro foi para a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Eu não tinha muito dinheiro, não sei como fiquei com ele, devo-o ter comprado a meias com os efeitos do tinto de Cheleiros.

domingo, 28 de agosto de 2011

Camila Vallejo. Dirigente estudantil ameaçada de morte.


Funcionária do governo chileno pede no twitter o assassinato da líder dos estudantes chilenos, Camila Vallejo. Tatiana Acuña, secretária executiva do Fundo do Livro, que pertence ao Ministério da Cultura, usou na rede social a frase; “ Se mata a la perra y se acaba la leva…” o que traduzido para um dos nossos provérbios seria “mata-se a cadela e acaba-se com a raça”. Já antes ameaças de morte andavam pelas redes sociais, e dados pessoais eram replicados pelo twitter, numa tentativa de amedrontar os jovens, que há meses reivindicam nas ruas a reforma do sistema de ensino.

Camila Vallejo, de 23 anos, tratada como “musa” na comunicação social, devido à sua beleza, é uma estudante de geografia da Universidade do Chile, e actual presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh). É a porta-voz dos estudantes nos protestos que estão a abalar o Chile. Em Junho manifestaram-se 400 mil. Estudantes e Universidade exigem do Estado um sistema educativo público e de qualidade.

A última 5ª feira foi o pior dia de repressão policial desde que há 20 aos se derrubou a ditadura de Pinochet. O governo tinha proibido a manifestação no centro de Santiago do Chile, mas os estudantes encheram a cidade com os seus protestos. Um jovem veio a falecer após ter sido atingido com um tiro no peito disparado pela polícia, outro estava em risco de vida, também atingido num olho com um tiro.

Terão participado nas manifestações que se alargaram a outros lugares cerca de 600 mil pessoas. Tiveram a adesão da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior organização sindical do país.

Sebastián Piñera, o presidente eleito pelo partido Renovación Nacional de centro-direita, está a sofrer grande contestação; tendo “o pior índice de avaliação desde o retorno à democracia em 1990”, (de 1973 a 1990 o Chile viveu sob o regime ditatorial de Pinochet).

Sobre as reivindicações estudantis (uma sondagem deu 80% dos inqueridos como apoiantes das pretensões dos estudantes) o melhor é ouvir Camila Vallejo, no vídeo onde passam algumas das suas entrevistas. Para além de ser muito bela, é portadora de ideias bem definidas e arrumadas sobre o que quer a sua geração, uma geração que luta com coragem num ambiente repressivo e ameaçador.

PS. Já em Janeiro, manifestações do povo chileno contra o aumento do gás (em 17%, como em Portugal) tinham bloqueado estradas e aeroportos. Foi no Chile…!

sábado, 27 de agosto de 2011

Camila Moreno - MILLONES.

Porque hoje é Sábado, um vídeo - a canção “Millones”, de Camila Moreno, censurado pela Chilevision (porquê?).
Um sinal do estado da actual “democracia chilena”.

O próximo post será sobre outra CAMILA, a líder dos estudantes do Chile; – Jovens, mulheres jovens, na primeira linha da luta por outro tipo de democracia no Chile. Censurar este vídeo porquê? Teríamos de recuar à nossa censura de antes do 25 de Abril para entender. Os mais velhos lembram-se. A nossa solidariedade ao povo chileno e à sua juventude que luta por um futuro mais digno.

terça-feira, 12 de julho de 2011

No aniversário de Pablo Neruda, o poema "Siempre" na música dos Illapu.


Illapu (do idioma Quichua – raio/relâmpago) grupo chileno de raiz tradicional andina, de múltiplos estilos musicais e influências. Fundado em 1971, viveram exilados em França e no México durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. Regressaram ao Chile em 1988. Estiveram em Portugal aquando da Expo 98.

Siempre de Pablo Neruda (12Jul 1904 / 23 Set 1973)


Aunque los pasos toquen mil años este sitio,
no borrarán la sangre de los que aqui cayeron.

Y no se extinguirá la hora en que caísteis,
aunque miles de voces crucen este silencio.
la lluvia empapará las piedras de la plaza,
pero no apagará vuestros nombres de fuego.

Mil noches caerán com sus alas oscuras,
sin destruir el día final del sufrimiento.

Un día de justicia conquistada en la lucha,
y vosotros, hermanos caídos, en silencio,
estaréis com nosotros em ese vasto día
de la lucha final, en ese día inmenso.