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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

RTP. Demissões por causa de imagens de manifestações.

policia encoberto.Nov.2012
Polícias de cara tapada nas suas próprias manifestações.
 
Eles querem amedrontar.

Nuno Santos e Vítor Gonçalves, membros da direcção de informação da RTP, demitiram-se. Em causa a disponibilização de imagens captadas pela televisão e não editadas, (da manifestação de 14 de Novembro) a “elementos estranhos” à estação pública.

Nuno Santos diz na sua carta de demissão que reuniu com o conselho de redacção e com a comissão de trabalhadores, aí garantindo que “nenhuma imagem saiu das instalações da RTP.”

O Conselho de Administração fala na “presença de elementos estranhos à empresa, dentro das suas instalações”, em “acção abusiva” e “quebra grave de responsabilidades”. Diz ainda que “poder-se-á verificar uma violação dos direitos liberdades e garantias, com consequências nefastas para a credibilidade e idoneidade na produção informativa da RTP.” 

Cito os comunicados do DE, que também diz que é prática corrente, pedidos de imagens pelas autoridades, mas que, “todas as estações (de televisão) assumem que em nenhuma circunstância cedem imagens que não tenham sido emitidas nos seus serviços noticiosos”.

O inquérito aberto na RTP dirá o que se passou, a boa notícia é a sua existência. Se, mais uma vez se provar que houve agentes da investigação que contornaram a lei, é grave.

A tendência para o abuso da autoridade e a prática do chico-espertismo para obter provas é já habitual. As notícias vindas a público ao longo dos anos serão a ponta do iceberg das ilegalidades; são detectives privados a fazer escutas ilegais para a polícia, são empregados das telecomunicações seduzidos a fazer de espiões etc. 

Desde o anúncio pela polícia de que filma as manifestações, que se sabe da intenção de reduzir o número de manifestantes nas ruas, haverá sempre quem receie o destino e uso das imagens. A detenção ou identificação de manifestantes que nada fizeram de errado ou ilegal tem a mesma missão. A repressão, através da brutalidade indiscriminada, é outro passo para dificultar o uso do direito constitucional à manifestação.

A resposta dos democratas tem de contrariar os excessos policiais e o ressurgimento de um poder “musculado”. Estar presente nas manifestações é a melhor réplica a quem pensa ser possível amedrontar um povo que quer viver em liberdade. 

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imagens das manifestações.

oclarinet.Cuidado com as imagens.Nov. 2012
Cuidado com as imagens mas não é preciso exagerar…

  “Relvas repreende presidente da RTP” é o título de um artigo do jornal i de hoje, onde também se escreve sobre a manifestação do dia da greve geral.

Diz: “O i sabe que a PSP pediu à RTP brutos das imagens recolhidas junto do parlamento, material que a estação não fornece. Luís Silveira, da direcção de emissão e arquivo, confirmou apenas que foi feito um pedido das imagens recolhidas”.

Mais abaixo: “Como o DN já tinha avançado, a divisão de investigação criminal da PSP pretende socorrer-se de imagens para perceber ligações eventuais entre manifestantes com comportamentos mais violentos a grupos extremistas ou relacionados com tráfico de droga”. (sublinhado meu)

Temos assim, nas manifestações, além dos hooligans da bola, dos agentes estrangeiros e dos profissionais da desordem, os traficantes de droga: Seguir-se-ão decerto os pedófilos e outros violadores, os incendiários da floresta, os assaltantes de multibancos e de velhinhos que vivem isolados, os que fogem ao fisco e os fumadores de tabaco. Toda a corja, nacional e internacional de malfeitores, encontra-se nas manifestações contra a austeridade a troika e o governo de Passos Coelho.

Num outro artigo, de Nuno Ramos de Almeida (no jornal i), é relatado a certa altura. “Algumas raparigas foram obrigadas a despir-se para uma revista mais aprofundada. Vários jovens foram insultados, tendo sido dito, por agentes policiais, àqueles que garantiram não ter participado nos incidentes que “gente inocente não vai a manifestações”.

Não há nada como ouvir falar claro.

O mesmo jornalista, no artigo “Um dia com os 380 irredutíveis estivadores”, (aqui) a ler, particularmente por quem ainda não entendeu o que se passa nos portos, escreve:

“No mesmo dia em que falamos, os estivadores juntam-se à manifestação nacional de polícias, sob o olhar curioso dos agentes. Perto deles, estão activistas dos indignados, gente com máscaras dos Anonymos. Mais atrás, um elemento da DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo) com uma camisola do Che Guevara. Um circo”.

Camisola do Che Guevara? Seria para passar despercebido entre os hooligans do No Name Boys ou da Juve Leo?

Não sabemos o que o futuro nos reserva em termos de liberdades fundamentais. Por isso, à cautela, é preciso ter cuidado com os vídeos e fotos que se publicam nas redes sociais. Mais prudências ainda com as campanhas contra aqueles que usam maior radicalismo na acção. Agora levam esses em seguida vão os outros (todos conhecem a história). 

O pacifismo é muito bonito mas pode haver uma curta distância entre um pacifóide e um patifóide, o espaço encurta-se pela delação. Bufos conscientes ou involuntários não se diferenciam objectivamente.

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domingo, 18 de novembro de 2012

Carga policial em S.Bento e histórias da carochinha.

oclarinet. Preparar carga policial.Nov.2012

Estive em S. Bento no dia da greve geral e o que vi é diferente do que vejo relatado. Inventa-se muito, por todo o lado.

A primeira historieta são os “profissionais da desordem”. Embora nunca tenha percebido porque há manifestantes que querem subir degraus de acesso ao Parlamento, como se fossem os anfiteatros da Sorbone, ver agentes estrangeiros a promover desacatos é demais. Não há nenhum Lenin de Nanterre à frente da turba, o Dany aparlamentou-se e o modus operandi é muito amador, nem uma gancheta para arrancar as pedras da calçada se viu.

Depois, a polícia de choque que arrasou tudo por onde passou, como aprendeu a fazer nos treinos, acabou por tirar a dúvida se seriam enxertados em sul-coreano. Sendo os únicos profissionais da desordem presentes, acabaram por cumprir, tendo um deles, inclusive, dado um manifestante prostrado no chão a provar ao cão. Acaba por ser um alívio e rasgar o postal turístico português da bela jovem e o polícia de choque domesticado.

A quantidade de polícias feridos relatados mas não filmados é outra inventona. Em S.Bento e antes da carga policial só se viram feridos entre manifestantes, atingidos por pedras por se porem entre os escudos dos polícias e os apedrejadores, curiosamente, estes jovens redentores andam pelos blogues a chamar estúpidos aos que os atingiram.

Quem obrigou os escudos dos polícias a levar com pedras por tempo interminável foram os manifestantes pacíficos e não os chamados “estúpidos” que os apedrejaram. Deviam saber que há um tempo antes e depois da debandada da CGTP. A polícia se não quisesse atingir inocentes, comunicava por megafone aos mirones que estava à espera que fossem embora para arrear nos provocadores. Acontece que a radicalização já não é apenas de um pequeno grupo de jovens urbanos empobrecidos, todos os presentes sabiam que iria haver uma carga policial, uns achavam-se a salvo outros tomaram medidas para não ser atingidos.

O saldo da greve geral é o mesmo e não se mede em S.Bento. Afectado foi o tempo de antena mas é normal. A dinâmica da luta dos trabalhadores, autónoma ou sindical, e dos mais atingidos pela crise, (os desempregados, os precários e os pobres que nada têm a perder), tem pontos de contacto com a política partidária mas objectivos tácticos e estratégicos distintos; aliados momentâneos são concorrentes na mediação da comunicação social, que é essencial para a imagem dos eventos.

Para além do postal da bela e do polícia domesticado outro desapareceu, o da grande diferença entre as manifestações ordeiras nacionais e os desacatos que se vêm no estrangeiro, podendo ser mau para o turismo não é pior que o IVA da restauração.

Por último gostava de saber, dos comentadores de todos os quadrantes que genericamente vêm dizendo que “a sociedade portuguesa pode não aguentar tanta austeridade e haver uma rotura social”, o que querem dizer. 

Expliquem lá o que é essa rotura social, que sinal dá e como se confirma, pois não se percebe que digam isso e não reconheçam o que se passa.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

14 Nov. Dia de Greve Geral. Carga policial em S.Bento.

Dia de greve geral acaba mal.Nov2012

A violenta carga policial junto ao Parlamento não obscurece a jornada de luta dos trabalhadores portugueses. A greve geral, que se saldou segundo os dados da CGTP, por uma das maiores greves nacionais, decorreu sem incidentes nos locais de trabalho, para além da lamentável presença policial junto de alguns piquetes de greve.

Portugueses e estrangeiros greve geral.Nov.2012

A concentração em Lisboa, teve a participação de vários sindicatos não filiados na CGTP para além de movimentos e organizações, nomeadamente; “Precários Inflexíveis”; “Que se lixe a troika”; e delegações estrangeiras.

oclarinet. Rossio greve geral.Nov.2012
oclarinet.Rossio-Parlamento.Nov.2012










Do Rossio, o desfile seguiu para a frente da Assembleia da República entoando palavras de ordem.
 
oclarinet.greve geral-Parlamento.Nov2012
Os manifestantes superlotaram o espaço frente ao parlamento, e muitos deles não arredaram pé após o fim do período de intervenção da CGTP. Foi sobre esses manifestantes que a polícia de choque carregou e não apenas sobre aqueles que atiravam objectos contra a força policial. É visível nas reportagens das televisões que são agredidas pessoas idosas e mulheres numa investida cega, como é “normal” na actuação destas forças.

Av.D.Carlos revolta greve geral.Nov.2012

Como reacção, muitos jovens revoltados causaram distúrbios na via pública, incendiando caixotes de lixo e virando vidrões e contentores, numa expressão de violência a que não estávamos habituados em Portugal. Uma viragem comportamental que as autoridades deviam ter calculado. É um tema que vai ser debatido na nossa sociedade e cá estaremos para contribuir, mas se pensam que a violência latente que começa a aparecer é fruto de “profissionais da desordem” ou quejandos, estão muito enganados.

Av.D.Carlos em chamas.greve geral.Nov.2012

Portugal é um país normal, com uma sociedade tão normal como as outras, onde inventaram uma léria de brandos costumes sem qualquer fundamentação histórica.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Greve Geral. Lisboa–concentração no Rossio.


14 Novembro Greve Geral.Nov 2012

Os trabalhadores portugueses, em Greve Geral, promovem hoje concentrações nos distritos do continente, nos Açores e Madeira (ver aqui).


No distrito de Lisboa a Concentração/Desfile é no Rossio, pelas 14.30h.

Vamos lá!

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Amanhã 14 de Novembro. Greve Geral.

Greve Geral 14 de Novembro.Nov.2012

A visita de Ângela Merkel tinha uma missão essencial na política interna portuguesa; não era só o apoio público à política de Passos Coelho, coisa tão esperada como a mentira de que a aplicação do Memorando está a ser um sucesso e resolverá os problemas da economia nacional.

A única tarefa política de relevo que Merkel terá tido, foi convencer Cavaco Silva de que a Alemanha não faltará com o seu apoio, caso a execução orçamental corra mal. Todos sabem das dificuldades (impossibilidades) da execução orçamental para 2013, para mais com rectificativos que aprofundarão a recessão. 

Cavaco Silva elegeu o apoio da Alemanha perante o falhanço das medidas governamentais, como suporte da situação política interna. Se Ângela Merkel promete auxílio mesmo que as metas do governo não sejam alcançadas, Cavaco mantém Passos Coelho a governar por muitos e maus anos.

O que deixa aos portugueses a perspectiva de uma viagem grega por anos de recessão e de destruição do país. É nessas condições que os protestos, manifestações e greves também devem ser entendidos.

Dizem que os protestos contra Merkel foram fracos, mas são a notícia nos jornais alemães. Como dizia um jornalista alemão ontem na TV, “Merkel não disse nada de importante, depois da manifestação dos militares estamos aqui para cobrir os protestos”. E continuam por aqui para relatar a greve geral. 

A greve geral de amanhã é uma marca em Portugal e na Europa das dificuldades, é particularmente difícil para quem a faz em período de escassez de rendimentos, mas é realizada na altura que mais se justifica. 

Quanto mais parar o país, mais forte será a posição dos trabalhadores.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Espanha. Confirmada Greve Geral dia 14 de Novembro.

Greve Geral em Espanha 14 Novembro.Out.2012

Huelga General.

As duas centrais sindicais do Estado Espanhol, Comisiones Obreras e UGT confirmaram, hoje, o dia 14 de Novembro como data para a Greve Geral.

Será a Primeira Greve Geral Ibérica (ver aqui), parte da Jornada Europeia de Luta Contra as Medidas de Austeridade, convocada pela CES – Confederação Europeia de Sindicatos.

!4 de Novembro 2012 dia de luta na Europa.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Greve Geral Ibérica dia 14 de Novembro.

Greve Geral Espanha Portugal.Out.2012 (2)

Primeira Greve Geral Ibérica. 

Espanha em greve geral dia 14 de Novembro, no mesmo dia da greve geral marcada para Portugal. A Greve Geral Ibérica será coincidente com a Jornada Europeia de Luta Contra as Medidas de Austeridade.

Segundo a imprensa espanhola, as duas maiores centrais sindicais do Estado Espanhol, Comisiones Obreras (CC.OO) e UGT, anunciarão oficialmente a greve geral amanhã (sexta-feira) pela manhã.

Segundo o El País, as centrais sindicais CC.OO e UGT aguardavam uma decisão da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), presidida pelo líder das CC.OO, Fernández Toxo, que convocou, também para dia 14 de Novembro, a “primeira jornada de luta contra a austeridade na União Europeia”. 

Sendo provável que em Chipre e Malta haja na mesma data greves gerais, (a Grécia está agora em greve geral), nos restantes países europeus vão ser convocadas manifestações e concentrações, como forma de protestar contra as medidas de austeridade; “que estão a afundar a Europa na estagnação económica e a levar ao desmantelamento do modelo social europeu”, conforme afirma o comunicado da Confederação Europeia de Sindicatos.

Novembro, um mês quente na Europa.

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