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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Europa. Demonização e legitimidade de Merkel.

Que Construção Europeia...Jul.2012
O leitor Pedro deixou um comentário no post “ Alemanha perde com a Itália e Merkel com Monti”, cuja resposta não podem ser duas linhas na caixa de comentários. Há quem odeie Merkel e o leitor não vê porquê. Por ser alemã? Por ser mulher? Pergunta. Resposta, não! Até é ofensivo perguntar isso. Depois afirma que “quem odeia a chanceler acredita que o faz por causa das suas políticas mas essa convicção não tem fundamentos legítimos”. Tem!

Falemos então de legitimidade. Ângela Merkel foi eleita chanceler pelos alemães para governar o seu país e representar os alemães na União Europeia (UE), no organismo que reúne os líderes de todos os países da União; não foi eleita pelos povos europeus para decidir a política europeia e muito menos a política em cada país da UE.

ILEGITIMAMENTE, Merkel, com o apoio de Sarkozy e a cumplicidade de muitos outros, assumiu-se líder da Europa, subalternizando os órgãos representativos (porque eleitos) dos povos europeus. Tem decidido sozinha a política económica e monetária europeia, e até a política laboral, que tem as implicações conhecidas em cada país. Era o que faltava, não termos, todos os que são atingidos pelas decisões políticas da senhora Merkel, legitimidade para a criticar.

Sobre as políticas de Merkel, que ao Pedro não pesam, há mais do que “convicção” de que são erradas, falharam na Grécia, estão a falhar aqui e a estender-se por países como a Espanha, onde acaba o falhanço para dar lugar ao fim do euro e do projecto europeu. 

Ao contrário de que diz não há uma “Europa falida”, há países que por estarem no Euro não têm mecanismos próprios para enfrentar a crise. Crise que é bom lembrar começou com a falência do Lehmam Brothes nos EUA, e não foi resolvida de forma mais barata e rápida na Grécia pela teimosia ignorante de Merkel.

É por estarmos no euro que não resolvemos os nossos problemas da mesma forma que os resolvemos antes. Teríamos inflação (uma forma mais equilibrada de dividir os sacrifícios) mas não sofreríamos o número de falências de empresas e famílias que temos agora. E teríamos, o que é mais importante, uma perspectiva de saída da crise e de futuro.

Merkel já cedeu na capitalização bancária não veiculada à dívida soberana, o que parece ter chateado o Pedro, e cederá nas eurobonds (numa das suas várias formas) se o euro ainda existir após as eleições alemãs, onde é previsível perder a maioria e vir a ter o SPD como companhia na governação. 

O que se exige de Merkel não é que “seja solidária com os pobrezinhos” que é a tara caritativa da direita política, mas que não crie mais pobreza. 

Os alemães não têm de “abrir a bolsa para os países à beira do precipício” como diz o Pedro, mas abri-la para investir no euro e na União Europeia, se quiserem continuar a ser a potência económica que são hoje e deixarão de ser com o fim do Euro.

O que está em causa, não é se “Merkel é o bode expiatório de uma Europa falida” como pensa o Pedro, ou uma cabra que vai levar a Europa à falência, como pensam outros; o problema é se este euro faz sentido como moeda de todos estes países, e se esta União Europeia (com Merkel) continua a ser uma solução de paz para a Europa e de prosperidade para os seus povos, ou ao invés, uma semente de perigosos conflitos e a causa do empobrecimento de muitos de nós. 

Pedro, obrigado pelo comentário.

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domingo, 6 de maio de 2012

François Hollande presidente.

Le Monde. François Hollande presidente.

Desde o ano passado que o ClariNet acompanha as eleições em França. A mudança de poder neste país terá forçosamente grandes reflexos na política europeia. A análise das eleições de hoje, principalmente na França, Grécia e Alemanha fica para próximo post; dos vários artigos feitos sobre as eleições francesas ficam aqui estes exemplos.

Alternativas na Europa.François Hollande pode derrotar Sarkosy. (AQUI)

França. Perda de Triple A com reflexos nas presidenciais. (AQUI)

Hollande à frente de Sarkosy; uma boa notícia. (AQUI)

François Bayrou apoia Hollande, o pior para Sarkosy. (AQUI)

Martin Schulz presidente do Parlamento Europeu.Mai.2012

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

François Bayrou apoia Hollande, o pior para Sarkozy.

Bayrou no Le Monde.Mai2012

François Bayrou, ex-candidato às eleições presidenciais francesas e líder da organização centrista Movimento Democrático (MoDem), votará em François Hollande no próximo domingo, contra Sarkozy.

Numa curta declaração à imprensa que tinha anunciado para depois do debate televisivo de quarta-feira entre os candidatos, Bayrou justificou a sua escolha pela “violência” da campanha de Sarkozy na “corrida” ao voto da extrema-direita com posições anti-emigração que constituem uma “contradição dos valores” dos centristas e “uma negação do projecto europeu”.

Bayrou foi o quarto classificado na primeira volta das presidenciais, (com 9,13% de votos) depois dos dois finalistas e de Marine Le Pen. Enquanto Marine não fez opção para a segunda volta, o político centrista decidiu-se por Hollande; os eleitorados de ambos não seguirão (todos) as opções dos candidatos derrotados, mas é significativo que Bayrou tenha dado um sinal de apoio expresso a Hollande e feito críticas políticas a Sarkozy.

Poderá inclusivamente ser um gesto com mais efeito no resultado final, que o debate entre Hollande e Sarkozy, onde o candidato da direita esteve mal e belicoso, enquanto François Hollande apareceu determinado. Se o debate foi no sentido do empate, como é opinião da maior parte dos observadores, a definição de Bayrou é um auxílio importante para Hollande subir ao Eliseu.

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domingo, 22 de abril de 2012

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas.

Le Figaro-projecções no fecho das urnas.Abr.2012
Le Figaro


Primeiras projecções tf1
Hollande vence 1ª volta.Abr.2012
Le Pen é terceira podendo chegar a 20%.Abr.2012

Hollande à frente de Sarkozy; uma boa notícia. (Aqui)


Resultados finais.

Incritos 46 037 545 – eleitores 36 585 858 – 79,47%
Abstenção 20,53 – brancos e nulos – 1,52%


François Hollande 28,63% – Nicolas Sarkozy 27,18% – Marine Le Pen 17,90%
Jean-Luc Mélanchon 11,11% – François Bayrou 9,13%
Eva Joly 2,31% – Nicolas Dupont-Aignan 1,79% – Philippe Poutou 1,15%
Nathalie Arthaud 0,56% – Jacques Cheminade 0,25%.
Fonte: Ministério do Interior francês.

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sábado, 21 de abril de 2012

Hollande à frente de Sarkozy; uma boa notícia.

François Hollande favorito em França.Abr.2012 Evolução das sondagens AQUI

François Hollande não é o anti-capitalista Jean-Luc Mélanchon nem Mélanchon vai substituir Sarkozy no Eliseu, duas verdades básicas para olhar para as presidenciais francesas cuja primeira volta é amanhã.

Hollande e Sarkozy não “são a mesma coisa” como o discurso dito radical apregoa, aliás, foi essa prédica que deu, cá, a maioria absoluta a Passos Coelho e estamos a ver as consequências; para tirar alguém do poder, em eleições democráticas, é preciso votar e votar contra alguém.

Em França, o que realmente está em jogo é retirar a presidência a Sarkozy, os efeitos disso serão sentidos na política interna francesa, no rumo europeu e no âmbito da política externa da França. A mudança será sempre vantajosa.

Hollande não vai deixar de se relacionar com Angela Merkel mas terá um novo tipo de “diálogo”. Da posição da França na concertação com a Alemanha depende o essencial da política na Europa e da Europa no mundo, da democraticidade na União Europeia às intervenções militares no horizonte da NATO, da política económica de austeridade à nova (des)ordem da ditadura dos mercados.

As mudanças não serão profundas? Creio que sim, mas logo se vê. Uma certeza é que haverá alterações no melhor sentido se Nicolas Sarkozy sair da presidência. A luta social, paralela a estas disputas pela governação, também terá melhores condições de se desenvolver na ausência de Sarkozy e do seu controlo dos meios de comunicação social.

Sem ilusões ou expectativas exageradas a mudança de poder que se adivinha em França é uma boa notícia.


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sexta-feira, 23 de março de 2012

Al-Qaeda na campanha presidencial de Sarkozy.

França.Març2012

Mohamed Merah, o jihadista islâmico abatido pelas autoridades francesas, deu oportunidade, com os seus actos fanáticos, para que Nicolás Sarkozy tire partido da crise de violência em tempo de campanha eleitoral. A primeira consequência política é a subida nas sondagens de Sarkozy que voltou ao discurso do “presidente protector” dos franceses.

Os radicais islâmicos, usados por países ocidentais nas alterações políticas iniciadas pela “Primavera Árabe”, apoiados entre outros pela França no Norte de África e no Médio Oriente, particularmente na Líbia e na Síria, mas também no Egipto, têm no seu seio elementos que nunca esconderam o desejo de atacar a Europa. São diversas “famílias” em grupos dispersos saídos dos grandes movimentos fundamentalistas que agora disputam eleições nos países árabes, unifica-as a aceitação dos princípios da Al-Qaeda.

As aventuras no Afeganistão e na Líbia, como antes no Iraque, no fundo as alterações geoestratégicas promovidas pelo ocidente nos países do petróleo, ou que são ameaças a Israel, criaram condições para o aumento do jihadismo; do recrutamento, do treino e financiamento.

A adesão à rede difusa e descentralizada da Al-Qaeda de jovens europeus é conhecida das autoridades. A Reuters cita fontes dos serviços secretos franceses de que se sabe de cerca de 30 cidadãos franceses treinados pelos talibãs. Merah era um deles, detido em 2007 em Kandahar por fabrico de engenhos explosivos; fugiu com centenas de talibãs da prisão no Afeganistão, voltou ao Paquistão em 2010 e 2011. Mohamed Merah fazia parte da No-Fly List do FBI.

Não se sabe, por enquanto, se houve razões políticas para não apanharem vivo o atirador de Toulouse, (salta desarmado da varanda e com um polícia junto a ele - vídeo Youtube) mas sabe-se que a tese do “lobo solitário” não se enquadra no tipo de organização por células dos aderentes à Al-Qaeda.

A operação policial rende eleitoralmente, o inimigo que “está entre nós” e aparenta ser um vulgar cidadão (o que é falso) rende quando se defende o extremismo anti-emigrante. Sarkozy que nem tinha feito “uma chamada do Eliseu” para as famílias dos pára-quedistas assassinados, (sabe-se agora, por Merah) viu nos últimos acontecimentos uma oportunidade de surgir como pacificador da pátria, afirmando as ideias securitárias da direita xenófoba.

Assim, depois de Sarkozy perder o Senado para a esquerda, de ver François Hollande como o mais provável vencedor das presidenciais, uma acção da Al-Qaeda ameaça influenciar decisivamente o futuro da França e da Europa. Eis um terreno fértil para as teorias da conspiração.

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Atirador de Toulouse. A Al-Qaeda na Europa.

Al-Qaeda na Europa. Març.2012 

Sarkozy enfrenta uma crise terrorista perpetrada por um membro assumido da Al-Qaeda. O atirador de Toulouse, segundo a imprensa, será um militante recrutado pela Forsane Alizza (Cavaleiros da Liberdade) fundada em 2010, que até ao fim do mês de Fevereiro tinha um site onde colocava vídeos das suas acções e angariava militantes para a sua causa.

As actividades do grupo eram do conhecimento das autoridades francesas; tinha aliás sido “dissolvido por decreto” do governo francês em 29 de Fevereiro último, com a ameaça de prisão se continuassem as suas acções. É uma história de contornos singulares, conhecidas que são as alianças entre governos ocidentais e membros da rede Al-Qaeda no norte de África e Médio Oriente.

Quem lê a imprensa alternativa aos enlatados dos serviços de inteligência ocidentais, que a nossa comunicação social passa, já esperava notícias semelhantes. Em Fevereiro, antes da “dissolução” da Forsane Alizza, num artigo na Rede Voltaire sobre a Síria e o “fiasco dos agentes secretos franceses em Homs”, Boris V. fazia uma premonitória afirmação sobre Nicolás Sarkozy e a França. “Não devemos admirar-nos se um Estado que pratica o terrorismo em terra alheia, se venha a confrontar um dia com ele na sua própria terra”.

A imagem acima, tirada na Líbia, (da Voltaire) mostra o fotojornalista Paul Convoy do Sunday Times, que “escapou do Emirato Islâmico de Baba Amr” na Síria, ao centro, ao lado de Mahdi al-Harati procurado na Espanha pelo envolvimento no atentado de 11 de Março de 2004 e de Abdel Hakim Belhaj “oficialmente um dos homens mais procurados do mundo”, e nomeado pela NATO para governador militar de Tripoli.

A Europa, com agentes secretos que se fazem passar por jornalistas e com amigos destes, de que estava à espera!?

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domingo, 15 de janeiro de 2012

Sondagem. 64% Contra actuação do governo Passos Coelho.

Reflexos. Jan 2012


Contrariando a percepção geral de quem fala com portugueses e os ouve; na rua, nos mercados, nos locais de trabalho etc., têm saído umas sondagens na comunicação social, que sugerem o apoio da maioria dos portugueses às medidas do governo PSD/CDS, a última dava subida de intenções de voto no PSD. Tem surpreendido muita gente, e sido razão para primeiras páginas nos jornais e relevo nas televisões. Há até, quem por causa dessas sondagens, se interrogue se os neurónios dos entrevistados não estarão chantados, e por isso, incapazes de tremeluzirem a comunicação cerebral. Um case study pela singularidade entre os países em crise.

Um dos jornais que tem pago e divulgado essas sondagens é o Expresso. Pois o Expresso desta semana, cita uma outra sondagem, não na primeira página, mas no interior do caderno de economia, com o título “38% dos portugueses querem regressar ao escudo” que diz a determinada altura o seguinte: “Sem surpresa, entre os países abrangidos por este inquérito, são os gregos que pior classificam a atuação do seu governo em relação à crise da dívida soberana europeia: 79% consideram-na má ou mesmo muito má. Seguem-se Espanha (78%), Itália (75%) e Portugal (64%), tudo Estados com uma situação financeira vulnerável e que já adoptaram pacotes de austeridade”.

O inquérito é da GfK (Investment Barometer) uma das maiores empresas de pesquisa do mundo. De realçar que o Expresso escreve “sem surpresas” (!) – o que deixará mais sossegados os que se surpreendem pelas sondagens de primeira página do Expresso.

As perguntas do inquérito serão diferentes, provavelmente a GfK ligou para telemóveis e não para telefones fixos, decerto isto e talvez aquilo. A mim ninguém me convence que os portugueses (64%) que dizem ser a actuação do governo má ou muito má em relação à crise da dívida, compensem essa certeza com o apoio à actuação do governo Passos/Portas naquilo que melhor sentem, a austeridade.

Já agora, logo abaixo dos portugueses, também 63% dos alemães consideram má ou muito má a gestão da crise por Angela Merkel, e 56% dos franceses acham o mesmo de Nicolas Sarkozy, isto antes de a França ter perdido a cotação AAA. Cada um acredite no que quiser mas poupem-nos aos barretes.

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sábado, 14 de janeiro de 2012

França. Perda de Triple A com reflexos nas presidenciais.

Sarkozy tremido. Jan 2012


Como estava “anunciado” e como resultado do fracasso da cimeira europeia de Dezembro, e os impasses seguintes, a Standard & Poor´s baixou vários ratings pela Europa.

A França, a 100 dias das eleições presidenciais, será o país onde a iniciativa da agência terá efeitos políticos imediatos, com influência importante no resto da Europa. Para já toda a oposição a Sarkozy, da esquerda e da direita, veio aproveitar a situação.

Se para Jean Luc Mélenchon esta perda do “triple A”, é uma “rendição incondicional” de todos os líderes políticos, e para Eva Joly, “deve ser uma oportunidade para tomar consciência de que outro mundo deve nascer”; já Francois Bayrou diz haver uma “responsabilidade dos governos de Sarkozy”, mas essa responsabilidade é partilhada entre o UMP e o PS, pois a origem desta situação remonta aos anos 90. Francois Hollande, que lidera as sondagens, diz que a batalha de Sarkozy pelo “triplo A” se perdeu, e que a degradação é da política e não da França. No mesmo sentido Dominique de Villepin considera que a perda do “Triple A” é “o fracasso da política do governo e não da França”, é “ a sanção de uma política”. Marine Le Pen assinala “o fim do mito do presidente protector.

Nicolas sarkozy já tinha a reeleição comprometida; a classificação da Standard & Poor´s será decerto um contributo para aumentar a distância nas sondagens.
 A descida do rating francês trará consequências para a vida dos franceses, e também efeitos na política francesa e europeia. Sarkozy fez do “Triple A” bandeira do seu mandato, dificilmente a tentativa de desdramatizar a situação impedirá as consequências políticas.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

França. Villepin anuncia candidatura ao Eliseu.

Dominique Villepin Dez 2011


Dominique de Villepin é candidato às eleições presidenciais francesas dividindo assim o eleitorado conservador. Villepin, membro do partido de Sarkozy, anunciou a candidatura ao Eliseu, favorecendo desde já François Hollande, o candidato melhor colocado para derrotar Nicolas Sarkozy.

A surpreendente candidatura de Villepin, que afirmou na apresentação estar inquieto por ver “a França ser humilhada pela lei dos mercados, que impõem mais e mais austeridade”, tem na soberania a causa que o levou entrar na corrida presidencial. Villepin afirmou; “hoje a soberania escapa-nos das mãos em grande parte. Alinhamos com interesses que não são os da França. Penso que é necessário mais coragem”.

Uma sondagem deste fim-de-semana dava Francois Hollande (socialista) à frente nas intenções de voto com 31,5%, seguido de Sarkozy com 26%. A seguir, Marine Le Pen (Frente Nacional) 13,5 e o centrista Francois Bayrou com 13%. Depois vêm Jean Luc Milenchou (Frente de Esquerda) com 6,5% e Eva Joly dos Verdes com 4,5%. Para a segunda volta Francois Hollande venceria Nicolas Sarcozy por 57% contra 43%.

Não se sabe se a candidatura de Dominique de Villepin alterará muito os números, (não era antes do anuncio um nome desejado pelo UMF) mas tem o seu próprio eleitorado. É para já mais um indicador que vão haver alterações na política francesa e por arrasto na política da União Europeia. A seguir.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O fim da União Europeia, efemérides e coincidências.

Bandeira Europeia


Neste dia nasceram Diego de Rivera (homenageado pelo Google) e Jim Morrison. Nasceu também a Bandeira Europeia, que era em 1955 do Conselho Europeu. Foi adoptada por treze países mas tem doze estrelas por causa do azar. Depois, em 1986, quis a sorte que a Comunidade Europeia a fizesse sua.

Hoje, 56 anos depois das concêntricas estrelas terem ido brilhar no azul do planeta europeu, o céu está pouco luminoso. Diz-se até que começa hoje o rasgar definitivo da bandeira. Sarkozy é mais destrutivo e fala em explosão. Deve-se dar ouvidos a Sarkozy, ele e a amiga das diversões pirotécnicas têm sido vistos a brincar com detonadores. Logo se vê, o mais tardar amanhã.

Nisto das efemérides entendo melhor evocar a data em que se acaba em vez do nascimento. Ao princípio, como diz um amigo meu, não passamos dum tubo digestivo com uma corneta na ponta, a imagem não é de grande rigor científico mas alegra dias cinzentos como o de hoje.

De alguns desaparecidos podemos dizer que são estrelas da nossa bandeira, como John Lennon que nos deixou em 1980 ou António Carlos Jobim em 1994.

Como ainda não sabemos se por estes dias surge mais uma razão para futura efeméride, o fim da União Europeia, ouçamos WAVE de Jobim. Sobre a EU e o Euro “vou lhe contar”…


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Reunião Merkel Sarkozy não salva o euro nem os próprios.

Reunião Nº x Dez2011


Quem tinha perspectivas altas tem que apanhá-las no chão, para salvar o euro (agora) o dueto da corda propõe medidas para Março.

Merkel e Sarkozy disseram que chegaram a acordo sobre as medidas de combate à crise da dívida. Independentemente do conteúdo combinado para um “Novo Tratado da União Europeia”, têm o objectivo de que esteja negociado com os 17 (a 27 já desistiram) em Março de 2012, como a ratificação pela França será depois das eleições presidenciais e legislativas francesas, o mais certo é Sarkozy já não estar no Eliseu.

O distanciamento do candidato presidencial francês François Hollande perante Merkel acentua-se, a campanha eleitoral adivinha-se ainda mais difícil para Sarkozy com a cedência da soberania francesa. Sarkozy não salva o euro nem a si próprio, não é crível que os franceses abdiquem de soberania, mesmo com ataques dos mercados ao seu triple “A”.

Das propostas que levarão ao Conselho Europeu (8 e 9 Dez) salientaram as “sanções automáticas” (perda do direito de voto e fundos de coesão) a aplicar aos incumpridores do equilíbrio orçamental (défice zero).

Para tal querem que os países membros inscrevam nas suas Constituições o défice fiscal zero; depois, que o Tribunal de Justiça da EU se transforme num Super (e supra) Tribunal Constitucional; e com a missão de aplicar as sanções.

A proposta do dueto, de sanções aos países em dificuldades (para aprenderem) incluiria a já anunciada censura prévia aos Orçamentos de Estado, com acompanhamento e supervisão europeia da execução orçamental – uma espécie de troika permanente a tiracolo dos ministérios das Finanças.

Como nenhuma destas medidas funciona para os mercados, não são acalmáveis com cenas de sevícias dos países ricos sobre os outros, a próxima cimeira europeia é bem possível que fracasse como as anteriores de 21 de Julho ou de 23 e 26 de Outubro, também elas de emergência e últimas oportunidades para o euro.

Medidas a curto prazo, influentes nos meios financeiros, não saem deste dueto. Também não se vê as Instituições europeias com iniciativa, nem os países em dificuldades a agir em conjunto, nem tão pouco o governo português a explicar o que vai defender em Bruxelas.

Na Europa, parece que estamos todos – nas calmas – a assistir à morte de bezerra.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Recessão em toda a Europa de Merkel; é bom? É mau?

Merkel

Vivemos em época de assaltos como é visível e palpável. Eu estou a ser assaltado por sentimentos contraditórios, estou a gostar de ver a perspectiva de os países ricos da Europa passarem mal, e não devia gostar. (A OCDE diz que a Zona Euro está em recessão, e prevê menos de 0,2% de crescimento para 2012).

Fui educado a não apreciar a desgraça alheia, a não ter desejos de vingança, e agora perante a ameaça de cortes de rating em todos os países da Zona Euro, (sem excepção) só me apetece dizer: - é bem feita! E tenho a sensação que muitos mais portugueses, gregos e irlandeses, com esmerada educação e de bom carácter, pecam de igual mau génio.

Até aqui se disse, há meses, que quando a crise atingisse os países do centro estaríamos perto da solução, para o bem ou para o mal. Já não é opinião é constatação, a Europa de Merkel com a ditadura alemã, ou de um directório com Sarkozy e alguns “passa brilho” como Passos Coelho e políticos do mesmo nível, não convence os investidores em divida europeia. Já são as agências de rating que apelam ao funcionamento das instituições europeias, a crise global descontrolada não serve o capitalismo. A OCDE diz que “o Banco Central Europeu tem poder para conter a crise”, sabe-se porque não resolve, Angela Merkel não aceita.

A subida dos juros da divida alemã e a dificuldade em colocá-la é preocupante, a ameaça paira sobre todos os países e isso é bom, por alguns momentos os problemas são de todos. Solução ou desastre parece coisa de dias, o caos é tal que hoje as bolsas na Europa subiram como reacção às notícias negativas, é o jogo, a fé que se está tudo tão mau, alguém não vai deixar cair o euro, Merkel vai ceder. Vai?

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Espanha nos 7% de juros. Merkel/Sarkozy perto do divórcio.

Global. Nov 2011


O contágio da crise do euro é uma evidência, já não é um risco. Os investidores têm uma certeza, com Ângela Merkel a liderar os destinos da Zona Euro há incerteza económica nos países europeus, em todos eles e não só nos do sul; Merkel impede uma solução que passe pelo BCE.

Os mercados não vêm (ninguém vê) qualquer medida que impeça o fogo que pegou na Grécia, e alastra para fora da Europa, de atingir maiores proporções.

Como era esperado, os governos de tecnocratas na Grécia e na Itália não devolveram a confiança apregoada, os juros continuam a subir. A Espanha colocou hoje títulos a dez anos e tocou os fatídicos 7% de juros, (Portugal pediu o resgate nos 6,8%). A França, segunda economia europeia, atingiu custos de financiamento que enervaram os políticos franceses, mas também o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schaeuble, que terá dito “os mercados não estão a agir de forma racional”. Onde é que nós já ouvimos isto?

O discurso político já nada resolve. O paleio dos países ameaçados de que não eram a Grécia não funcionou, a conversa de que não fazem parte dos PIIGS ou tem “triple A” não está a funcionar. Nem sequer funciona o facto de não estarem no euro como sucede com o Reino Unido e os Estados Unidos. Está tudo interligado no sistema financeiro, a exposição à divida é cruzada, o caos ameaça a economia mundial.

Tem a palavra Nicolás Sarkozy, a perna curta do monstro bicéfalo que criou o problema, para que o BCE assuma o papel de Banco Central com outras funções que não sejam apenas controlar a inflação. E não venham com a desculpa dos Tratados, eles já não são respeitados pelo mostrengo Merkozy.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Conclusões da reunião do G 20 são um fiasco total.

G20


A reunião do G 20, (países ricos e emergentes) foram dois dias de conversa, nos quais Ângela Merkel e Sarkozy tentaram fazer passar o conto do vigário.

Queriam que países externos à União abastecessem o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Uma nega geral foi a resposta; resume-se no que disse o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, “não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para esse apoio financeiro”. Dilma Roussef até se riu com a “proposta desonesta”.

Como queria Merkel que algum país se atravessasse na aventura se a própria Alemanha se recusa a guarnecer de mais meios o FEEF? Ainda por cima com a recuperação impossível da Itália no horizonte.

A palhaçada teve o supremo epílogo na declaração de que todos os países membros vão trabalhar de forma coordenada, comprometendo-se cada um no seu país a adoptar as medidas em favor da recuperação mundial. Traduzindo, – todos juntos e cada um a tratar de si.

Esta Europa está uma vergonha, já não possui qualquer credibilidade no Mundo.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Alternativas na Europa. François Hollande pode derrotar Sarkozy.

François Hollande Out2011

(Actualização das presidenciais francesas AQUI)

Devemos estar atentos às modificações políticas nos países que compõem a União Europeia, em particular aqueles que ilegitimamente se autopromoveram a líderes da Europa. A França de Sarkozy aparenta ter os dias contados, François Hollande derrotará Sarkozy segundo o primeiro estudo de opinião, (após a designação de Hollande) o que não é indiferente para os países do euro e para o mundo.

François Hollande recém-eleito representante do Partido Socialista francês na corrida presidencial de 2012 venceria Sarkozy na primeira volta das eleições, segundo uma sondagem do Instituto CSA (Conseil Supérieur de l´Audiovisuel).

A sondagem deu; François Hollande (Partido Socialista – centro esquerda) 35%, Nicolas Sarkozy (UMF – União para um Movimento Popular, direita) 25%, Marine Le Pen (Frente Popular, extrema-direita) 16%, François Bayrou (UDF – União para a Democracia Francesa, centro direita) 9%, Jean-Luc Mélenchon (PG – Partido da Esquerda, esquerda) 5% e Eva Joly (Europa-Ecologia, verdes) 3%, outros, abaixo de 2%.

Para uma segunda volta nas presidenciais, entre Hollande e Sarkozy, a sondagem do CSA indica uma vantagem do candidato socialista de 62% contra 38% do actual presidente.

O resultado de Hollande na primeira volta ultrapassa os 33% (em Março) de Dominique Strauss-Kahn suposto candidato socialista, afastado pelo escândalo sexual em que esteve (ou foi) envolvido. Significa que as opções nas primárias socialistas, tendo em conta o objectivo de derrubar a direita foram acertadas.

A escolha de François Hollande na segunda volta das primárias socialistas, teve em conta encontrar o candidato melhor posicionado para conquistar os votos ao centro (também lá decidem quem vence). Hollande ganhou por 56,55 contra 43.5% de Martine Aubry, primeira secretária do PS, filha do ex-presidente da União Europeia Jacques Delors, ex-ministra do trabalho e numero dois do governo do “trotskista” (entrista) Lionel Jospin.

Hollande teve o apoio dos candidatos derrotados na primeira volta, Ségolène Royal, Manuel Valls, Jean-Michel Baylet, do lado “centrista” do PS, e fundamentalmente de Arnaud Montebourg cujas propostas mais à esquerda valeram 17% na primeira volta das primárias. A atitude de Montebourg consegue a unidade do PS, dos sectores mais à esquerda aos sociais-liberais. Como ele disse, “quero que a esquerda ganhe e derrote Nicolas Sarkozy”.

As eleições primárias do Partido Socialista abertas aos eleitores de esquerda; (diziam que eram de esquerda e pagavam um euro) transformaram os 218 mil filiados em mais de 2 milhões de votantes. Talvez um dia isso aconteça por cá.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Agências de rating atacam países ricos da Europa.

Sarkozy ameaçado Out2011


A doença ataca os mais fortes porque não a curaram quando atacava os mais débeis, é a narrativa das epidemias por contágio. Itália e Espanha vêem baixar as suas notações e a França é ameaçada pela Moody´s. Um corte na dívida francesa poderia ter implicações na que é atribuída ao fundo de socorro do euro .
A exposição à dívida soberana da banca europeia e a fraca perspectiva de crescimento das economias, são argumentos de peso das agências para atacar também os países ricos da Europa.

Uma história. Há anos, quando era industrial, precisei de uma máquina (16.000 contos) e o meu banco, também meu cliente, demorava a aprovar a operação de leasing. Voltei-me para “os espanhóis” instalados em Lisboa; enviaram um analista (português) à fábrica, deu uma volta pelo fabrico, viu os produtos expostos da nossa produção, reconheceu as marcas, não pediu balancetes ou outros dados, conversámos e aprovou a operação na hora.
O equipamento foi pago (pagou-se) facilmente. O profissional da empresa bancária, conhecedor do sector, sabia que a máquina triplicaria a nossa produção, e foi essa perspectiva de crescimento que o levou a aprovar o investimento, em condições para nós bastante favoráveis.

As agências de notação financeira sabem que o simples anúncio da possibilidade de cortes no rating cria ou aumenta vulnerabilidades aos países, estão a pressionar soluções para a zona euro. Portugal, com as opções internas que tomou, tem um papel secundário e mudo, não sabe quando vai renegociar a divida nem qual será o perdão, está a destruir o resto do aparelho produtivo por ignorância dos decisores políticos e a inércia dos portugueses.

A falta de resposta atempada das instituições europeias põe em risco toda a zona euro, por cá a governação espelha-se num ministro da economia que podia ser atropelado por uma fábrica de lâmpadas acesas, que não veria o que lhe passou por cima. Sabem lá o que é uma empresa.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Barroso no Estado da União; impostos para o sector financeiro.

Durão Barroso 

Durão Barroso, no discurso do “Estado da União” no Parlamento Europeu, voltou a defender a emissão de títulos comuns de dívida pública (Eurobonds) e impostos sobre as transacções financeiras (taxa Tobin).

Não são novidades, mas desta vez Barroso discursou como nos tempos em que o fazia para o “estudantariado” da faculdade de direito; entusiasta, interpelante, apelativo. O resultado foram palmas dentro da sala, que lá fora, onde a Alemanha e a França tudo decidem, só devem ter chegado ténues ecos.

A Comissão e o Parlamento têm sido ignorados pelas cimeiras dos líderes Merkel e Sarkozy, que são, de facto, quem escreve o guião das políticas europeias. Barroso nunca conseguiu assumir a liderança, nem pôr a funcionar com o relevo devido as instâncias comunitárias democraticamente eleitas.

Durão Barroso argumentou, para criar impostos para o sector financeiro, que “durante os últimos três anos, os Estados-membros acordaram ajudas e forneceram garantias ao sector financeiro de mais de 4,6 milhares de milhões de euros; é altura de o sector financeiro dar a sua contribuição à sociedade”. Barroso justificou ser “uma questão de justiça” já que “ se os nossos agricultores, se os nossos trabalhadores, se todos os sectores da nossa economia, da indústria à agricultura e aos serviços, se todos pagam uma contribuição à sociedade, o sector bancário também deve contribuir para a sociedade".

Pois deve, há muitos anos que a esquerda o diz. Se agora o presidente da Comissão Europeia adere à reivindicação não vem mal ao mundo, o problema é se há condições para criar a taxa; com a actual composição política da União Europeia não é fácil.

Mais do que a vontade de organismos europeus desautorizados, o que poderá alteraresta como outras situações, é a mudança nas lideranças na Alemanha e na França, assim como o tipo de aperto no sistema financeiro. Por isso parece-me importante o resultado das eleições locais/regionais nesses dois países e no Senado francês. A mudança política na Dinamarca também ajuda.

Até haver uma modificação nas forças políticas dominantes, o sistema financeiro irá ganhando tempo, ganhando dinheiro e mais ajudas, enquanto as populações da Europa pagam a factura da crise.


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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sarkozy perde Senado para a esquerda.

SenadoPaláciodoLuxemburgoSet2011


Depois das derrotas de Angela Merkel nas eleições regionais alemãs, a perda da maioria por Sarkozy no Senado francês, pode ser o sinal de uma dinâmica de mudança dos poderes nos dois países, que levaria inevitavelmente a uma transformação da liderança e da política europeia.


A política francesa começou a mudar ontem, em toda a V República, (desde 1958) o Senado francês tem sido conservador, tem por isso um simbolismo especial esta derrota de Sarkozy. Os poderes legislativos do Senado são essencialmente sobre as leis constitucionais, o que pode constituir um revés nas intenções de Sarkozy de inscrever na “sua” Constituição o limite para o défice, que defende para todos os países europeus.

O mais nocivo para o governo de direita francês é esta punição ser a poucos meses das eleições presidenciais (em Abril de 2012) e após uma série de vitórias socialistas em eleições locais francesas. O panorama francês não é famoso, com elevado desemprego e a atenção das agências de rating, a que se junta a crise no euro.

Sendo cedo para falar em mudanças direita/esquerda na Europa, o certo é que as políticas neo-liberais da austeridade e recessão não convencem o eleitorado. A recente vitória do centro-esquerda na Dinamarca, contra os liberais no poder há dez anos, significou uma forma diferente de enfrentar a crise, maior investimento público em vez de políticas recessivas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Merkel - Sarkozy, o dueto sem corda, a cada reunião mais perto da recessão.

EmpatasAgo2011


Os “Blues Brothers” (o Dueto da Corda) criaram uma banda para conseguir fundos para o seu antigo orfanato, ameaçado de despejo. O dueto Merkel/Sarkosy, a cada concerto que dão, os europeus sentem-se mais órfãos de líderes e mais perto de serem despejados para pior nível de vida.

Não sai nada de jeito das cimeiras bilaterais franco-alemãs, é o resumo de todas elas incluindo a desta semana, mais uma para discutir a “crise das dívidas soberanas europeias”. Medidas impraticáveis e reforma das instituições de consensos impossíveis; nada que traga calmaria aos mercados. Merkel e Sarkozy com eleições à porta, vão continuar a empatar, o tempo não está de feição para esse comportamento.

Os efeitos da ausência de liderança europeia sentem-se globalmente, as perspectivas económicas são de degradação mundial com o receio de recessão na Europa e nos Estados Unidos; pânico nas bolsas, perdas nos mercados das matérias-primas e recorde do preço do ouro – são os sintomas de doença da economia de mercado. O capitalismo vai mal.

Até na Alemanha e na França o crescimento é raquítico, perto da estagnação. A crise na Europa (com estes políticos) não vai ficar pelos países da periferia, ameaça atingir os países ricos e os próprios especuladores, como já se começa a notar. Não serve de grande consolo mas os “PIGS” vão ter companhia, mesmo que os novos aflitos entrem de galochas na pocilga vão lá viver uns tempos.

A lista de países ou a ordem como irão sofrer os ataques dos especuladores é secundária, a questão é saber se vai parar em algum lado algum dia, ou se é o desígnio deste tipo de ordem económica que privatizou as democracias.