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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

As poupanças de Bernardo Ferrão


Oclarinet… às duas por três partiu…às duas por três chegou. 

Um pouco “pra poder recuperar/ o direito a respirar”. Olá! Sérgio Godinho!!! Para espirrar o ar inquinado e sufocante com que o jornalismo desfigurado, deste equinócio até solstícios adjacentes, contamina a nossa existência.

Bernardo Ferrão, jornalista promovido nesta época - para esta época, comentava antes de ontem os jornais do dia, no Jornal das Dez da “SIC Notícias”.

Dizia o comentador/jornalista (!) que o título do jornal Público “ Portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem” levava-o à conclusão “que os portugueses aprenderam alguma coisa com o que se passou nos últimos quatro anos”… “perceberam que é preciso poupar”. Daí, Bernardo Ferrão disse que era levado a “outro raciocínio”. E raciocinou; “O Partido Socialista aposta muito em dar mais dinheiro aos portugueses porque dessa forma aumenta o consumo, dessa forma estimula a economia e cria emprego, etc.” e concluiu a dúvida existencial/essencial; “-será que os portugueses, se tiverem mais dinheiro, vão gastar mais, ou optar por poupar como se sugere aqui?” (SIC)

Santinho! Os que têm para guardar, e a alguns sobrou dos bens que tiveram de vender para pagar dívidas, têm o dinheiro à ordem porque os juros baixos dos depósitos a prazo não pagam o risco da banca trafulha. “Aprenderam alguma coisa com os últimos quatro anos” e querem o seu dinheirinho disponível em vez de jogado em segredo pelo sistema financeiro. Quando 60% dos activos da banca estão à ordem é porque não há confiança no sistema. Os juritos não justificam o risco, ponto.

Quanto ao perigo dos portugueses terem dinheiro para gastar (que raio de campanha) ou não consumirem, é evidente confusão de Bernardo Ferrão. Para azar, hoje o mesmo Público titula “Poupança das famílias recua com aumento do consumo”. É o INE a baralhar o argumentário do governo e de quem lhe dá apoio lançando dúvidas apenas sobre os programas da oposição.

Eu não tenho como poupar, ontem cortei-me num dedo com uma faca e a minha mulher disse sem humor nenhum, indiferente, ”aproveita para ver a glicémia”. Vi, tinha 138. Poupei uma picadela, é certo, mas beneficiei com a facada? Isto é que é uma dúvida Sr. Bernardo/comentador/jornalista.

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terça-feira, 27 de maio de 2014

António Costa agita o pântano.

António Costa vai encontrar resistências. Mai.2014
 
Entre a primeira volta das legislativas, que foram as europeias, e a segunda parte, prometem-se mexidas nas equipas e revolução no balneário. António Costa avança para a liderança do PS.

Altera tudo.

Quando em Janeiro de 2013, António Costa simulou a vontade de tomar o poder no PS, conseguiu parar o empenho saneador interno e posicionar-se. Sabia que o aparelho do PS, controlado por Seguro, não lhe daria qualquer hipótese de sucesso. Contou apoios e esperou por melhores dias, ou seja, dias piores para o partido.

O tempo que deu a Seguro para descolar dos empates técnicos com os partidos do governo acabou no resultado das europeias. O que o PS de Seguro tem para oferecer ao país, em 2015, é a participação num governo de “bloco central”. Só uma dinâmica vencedora, que Costa está bem colocado para desenvolver, pode alterar a rota pastosa socialista até às legislativas.

O sucedido em Itália, com o Partido Democrático é elucidativo, ganharam e nem a abstenção subiu. Mas o êxito italiano é também um problema para o actual presidente da Câmara de Lisboa; António Costa defende directas abertas nos partidos, (que salvou o centro esquerda italiano) e isso é uma atitude que os aparelhos partidários toleram mal.

Entre as blindagens estatutárias que António José Seguro inventou para ir a eleições em 2015, e a vontade dos militantes do PS, joga-se o futuro do próximo governo.

Costa tem coragem e uma tarefa difícil, é-lhe mais complicado ganhar o PS que ganhar o país.

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Nós cidadãos. Mais um partido.

Nós, Cidadãos - mais um - Fev.2014
 

Soube-se hoje que um novo partido de centro-direita está em formação. Ser de centro-direita como é noticiado, de direita ou de outra posição é secundário. São pessoas que dão importância à política e à cidadania e organizam-se como muito bem entendem.

As reacções, como de costume, são “implicativas”. Qualquer formação cívica que dê um passo no sentido da representação política (de esquerda ou de direita) é acusada de vir dividir. Ora, os partidos não dividem, arrumam - aglomeram cidadãos de interesses e ideologias semelhantes.

No nosso sistema político, os níveis de abstenção e a oscilação dos eleitores entre os partidos, indicam que há vários espaços a ocupar por novas organizações. Aliás, as criticas aos partidos são nuns casos a todos (ao “sistema partidário”), noutros, aos partidos existentes, e ainda noutros, à prática dos partidos existentes.

Não há dúvida que boa parte dos portugueses não se revê nos partidos tradicionais, ou se quisermos, instalados no actual sistema partidário.

As primeiras censuras à formação de novos partidos vêm dos militantes com partido; os euros que dão cada voto são menos havendo concorrência na peixaria que vende peixe idêntico. Outras críticas virão dos que são contra o sistema de partidos ou defendem um único partido. Vivi no salazarismo e não gostei, e, basta olhar para a ex-cortina de ferro para ver no que dá um Partido-Estado.

A sociedade é pluralista, os veículos de representação política têm de responder a essa realidade. Se o sistema é de democracia representativa ou outro, é secundário, a sociedade é sempre pluralista e será tão mais democrática quanto o sistema permita a expressão de todos.

Não alinho no populismo anti-democrático de algum criticismo anti-partido. Entendo haver uma paralisia no actual sistema partidário sem aparecer ainda alternativa aos partidos.

As mobilizações “cidadãs” e as iniciativas inorgânicas, assim como o enorme movimento associativo autónomo que existe pelo país, ainda não encontrou forma de se juntar. A política e a cidadania ou encontra o meio de corporizar a alternativa às organizações existentes ou cria semelhantes.

(Lembremos que Lenine gostava dos sovietes se o partido bolchevique os controlasse).

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Posso dizer Catrapum ou espera-se uma semana.

Governo a cair para cima ...de Cavaco Silva.Jul.2013

O balão em queda do governo largou o contrapeso Gaspar para tentar manter-se a voar.

Agora saltou o co-piloto e outros tripulantes preparam os para-quedas.

Será que consegue manter-se até segunda-feira? Ou vai cair para cima…

…para cima de Cavaco Silva.

Está na hora do governo ir embora.Jul.2013

Quando ponho aqui CATRAPUM ?!

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domingo, 19 de maio de 2013

Sondagem. Mais de 80% contra a troika. Democracia já!

oclarinet.blogspot.com - Denunciar acordo com a troika. Mai.2013

Dos inquiridos pela Eurosondagem só 10,8% consideram que o memorando da troika deve ser cumprido.
41,5% Defendem a denúncia do memorando e 41% a sua renegociação.

A maioria política da Assembleia da República já não representa o desejo da maioria dos portugueses.

O presidente da República, eleito por 23,15% dos eleitores, também não interpreta o sentimento maioritário existente na sociedade portuguesa.

É hora de povo português voltar a votar para eleger um Parlamento representativo da sua vontade.

Eleições!

Em nome da Democracia!

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

O voto em branco.

branco


O voto em branco nas legislativas é contabilizado junto com os nulos, ao contrário das presidenciais onde não conta. Com essa contabilização fica-se apenas a saber quantos são, mais nada. Mas para que serve objectivamente? Para nada daquilo que são os objectivos (mais ou menos divulgados) de quem vota em branco.

Como forma de protesto contra a classe política não resulta, nada acontece aos políticos, não deixam de ser eleitos. Os que são eleitos são-no legitimamente, e são tão representativos com a percentagem de votos brancos e nulos, como se houvesse mais um ou dois pequenos partidos com essa percentagem.

Ninguém deu importância aos votos brancos e nulos das anteriores eleições, nestas será igual. Não se pode afirmar o que representam, as motivações serão várias e até contraditórias, não tem efeito político porque não tem políticas, não vincula ninguém, é um acto oco. Aqueles que votam em branco porque não se identificam com nenhum político também não se identificam com os outros que votam em branco; se houvesse movimento seria cada um para seu lado. O que pensa o voto em branco sobre a nacionalização da CGD?

O voto em branco tem sido expressão do radicalismo inconsequente e do desalento legítimo pela governação e pelo sistema político. Mas não é passando ao lado da intervenção política que as situações negativas se alteram, pelo contrário, terão de ser políticos eleitos a melhorar a democracia, pois políticos não eleitos não estão interessados na democracia.

As medidas que afectarão os portugueses nos próximos tempos, apesar do memorando da troika, dependem da composição do parlamento. Votar em branco nestas circunstâncias é para além de abdicar da escolha dos seus representantes, votar nos vencedores que se perfilam. Quem votar em branco não pode dizer que não votou nos políticos que vão governar, eles serão eleitos também pelos votos brancos e abstenções.

Por outro lado o voto branco conta na conversão de votos em mandatos, diminuindo a percentagem necessária para eleger deputados, ou seja votos em branco de eleitores de esquerda podem contribuir para eleger um deputado do CDS e votos em branco de eleitores de direita eleger para o BE. Votar em branco não só não impede a eleição dos deputados, como podem ajudar a eleger deputados que nunca o eleitor desejaria. Onde está o protesto?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha do Bloco de Esquerda pelo voto útil.

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O Bloco de Esquerda e o PCP/CDU votaram com a direita o derrube do governo. Sem a sua colaboração as eleições não estavam a decorrer, e não havia memorando da troika. Quando decidiram forçar eleições ou sabiam que íamos estar nestas condições, a dias de um eventual governo de direita ultra liberal com possível maioria parlamentar de direita, ou enganaram-se e isso justifica a sua campanha “dos aflitos” – para perder poucos deputados.

Passos Coelho só governaria com o FMI (eu escrevi-o há muito), e sabia que a instabilidade política provocada pela queda do governo, levaria ao incomportável aumento das taxas de juro dos empréstimos e à intervenção do FMI/BCE/CE.
PCP e BE não achavam inevitável a vinda da troika. Não sei o que Bloco e PCP previram, (crescer eleitoralmente?) mas é evidente que não contavam com a resistência do PS, tal como Passos, que pedia maioria absoluta, e não fez acordos pré-eleitorais com o PP – o governo que deseja.

É grave se BE e PCP derrubaram o governo apenas para mudar a liderança do PS, conduzindo ao poder do país, a facção mais extremista do neo-liberalismo que quer arrasar todos os direitos e conquistas de muitos anos.

É verdade que o pendor liberal de Sócrates promoveu muitos atentados ao Estado Social, aos direitos dos trabalhadores, etc; que houve má gestão, compadrio e o mais que estamos fartos de denunciar. Mas o BE e o PCP sabem, que tudo isso foi muito moderado se comparado com o que Passos Coelho se propõe fazer.

A campanha contra “o homem” por um governo de esquerda (com quem?) é bizantina, destina-se apenas a limitar prejuízos partidários, não é eficaz para contrariar as medidas mais nocivas da troika, e leva à abstenção da esquerda moderada.
O BE e PCP seriam úteis se levassem aqueles que pensam votar em branco ou abster-se, a votar contra um parlamento de direita, é lá a primeira frente de oposição às medidas. Isso não se consegue a bater no “ceguinho”, é a falar das situações concretas da Escola Pública, do SNS, da Segurança Social, da privatização da CGD, etc. Dizer que Sócrates e Passos Coelho pensam o mesmo sobre essas matérias é uma tolice.

O voto será útil no BE ou no PCP/CDU onde estão próximos de eleger deputados à direita; mas se a direita vier a ter uma maioria no Parlamento, mais deputado menos deputado, interessa ao próprio e à família dele.

Voto à esquerda, por uma assembleia de esquerda, sem opção que não seja engolir um sapo, … ou um jacaré.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Privatizar as Águas? Olhe-se para a Grécia.

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O que se passa actualmente na Grécia, com dificuldades em cumprir o “Memorando de Entendimento” que assinaram com a troika, e o abandono a que foram votados pelos ricos da Europa, devia centrar as preocupações nacionais.
O que devia estar a ser discutido na campanha eleitoral era o programa de governo que a troika impôs, a sua aplicação na situação portuguesa, e as consequências.

Temos passado o tempo com as gafes de Passos Coelho e as respostas de Sócrates às rábulas, esquecendo as certezas que nos esperam.
A esquerda contribui para o debate autista; ao PS não interessa admitir o que assinou, e à sua esquerda temos a demagogia de que é possível continuar como se nada tivesse acontecido no mundo. A ideia que temos uma crise isolada, criada por um só homem, não entra em casa de ninguém que tenha televisão.

PCP e Bloco gastam o tempo a atacar um governo que tem uma semana de vida e que está mais que avaliado. Os portugueses querem saber quem vai governar a seguir. Se as intenções de voto no PS são muitas não é por não se saber o que Sócrates fez (de positivo e de negativo), há muita gente que o apoia para governar nas circunstâncias especiais que aí vêm. Numa semana isso não vai ser alterado.

Já antes referi aqui a privatização das águas. A Grécia não queria privatizá-las, nem os portos, a ferrovia, os correios, entre outros, mas o governo de Papaconstantinou (finanças) está a ser obrigado a fazê-lo, por causa do incumprimento das metas acordadas.

 O “nosso” “Memorando de Entendimento” nas medidas orçamentais estruturais – Privatizações, (pág.14 trad. ponto 3.31) – não refere qualquer privatização das águas até ao final de 2011. Mas diz também que: “O governo identificará, na altura da segunda avaliação trimestral, duas grandes empresas adicionais para serem privatizadas até final de 2012”. Aquando da avaliação já teremos outro governo. Passos Coelho já disse que quer privatizar as Águas de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos, Sócrates e o PS, assim como a restante esquerda já disseram que se opõem.

Se Passos Coelho for o próximo primeiro-ministro e tiver uma maioria parlamentar os bens públicos levam sumiço.
Só um esforço contra a abstenção e o voto branco (que vai para o vencedor) pode evitar a privatização das Àguas e CGD.
Mesmo assim e olhando para a Grécia, é capaz de não chegar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Passos Coelho contra a "lei do aborto", admite novo referendo.

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Passos Coelho que esteve “do lado daqueles que acharam que era preciso legalizar o aborto” como disse hoje; não resistiu à pressão de estar a dar uma entrevista na Rádio Renascença e passou a querer reavaliar a lei admitindo “um novo referendo sobre a matéria”.

A minha primeira reacção, é perguntar àqueles que se querem abster ou votar em branco nas próximas eleições, permitindo assim que as forças mais retrógradas sejam poder, se não ficam incomodados. Se não os incomoda que haja mulheres que voltem a ser consideradas criminosas, se não os incomoda o regresso das mulheres ao mundo do aborto clandestino. Respondam dia 5.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Merkel volta a perder. Bélgica e Itália ameaçadas pelas agências de rating.

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                                                   Rincospermum

Europa ao rubro; ataque ao euro, mudanças políticas trazem maior instabilidade.

Na sexta-feira a agência Fitch cortou mais uma vez o Rating da Grécia (que ameaça declarar bancarrota). No sábado foi a Standard & Poor´s a ameaçar cortar o rating da dívida soberana de Itália, e ontem a Fitch fez o mesmo à Bélgica, seguindo a Standard & Poor´s que já em Dezembro o tinha feito. As taxas em Espanha bateram records, primeira consequência visível da derrota do PSOE a nível local.

No caso da Bélgica, com uma dívida soberana superior à irlandesa e à portuguesa, e sem governo, só é de estranhar ter demorado tanto tempo a ser atacada. A Itália idem, pois tem a segunda maior dívida da Europa logo abaixo da Grécia. A Espanha entrou para o “clube dos 10 mais ameaçados de bancarrota” para um desprestigiante 9º lugar; a possibilidade de lá se repetir o que agora ocorre cá – eleições antecipadas – deixou os mercados à toa e o euro numa aflição.

O que se passa na Europa é muito grave; à dificuldade de reacção à crise internacional por parte dos líderes europeus, junta-se a atitude penalizadora e restritiva das “ajudas” financeiras da União Europeia aos países em dificuldade.
Não surgem medidas para pôr cobro à economia virtual, numa estratégia da União contra os mercados especulativos. Há uma sensação de desagregação.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sócrates governa com Passos Coelho? Não é possível.

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As propostas de governo são um espanto. Começa mal esta campanha eleitoral. Ontem dizia aqui que com sound bites não vamos lá. Os partidos pouco mais têm para oferecer.

Parece haver um concurso entre as forças políticas para apresentar o governo mais irracional. É Sócrates a admitir governar com Passos Coelho e Portas a ministros. É Passos Coelho a dizer não aceitar governar com Sócrates; é Portas a afirmar que nem com Sócrates nem com o PS, e é PC e Bloco a dizer que fazem um governo de esquerda sem o PS – com 15% mais ou menos de votos. Nada disto é sério, e no entanto é central nas campanhas dos vários partidos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Novas Oportunidades - Nova argolada de Passos Coelho.

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Passos Coelho está próximo de conseguir um certificado de competência do nível do ex-presidente da República Américo Tomás, ou seja, ver editado em livro as suas argoladas. Uma coisa do género “Passos Coelho por ele mesmo”.

Ao ritmo a que produz matéria literária temos edição antes das eleições.

Passos Coelho, "o mais africano dos candidatos", que com esse cognome tentou caçar votos numa comunidade que nem se recenseia, considerou que a Iniciativa Novas Oportunidades, lançadas por Durão Barroso e acolhidas pelo governo PS, eram “uma mega operação que mais não fez do que atribuir um crédito e uma credenciação à ignorância”.

Sócrates, que não dorme em serviço, veio lembrar-lhe que estava a chamar ignorante a 500 Mil pessoas.

500 Mil pessoas, enfim… como bem demonstrou ontem Louçã no debate televisivo, pessoas não é a primeira coisa em que a direcção actual do PSD pensa quando define as políticas; mas não são 500 Mil pessoas, são 500 Mil eleitores.

Vai daí Passos Coelho vem emendar o tiro no pé (é preciso pontaria para continuar a acertar num pé tão esburacado) e dizer que “o que é importante não é combater as Novas Oportunidades, é combater que se gaste milhões de euros em acções promocionais das Novas Oportunidades”.

Miguel Sousa Tavares sugeria que se há dúvidas, se juntem 50 ou 100 pessoas com certificados para aferir os conhecimentos adquiridos.

Eu quero fazer o teste e exijo que Passos Coelho também o faça; não estudei nas Novas Oportunidades, fui bom aluno em “Português” e não consigo entender em que “atribuir um crédito e uma credenciação à ignorância” é similar ou tem algo a ver com “combater os gastos em acções promocionais”.
Sobre a Iniciativa Novas Oportunidades vai-se falar e esclarecer durante o debate no Parlamento. É notório que muita gente fala do que não sabe.

 Hoje há futebol, um intervalo no desporto da caça ao voto, desporto que Passos Coelho interpretou como tiro ao voto, a cada tiro mais uns votos a voar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Máquinas de propaganda. Passos Coelho lidera nas notícias de TV.

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Todos os que escrevem sobre as eleições fazem campanha, não há independentes, e muito menos entre os que defendem a abstenção ou o voto branco.
Uns andam a fazer pela vida outros pelas convicções, e muitos outros só pela satisfação do ego. O “egomarketing” era um luxo, só acessível a colunistas e directores da comunicação social até ao advento dos blogues e similares.

A difusão da opinião política individual permitiu uma maior intervenção cívica, o que é bom. Em contrapartida trouxe a democratização da asneira, não do que se diz mas do que se quer conseguir com o que se diz. Anda tudo convencido que tem muita influência sobre os outros, que o povo é estúpido e só precisa de reeducação, que lhe façam a cabeça.

A verdade é que as técnicas de propaganda clássicas estão a falhar, talvez pela primeira vez há atenção da população ao que se diz e faz em torno da política. Há a percepção de que as próximas eleições são cruciais para as suas vidas. E prestar atenção é não ligar ao secundário que enxameia os órgãos de comunicação social e a blogosfera.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Aumentar o IVA da electricidade - aumentar o IVA da restauração.

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Primeiro uma citação: “os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa aliás, a razão porque nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA”. Fim de citação – do livro “Mudar”, da autoria de Pedro Passos Coelho. O líder do PSD mudou, como manda o livro, e agora defende o contrário; prefere aumentar os impostos sobre o consumo a reduzir ordenados, (não conhece alternativa, diz ele) ou talvez não tenha mudado porque diz que o PSD não aumenta os impostos.
 De certeza mudou, como diz a capa do livro, porque ora diz uma coisa ora diz outra de sinal contrário.
Diga-se – porque é verdade – que Passos Coelho está a ser coerente com o que se propõe fazer…mudanças!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

(arquivo) Acabar com os governadores civis.


O fim dos governadores civis é razão para apoiar Passos Coelho? Não chega. Mais importante que as medidas popularuchas são aquelas que propõe para além das exigidas pela” troika”.
De qualquer maneira fica aqui um texto de 2009, sobre uma região que ficou lesada pelo desinvestimento no SNS; e sobre o seu Governador Civil.


«Alexandre Chaves, agora com o título de governador civil de Vila Real, é um homem confuso com a missão que pensa ter. Foi a Chaves defender que o Hospital de Chaves não é viável devido à falta de médicos; ora toda a gente sabe que nenhum hospital é viável sem médicos, seja em Chaves em Londres ou no Afeganistão. Um hospital sem médicos não é um hospital; o de Chaves já teve mais profissionais qualificados que agora, já foi mais hospital.

O problema reside na degradação dos serviços e no êxodo de médicos do hospital público; aliás gostaria que alguém fizesse as contas para ver se a região tem mais ou menos médicos; contem lá os que estão a exercer no distrito, incluindo aqueles das clínicas privadas que vão nascendo por todo o lado, e depois conclua-se a quem interessa a ruína do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Sendo Alexandre Chaves uma pessoa das Ciências Sociais, deveria pensar nas pessoas de menores recursos e sem os privilégios da ADSE e outras “caixas” especiais, que pagam com o dinheiro de todos os cuidados de saúde fora do SNS.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Passos Coelho insiste em privatizar a água e a Caixa Geral de Depósitos

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O programa do próximo governo é da "troika", mas as medidas podem ser alteradas desde que a "troika" aceite, por isso os eleitores ainda têm uma palavra a dizer.

Na sua entrevista de ontem à RTP o líder do PSD voltou a afirmar a sua intenção de privatizar a Águas de Portugal para além da Caixa Geral de Depósitos, da REN e EDP e outras que não especificou, e que decerto estarão no seu programa a apresentar no domingo. Algumas das privatizações estão no Memorando acordado com a “troika”; serão para fazer de imediato e ao desbarato, pois não é esta a altura de vender a não ser a preço de saldo.

No que diz respeito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) consta que os seguros e participações industriais estão previstos no Memorando. A parte da Saúde da CGD é iniciativa de Passos Coelho, é o bife mais apetitoso e desejado pelos privados, e Passos Coelho quer oferecer-lhes os lucros que têm sido públicos (de todos os portugueses).

Para além de prometer, caso seja eleito, entregar o sector da Saúde da CGD nas mãos privadas, Passos Coelho quer a privatização da própria Caixa Geral de Depósitos; dispersar em bolsa até 49% da CGD. Não houve reacção da esquerda parlamentar

A privatização das Águas de Portugal é um processo iniciado em 2004, para que o governo de Ferreira Leite tapasse os buracos financeiros. Depois o governo do Partido Socialista veio a privatizar empresas que faziam parte da holding Águas de Portugal e que tinham contratos de concessão com autarquias na gestão dos sistemas. A contestação à privatização veio de todos os sectores incluindo do PSD e do CDS. Durante todas as tentativas de privatização da água, ou alienação das competências dos municípios para a Águas de Portugal, sempre houve forças partidárias activas para a defesa desse bem público.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Acordo com a "troika" cria problemas à oposição.

Num post do dia 20 de Abril levantava o problema de haver ou não verdadeiras negociações entre o governo e o FMI/CE/BCE. Terminava com uma nota sobre o PS dizendo que quando lhe entregavam o ónus da negociação, isso tanto podia ser mau para o PS como “uma enorme vantagem eleitoral”. A parte do acordo divulgada por José Sócrates das “medidas que não vão ser tomadas” contradiz a análise que a oposição fazia das negociações.
Para o PCP e BE não havia qualquer negociação, por isso nem iam estar presentes, e PS + PSD + CDS concordariam com as medidas porque elas seriam o seu programa de governo. Independentemente de terem de assinar o acordo, e num hipotético governo terem de o seguir, não se pode dizer que são o programa do PSD ou do CDS.

sábado, 30 de abril de 2011

Pai emocionado em parto complicado.

Seria normal que o nervoso miudinho de um progenitor perante um parto difícil, no fim do trabalho estivesse abalado e desse largas à comoção. Eduardo Catroga que hoje (finalmente) entregou a sua gestação para adopção pelo PSD cumpriu a cena de fazer uma fita.
Ao jornal “Expresso” tinha declarado que “as gerações mais jovens deviam pôr este governo em tribunal”. Num país em que a Justiça deviam estar no banco dos réus, quem julgaria o governo? E porquê só este governo? É verdade que com o entupimento dos tribunais enquanto se julgava este governo não se julgavam os anteriores do PSD e do PS, os de coligação e de iniciativa presidencial, são todos eles e as oposições a condizer, que abriram caminho para a situação em que nos encontramos.
E Catroga sabe que os de Cavaco Silva, incluindo quando ele (Catroga) teve responsabilidades governativas, têm imensas culpas no cartório. São erros acumulados (sabemos hoje) durante décadas, que aumentaram os desequilíbrios da nossa sociedade ou não os souberam corrigir.
 O que preocupa é ver que os falhados do passado são chamados a fazer outra vez os programas para o futuro. E quando não redigem os projectos, andam por aí a influenciar, a espalhar a sabedoria que não provaram ter quando governaram; quase todos os ex ministros querem governar por fora quando foram incapazes de o fazer nos governos, de Augusto Mateus a Daniel Beça, de Pina Moura a Mira Amaral, etc; em duetos e mesas redondas, através de manifestos ou jantares, não saem de cena, é o vício do palco.
Não gostei de ouvir Eduardo Catroga choramingar que há uma geração que não deixou o país melhor para os jovens, qual geração? A geração que tem os filhos “à rasca”, ou a governação e os apêndices da governação, da geração que tem os filhos “à rasca”? Os da geração que trabalhou, poupou e progrediu ou da geração que nada fez, gastou à farta e atrasou o país. É que somos todos da mesma idade mas desempenhámos papéis diferentes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

PSD já tem Programa

O PSD veio dizer que já tem programa. Lê-se no “ionline” que o programa não chega às medidas concretas. Tem portanto acabado um programa sem medidas que possam ser discutidas entre os partidos e na sociedade. Uma folha A4 de generalidades ou 50 páginas de generalidades é o mesmo, não é programa de partido para quem quer governar um país, mas aguardemos.

O PSD tem dado a imagem, como tem sido observado por vários dos seus militantes “notáveis”, que não tem ideias próprias, essa mensagem passou definitivamente com o recurso a grupos Ad hoc onde o seu Gabinete de Estudos e o Instituto Sá Carneiro parecem cabular.

 O “fórum” Mais Sociedade” liderado por António Carrapatoso apresentou propostas aberrantes, mas aqui também temos de esperar pois só amanhã encerram os seus “trabalhos”. Eduardo Catroga líder da equipa do programa (sem medidas concretas do PSD) diz-se incomodado com os “carrapatosos”, Passos Coelho vai encerrar o “fórum” Mais Sociedade” “uma manifestação da sociedade civil”. Se os “carrapatosos” são sociedade civil eu sou militar.

O PSD tem um problema, grave, e Miguel Relvas confessou-o. Disse ele no ISCP, em Lisboa, que tem sondagens “traking diário” e vê a evolução, “como a coisa está, e vejo que sempre que falamos verdade, os portugueses retraem-se.”
Ora é com esta realidade que vai decorrer a campanha eleitoral, se o PSD diz a verdade sobre o que quer fazer ao país, o país não o deixa fazer.
Acredito.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Teixeira dos Santos passou de besta a bestial.

Eis um caso raro. É vulgar uma figura passar de bestial a besta, basta cometer um erro, e ter algum fidalgo que lucre em diminui-lo para cair do pedestal. No futebol, cujas relações entre o público e os actores são uma caricatura impressiva da sociedade, é frequente ver depreciar os heróis que antes se aplaudiam.
O inverso é difícil de encontrar; com esforço, tentando lembrar casos recentes, talvez o do guarda-redes Eduardo, que não valia nada quando foi seleccionado – dizia-se, e depois fez muito boa gente engolir o teclado.

Com Teixeira dos Santos o jogo é outro, como é bom de ver.

Teixeira dos Santos foi premiado nos jornais, e nos amplificadores das redes sociais, com todo o género de ataques, quer pessoais, quer às suas capacidades profissionais (até pelos seus catedráticos pares). Foi considerado por um artigo de tasca, do Financial Times, como o pior ministro das finanças da União Europeia; o que deu um festim de dixotes, rábulas e piadolas, pois isto de ter um estrangeiro a zurzir um português, tem mais patrióticos seguidores que o Facebook de Cavaco Silva. Nunca foi poupado por nenhuma das oposições no parlamento ou pelos comentadores de serão, o homem andava enfiado e percebem-se as suas razões.

Agora não entrou nas listas do PS, e os mesmos mariolas que antes o sovavam, mudaram de guarda-roupa, montaram os ginetes, e espadeiram por tudo quanto é microfone, câmara de TV ou página com letras, a indignação pela traição sofrida pelo douto personagem, agora portador de imensas qualidades e relevantes serviços prestados à governação.