quarta-feira, 20 de abril de 2011

Negociações com a troika. Há! Ou não há!?

PCP, Bloco de Esquerda e o partido “Os Verdes” recusaram encontrar-se com a delegação da “troika” (FMI, CE, BCE). Iniciaram-se as negociações mas é bom que se saiba que os remédios prescritos não são negociáveis. A forma de os tomar, e o número de tomas, no tempo em que durar o tratamento é que pode eventualmente sofrer alteração. Os partidos à esquerda do PS não foram impedidos de discutir o grau das medidas de austeridade com os negociadores internacionais, simplesmente não quiseram. O BE diz que não há nenhumas negociações, mas “espera que o governo cumpra o seu compromisso de informação aos partidos sobre as negociações em curso” (!?). O PCP também coloca a “exigência de informação” e acrescenta que tem alternativas como a “renegociação da dívida externa (prazos, juros e montantes) a diversificação das fontes de financiamento” etc. O PCP devia saber que negociações e renegociações de dividas são com os credores, e não com os cidadãos como eu que lêem os seus comunicados.

Regina Carter




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terça-feira, 19 de abril de 2011

(arquivo) O FMI já cá está. E agora...

Sabe-se que as medidas que vão ser impostas pelo FMI são mais duras que as do PEC 4. Já se sabia, todos sabiam, incluindo aqueles que pediram o FMI.
 O PEC 4 foi chumbado por quem achava excessivas as suas medidas de austeridade (a esquerda parlamentar) e por quem entendia que essas medidas não eram suficientemente severas (Passos Coelho que disse que deveriam ir mais longe). O menos da esquerda com o mais da direita deu mais, não porque a direita fosse mais no Parlamento, mas porque a política não é uma ciência exacta como a matemática; quem tem o programa de governação aprovado é a direita.
A esquerda parlamentar tem toda a campanha eleitoral para explicar à sua base de apoio a razão porque prefere um governo de centro-direita, a um de centro-esquerda.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ordem dos médicos contra vinda de médicos estrangeiros.

Faltam médicos no Serviço Nacional de Saúde, a maior carência é na especialidade de medicina familiar. Segundo a ministra da Saúde haverá cerca de 500 mil utentes sem médico de família. O fornecimento lento de novos clínicos pelas universidades, vai demorar a colmatar as necessidades.
É sabida a razão desta carência; durante anos a própria Ordem contribuiu para dificultar o acesso ao estudo da medicina, mesmo agora reagem negativamente à criação de novos cursos. Jovens portugueses têm de ir estudar medicina para o estrangeiro. A somar à situação criada pela Ordem dos Médicos e os sucessivos governos, que não planearam a formação, houve nos últimos tempos um grande número de reformas, umas precoces outras por limite de idade. O suporte por parte do Estado da medicina privada fez o resto.
O facto é que não há médicos, ou não chegam aos serviços de saúde públicos.
Não devia ser admissível contratar médicos estrangeiros mas é inevitável, na perspectiva dos utentes que têm direito a ter cuidados de saúde familiar.
Não se concebe a oposição da Ordem dos Médicos ao contrato de estrangeiros quando sabem que há doentes sem médico. O argumento da falta de preparação para o exercício da medicina não colhe, se servem para os doentes dos seus países, e os cursos que têm são reconhecidos pelas nossas universidades, e pela OMS, servem para os nossos doentes. O não conhecimento do funcionamento do nosso SNS até pode ser uma vantagem para os utentes, vêm sem vícios. Já tive uma médica de família que só atendia os doentes do Centro de Saúde, depois de despachar todos os delegados de propaganda médica que aí a visitavam; o tempo para as consultas no seu consultório particular era demasiado valioso para ser ocupado nos negócios com os laboratórios.
Agora vieram 42 médicos colombianos, que venham mais até suprir as necessidades dos utentes da saúde.
A Ordem dos Médicos devia estar a defender o Serviço Nacional de Saúde e não a arranjar argumentos para levar mais portugueses para a medicina privada, que não podem pagar, nem o Estado continuar a pagar por eles.


Resultado dos "Verdadeiros Finlandeses" põe em causa o sistema político finlandês.

Não existe qualquer segredo para a subida da extrema-direita na Finlândia. Para além dos especuladores dos mercados que estão a ficar mais ricos, quem tem lucrado politicamente com a crise económica europeia, e a situação de endividamento da Grécia, Irlanda e Portugal, tem sido o populismo ultra nacionalista, em vários países.
No caso finlandês, o país nórdico de maior abstenção, o populismo do seu líder Timo Soini arregimenta os eleitores insatisfeitos com os grandes partidos.
O discurso do medo, de ficarem sem dinheiro para as suas garantias sociais pegou; contra a União Europeia “solidária” para defesa do euro. As eleições coincidiram com os pedidos de ajuda das economias mais frágeis.
Em 2007 os “Verdadeiros Finlandeses” tiveram 4,1% de votos nas legislativas, no Verão de 2008 eram 5% as intenções de voto, e em Maio de 2010 já 10%; os auxílios à Irlanda e à Grécia possibilitaram as subidas em flecha, culminando nos 17,9% antes destas eleições, graças  à situação portuguesa.
Embora os “Verdadeiros Finlandeses” tenham nas suas fileiras candidatos da associação Sisu, designados Neo-Nazis, sejam anti-imigração e contra a União Europeia, é a crise do modelo partidário, do sistema democrático aparentemente estável, mas do qual cada dia mais finlandeses se afastaram, que permite a subida de um agrupamento de protesto, ao nível dos partidos da governação.

sábado, 16 de abril de 2011

Marinho e Pinto quer fazer de Fernando Nobre!?

Marinho e Pinto veio sugerir que se calhar era melhor não votar nas eleições. Calha que não é melhor para ninguém a não ser para quem ganha. Abster-se é votar no que vai à frente, é deixar que outros decidam por nós. Os deputados são eleitos independentemente do número de votos, muita gente vai sempre votar, e o SE; - se ninguém votasse, se eu mandasse, se todos fossem tão inteligentes que votassem como eu, e outros ses – são fantasias como o Sr. Bastonário sabe.
Explorar sentimentos de frustração não é próprio de quem tem tido, e bem, participação cívica exemplar, particularmente na denúncia dos atropelos e arbitrariedades da Justiça.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vermo-nos gregos. Já se começa a ver o significado.

A ajuda à Grécia esteve dependente das eleições regionais na Alemanha, aqui também. Agora são os finlandeses que vão a votos no domingo, e quase metade deles põe em causa a sua participação no auxílio a Portugal. Apoiar a Grécia ou Portugal ou a Irlanda, tem sido bandeira de campanha eleitoral nos países onde há eleições. Populismo fácil, por um lado, mas também compreensível, na medida em que parte da riqueza criada nas economias mais prosperas, acaba por ser canalizada para países que têm usado mal os fundos estruturais. Também aqui, quando foi de juntar o dinheiro para ajudar a Grécia, havia muito boa gente a opor-se.
O Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira não funciona em termos de um ou outro país, mas da situação na zona euro. O risco de findar o projecto europeu é uma realidade. O facto de os juros da dívida espanhola também terem hoje disparado é um sinal que os problemas podem não findar em Portugal.
O que inquieta mais que o alarido trágico/mediático que deixa todos alarmados, é perceber-se como de um dia para o outro, os juros das dívidas sofrem aumentos exponenciais. Bastou o ministro das finanças alemão Wolfgang Schauble dizer numa entrevista que a Grécia terá de reestruturar a dívida, para os especuladores agravarem os juros, já antes Merkel vinha dizendo que os credores terão de assumir algumas perdas; e perda não é o negócio dos mercados.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Oliveira e Costa comprou acções da SLN por 2,10 euros e vendeu a Cavaco Silva a 1 euro.

Segundo noticia a TSF, para além de Cavaco Silva foi abrangida pelo Maná a sua filha Patrícia Montez. A revelação foi feita pelo inspector tributário Paulo Jorge Silva no tribunal que julga o caso BPN, segundo o inspector que participou na investigação, as acções adquiridas na offshore Merfield por Oliveira e Costa eram parte (250 mil) de um lote de 1.750.000 acções compradas por Oliveira e Costa. Com o “negócio”, o banqueiro que vendeu 100.360 acções a Cavaco e 149.640 à filha do presidente, perdeu 275.000 Euros, vendeu o resto do lote com lucro.
Acrescento eu pois já deve andar esquecido, que Cavaco Silva e Filha ganharam depois na venda destas acções 140% (147,5 mil euros para ele + 209,4 mil euros para a filha).

terça-feira, 12 de abril de 2011

(arquivo) A trapalhada em que nos metemos. (1)


As taxas de juro da dívida estavam em queda antes da entrega no Parlamento do famoso PEC que derrubou o governo; 7,3% a 10 anos e 7,6% a 5 anos, hoje, 15 dias depois, estão a 9 e 10,23% respectivamente. O efeito da queda do governo está à vista e interessa pouco saber se o PSD e o CDS, mais o Bloco de Esquerda, o PCP e Os Verdes, pensaram nas consequências do derrube de Sócrates nesta altura. Está feito. O rating da Republica está próximo de lixo, a banca perdeu centenas de milhões em bolsa, recusa financiar o Estado que a protegeu na crise, e o crédito às famílias e às empresas vai escassear. Na 5ª feira espera-se que o BCE aumente as taxas de juro para suster a inflação; as matérias-primas, objecto dos especuladores, estão em alta, tal como o petróleo que hoje cotava a 122 dólares o barril, devido à guerra de saque promovida pelos EEUU e a NATO na Líbia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fernando Nobre; pilar da cidadania tinha pés de barro

Qualquer cidadão pode aderir ou candidatar-se por um partido, ninguém tem nada com isso. Quando esse cidadão só tem como imagem na política, o facto de ser obstinadamente contra os partidos, é feio. Se esse cidadão juntou milhares de outros cidadãos convencendo-os de que era genuinamente contra os partidos, e em seguida concorre por um partido, é condenável.
Acabei de ver no “Jornal da Noite” da RTP1, a entrevista de Fernando Nobre a Judite de Sousa na campanha presidencial. À pergunta se “aceitaria a proposta de algum partido para ser eleito deputado”. Respondeu, “categoricamente não!”
O, categoricamente não! De há poucos meses, com o aceitar agora, define a categoria da personagem. Por isso anda tanta gente a acusá-lo de traição, tantos que no Facebook já retirou a página de comentários