sexta-feira, 29 de abril de 2011

Granizo na Amadora

P4290016.JPG Granizo na Amadora
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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aumento do custo de vida 1975/1977.

SCAN0068.JPGCusto de vida


Antes que o FMI e os “amigos europeus” nos passem a factura do empréstimo, e toda a gente venha chorar dificuldades, reais ou só para fazer coro, veja-se neste quadro os problemas doutros tempos. Os portugueses pagavam a austeridade antes da adesão ao euro de outras formas.
Através da desvalorização da moeda – o velho escudo – que chegou a ser de 1% ao mês quando cá veio o FMI; chamava-se “desvalorização deslizante” e quanto mais deslizava mais caros se tornavam os produtos estrangeiros, fossem importações fossem as férias da Páscoa nas Caraíbas ou outro destino fora de portas; produtos estrangeiros mais caros, menos acessíveis, sustinham o deficit externo que é hoje o nosso grande problema.
Por outro lado através da inflação – que na vinda anterior do FMI chegou a 40% – anulava os aumentos de ordenados e ainda lhes comia um pedaço, o aumento do custo de vida sentia-se no acto de fazer compras dos bens essenciais. Para além da diferença psicológica de não ver os salários reduzidos ou congelados como hoje, o efeito era naturalmente o mesmo, o dinheiro não chegava.

Obs: Encontrei este quadro num jornal da época, curiosamente casei-me em 1975 e o meu primeiro filho nasceu em 1977, os preços dos bens essenciais subiram neste intervalo de dois anos para o dobro e mais em alguns casos.
 Os ordenados “acompanhavam” a inflação como se vê…

Salário mínimo em  27  de Maio de   1974     » 3.300$00
    “           “            16 de Junho de   1975     » 4.000$00
    “           “              1 de Janeiro de 1977     » 4.500$00


terça-feira, 26 de abril de 2011

Teixeira dos Santos passou de besta a bestial.

Eis um caso raro. É vulgar uma figura passar de bestial a besta, basta cometer um erro, e ter algum fidalgo que lucre em diminui-lo para cair do pedestal. No futebol, cujas relações entre o público e os actores são uma caricatura impressiva da sociedade, é frequente ver depreciar os heróis que antes se aplaudiam.
O inverso é difícil de encontrar; com esforço, tentando lembrar casos recentes, talvez o do guarda-redes Eduardo, que não valia nada quando foi seleccionado – dizia-se, e depois fez muito boa gente engolir o teclado.

Com Teixeira dos Santos o jogo é outro, como é bom de ver.

Teixeira dos Santos foi premiado nos jornais, e nos amplificadores das redes sociais, com todo o género de ataques, quer pessoais, quer às suas capacidades profissionais (até pelos seus catedráticos pares). Foi considerado por um artigo de tasca, do Financial Times, como o pior ministro das finanças da União Europeia; o que deu um festim de dixotes, rábulas e piadolas, pois isto de ter um estrangeiro a zurzir um português, tem mais patrióticos seguidores que o Facebook de Cavaco Silva. Nunca foi poupado por nenhuma das oposições no parlamento ou pelos comentadores de serão, o homem andava enfiado e percebem-se as suas razões.

Agora não entrou nas listas do PS, e os mesmos mariolas que antes o sovavam, mudaram de guarda-roupa, montaram os ginetes, e espadeiram por tudo quanto é microfone, câmara de TV ou página com letras, a indignação pela traição sofrida pelo douto personagem, agora portador de imensas qualidades e relevantes serviços prestados à governação.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Onde estava no dia 25 de Abril de 1974?"

O dia 25 de Abril começou mal, soube da chegada de tropas a Lisboa por um passageiro do comboio descendente (como diria o Zeca) de Queluz para o Rossio, muito cedo. Eu levava um grande saco, e o meu companheiro não soube dizer que tropas eram.
Aproximava-se o 1º de Maio e os meses anteriores foram de intensa actividade política para todos os que fazíamos oposição ao regime. Tinha sido o aproveitamento da abertura marcelista nas eleições com o Movimento Democrático, o apoio expresso aos presos políticos, a actividade no Sindicato dos Técnicos de Desenho, para além da acção semi-clandestina que se sabia vigiada pela “bufaria” da polícia política.
Resultou numa exposição demasiada e esperava-se por isso a visita da PIDE a casa de alguns militantes, não havia nada a fazer senão salvar os bens que a polícia gostava de pilhar; brochuras clandestinas, livros proibidos, papeladas, panfletos etc. Era o conteúdo do saco que transportava… e logo nesse dia.
Desde o 16 de Março (ensaio das Caldas) contávamos com um levantamento militar anti-fascista, mas também corria entre nós a informação que Kaúlza preparava um golpe de extrema-direita, de antecipação.
O saco era um problema se na estação do Rossio estivessem tropas, e não fossem amigas – foi com esse receio que fiz a viagem.
Não estavam. Segui para a Junqueira, onde estava a trabalhar, deslocado pela ITT para fazer um levantamento de material obsoleto da NATO. Era o esconderijo para o saco até passar o 1º de Maio, a PIDE não iria a armazéns com trastes da NATO à procura de coisas “subversivas”.
Fechei o saco num cacifo, trouxe a chave e saí a galope, Alcântara, Santos, Cais do Sodré, Rua do Alecrim…e na subida vi o primeiro soldado, deitado, de capacete de aço e arma pronta. À volta alguns populares de pé e nas calmas faziam-lhe perguntas, o rapaz só sabia que tinha de estar ali. Do lado direito, por cima de um tapume, viam-se as janelas da António Maria Cardoso, de lá, daí a umas horas a PIDE faria as únicas vítimas mortais da Revolução de Abril.
As imagens deste soldado e das janelas do edifício da PIDE visto daquele ângulo estão registadas em filme, assim como tudo o que passou no Largo do Carmo onde estive, o Francisco Sousa Tavares em cima dum tanque, os tiros para o quartel, a espera pela rendição de Marcelo Caetano.
E foi assim passado o dia, iniciado com muita tensão e findado com imenso alívio. Depois dos pulos, dos abraços aos conhecidos que iam chegando, cantando o “povo unido jamais será vencido”, vitoriando os heróis fardados decorados com cravos, numa alegria colectiva incontável, acabei o dia sentado nos Restauradores com a minha namorada (não sei como me encontrou) a comer morangos.
 Os morangos ficaram para mim como símbolo desse dia, têm uma vantagem sobre os cravos, não murcham como as Revoluções.

Este post é baseado num artigo que fiz em 2003. Este ano estou murcho para escrever sobre o 25 de Abril – eu até sei porquê…

domingo, 24 de abril de 2011

Quem ajuda quem? FMI prevê lucros de 524,8 Milhões de dólares.

O resgate das dívidas soberanas na Europa caiu do céu para o FMI.
 Com resultados negativos em 2007, devido “à liquidação antecipada dos empréstimos da Indonésia, Uruguai, Sérvia e Filipinas”, e em 2008 por causa das indemnizações por saída de 591 funcionários, o Fundo Monetário Internacional só em 2009 teve resultados positivos com as receitas dos empréstimos à Arménia, Bielorrússia e Letónia, fechando o ano fiscal em Abril de 2010 com 363,2 milhões de dólares de lucro.

Para o ano fiscal que encerra a 30 de Abril de 2011 o FMI reviu as previsões em alta, para resultados operacionais de 524,8 milhões de dólares, graças aos novos empréstimos (aprovados no ano fiscal em curso) à Irlanda e à Grécia, que são os maiores da história do Fundo.

A “ajuda” a Portugal contará para as previsões dos lucros seguintes, não se sabendo ainda o valor da taxa a cobrar pelo FMI. “A Grécia paga cerca de 3,3% e a Irlanda entre 3 e 4%, consoante os prazos”. As taxas não são muito elevadas comparativamente com o valor do mercado especulativo, mas são enormes em função do crescimento económico previsto nos países europeus em dificuldades.

O crescimento das economias grega, irlandesa e portuguesa, do qual depende o pagamento das “ajudas” em tempo que não arraste a crise nestes países por muitos anos, está, como se sabe, dependente do grau de recessão que as medidas restritivas do FMI/EU/BCE causem.

Se os termos da negociação de Portugal com a troika não forem vantajosos para todas as partes, e apenas servirem para enriquecer os fundos do FMI da UE e do BCE, teremos de disser: Eles comem tudo… eles comem tudo… e não deixam nada

sábado, 23 de abril de 2011

Doutor João dos Santos - Documentário na RTP2.

                                      P4230009.JPG Doutor João dos Santos
                                       Busto do Doutor João dos Santos no Jardim das Amoreiras

Doutor João dos Santos, Lisboa – 1913-1987

Professor, pedopsiquiatra e psicanalista
Grande renovador da saúde mental em Portugal

Pedagogo de pais, de crianças e de educadores
Humanista e pioneiro na defesa dos direitos das crianças

Fundador de instituições de protecção da infância e de promoção da saúde mental

1952 – Secção de higiene mental dos Centros Materno-Infantis

1953 – Centros Psico-pedagógicos

1954 – Colégio Claparède

1956 – Centro Helen Keller

1958 – Associação Portuguesa de Surdos
            Liga Portuguesa de Deficientes Motores

1965 – Centro de Saúde Mental Infantil e Juvenil de Lisboa

1971 – Liga Portuguesa contra a Epilepsia

1983 – Instituto de Apoio à Criança

O documentário “Photomaton – Retratos de João Santos” passa dia 25 de Abril, às 14:00h na RTP2.
Sobre o Doutor João dos Santos e o documentário, escreve aqui Clara Castilho, psicóloga, que trabalhou com o Professor, e que actualmente faz parte do corpo de terapeutas do Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia.

Um conto de Rubem Fonseca - no Dia Mundial do Livro.

                                             SCAN0065.JPG Rubem Fonseca
                                   O Agente

A placa dizia “Imobiliária Ajax”, e o agente subiu ao segundo andar. Na sala só havia uma mesa, uma cadeira e um homem sentado nela, imóvel, olhando o tecto.
  O agente olhou para ele e disse:
  “Sou do Instituto de Estatística e venho fazer o seu questionário.”
  “Que questionário?” perguntou o homem que estava na mesa.
  “Nome, nacionalidade, estado civil – esses dados todos.”
  “Para quê?”
  “Para o recenseamento, para sabermos quantos somos, o que somos.”
  “O que somos? Isso não”, disse o homem da mesa, com certo pessimismo.
  “O recenseamento nos dará a resposta de tudo”, disse o agente.
  “Mas eu não quero saber de mais nada”, disse o homem. “O senhor não está vendo”, acrescentou, subitamente aborrecido, “que eu estou ocupado?”
  O senhor me desculpe”, disse o agente, “mas sou obrigado a preencher a sua ficha, o senhor também é, de certa forma, obrigado a colaborar. O senhor não leu a proclamação do presidente da República?”
  “Não.”
  “Foi publicada em todos os jornais. O presidente disse – “
  “Isso não interessa”, disse o homem levantando da cadeira abrindo os braços, “por favor.”
  Mas o agente, lápis em uma das mãos e formulário na outra, não tomou conhecimento do pedido. “Seu nome?”, inquiriu.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Florbela Espanca (é) A vida.

              SCAN0061.JPG Florbela 61

                        A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém,
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo “Pedro Sem”,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre…desfaz-se…
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida…

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Florbela Espanca

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PS à frente nas sondagens, PSD e BE descem.

(sondagem actualizada-1/6-aqui)

Primeira pergunta; para que vão servir as eleições? PS sobe 12% em um mês, PSD perde 11%, CDS e CDU sobem um ponto, Bloco de Esquerda desce dois.

O PS vai buscar votos directamente ao PSD e recupera do BE, PSD perde para o CDS e PS, CDU fixa o seu eleitorado e o BE desce dois pontos confirmando-se partido refúgio dos votos descontentes do centro-esquerda; o voto útil a começar a fazer a sua caminhada.

Uma sondagem ainda com 36% de indecisos, e antes da campanha eleitoral não é muito significativa, ou seja, é tanto como as anteriores que davam maiorias de direita. Serve para recentrar a campanha e a discussão política, confirmando que não basta ao PSD controlar a grande comunicação social para ganhar eleições.

A maioria dos portugueses acreditam hoje na inevitabilidade das medidas de austeridade, apenas estão com dúvidas se essas políticas devem ser aplicadas por um governo mais do centro-esquerda ou do centro-direita.

Não surpreende o empate técnico entre PS e PSD, e deixa no ar a interrogação pertinente; para que vão servir estas eleições? O mesmo é dizer, para que foi o derrube do governo? Só para os PSDs tentarem ir ao pote? Com estes custos?

Significativo é o facto de Cavaco Silva ser o primeiro presidente da República com popularidade negativa. Aqui acredito em pleno na sondagem. Cavaco é o obreiro da trapalhada política em que estamos metidos, e isso os portugueses perceberam.