quinta-feira, 9 de junho de 2011

A inflação desce mas o BCE vai subir juros.

Eurotower

Jean- Claude Trichet presidente do BCE anunciou hoje que a taxa de juro, que por agora se mantém nos 1,25%, na reunião de Julho poderá ser aumentada.
Sendo a maior preocupação do Banco Central a estabilidade dos preços, e não havendo subida da inflação, o aumento da taxa de referência do banco central chegará na pior altura. Vai penalizar sobremaneira as economias mais débeis; particularmente as famílias com créditos de habitação, e as empresas que necessitam de recorrer ao crédito.

Em Portugal e segundo o INE o Índice de Preços no Consumidor aliviou de 4,1% em Abril para 3,8% em Maio.
No conjunto da zona euro a inflação baixou muito ligeiramente de 2,8 para 2,7%.

Com juros baixos no BCE, o crédito bancário está a tornar-se mais caro e mais difícil de conseguir, cada aumento no BCE por mais leve que seja, levará a novas subidas das taxas da nossa banca. Vamos enfrentar momentos que serão difíceis; de incumprimento por parte de muitas famílias e empresas, de paralisia de muitas das actividades económicas.

Com todos os santos a empurrar para baixo, das instituições internacionais, ao governo que aí vem – que quer ir além das medidas restritivas da troika, só pode irromper uma recessão mais profunda que a anunciada.
Com a implementação das medidas da troika que ainda (lembre-se) não estão a ser aplicadas, é de esperar não um Verão quente mas um Outono a escaldar; nessa altura não haverá partido que controle o desagrado popular generalizado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O jornalismo dos "directos" para coisa nenhuma.

oclarinetjornalistasjun2011

Os jornalistas correm, atropelam-se, empurram-se, furam por entre a multidão de colegas, para ter o microfone ou gravador perto de quem querem tirar umas palavras, os homens das câmaras fazem o mesmo à procura do melhor ângulo; para o filme, o directo, ou a foto. Atrás, uma parafernália está montada, meios técnicos e humanos foram deslocados para levar ao telespectador a notícia fresca, acabada de fazer. Na ponta disto tudo – um papel! É verdade, um papel a que chamaram “comunicado”, que podia ir para as redacções dos órgãos de comunicação por qualquer outro meio; fax, e-mail, pombo-correio ou pelas redes sociais tão do agrado dos políticos.
Num país em crise, onde se pede a todos contenção nas despesas, dezenas de trabalhadores pagos para exercer profissões especializadas, são enviados para fazerem de paquetes, outros para filmar o paquete e outros para levar a todas as casas o filme do paquete. Estes paquetes de luxo o que representam na produtividade nacional? Quanto custou ir buscar um comunicado ao vivo e em directo?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Líbia, NATO está a bombardear bairros civis em Tripoli.

LíbiaoclarinetJun2011


Intensificam-se os ataques a Tripoli por parte das forças da NATO, hoje, segundo jornalistas na cidade, estão a ser bombardeadas possíveis residências do líder líbio e família, as instalações da rádio e televisão e quartéis da guarda revolucionária. Estão também a ser atingidos bairros civis na zona sudoeste da capital.
Kadhafi faz hoje 69 anos, e a data parece ter sido escolhida pela NATO para o recrudescimento da guerra contra a Líbia. Os ataques aéreos já há muito que estão a ser feitos desrespeitando o mandato da ONU, que era de garantir uma zona de exclusão aérea.
Segundo Rolando Segura, enviado especial da Telesur (em cima, na imagem de hoje) o número de incursões da NATO ultrapassa as 10.000, Rolando já tinha reportado anteriormente que 40% das munições usadas pela Aliança Atlântica continham urânio empobrecido, substância radioactiva que ficará no território da Líbia; causadora de cancros, complicações neuro-degenerativas e má formação congénita nos humanos.
Enquanto a União Africana, a China e a Rússia envidam esforços para o estabelecimento de um cessar – fogo, a NATO pretende em reunião a efectuar amanhã vir a integrar mais países nos ataques.
Segundo alguns observadores, o que estará em causa na guerra de agressão ocidental à Líbia já não seria apenas (!) uma “guerra do petróleo”, mas a tentativa de efectuar um “desfalque” aos fundos soberanos detidos pelos bancos ocidentais. Kadhafi derrubado o dinheiro investido em segredo desaparece por não ter dono. Cá, BES e BCP devem estar à espera do resultado da guerra, e nós vamos percebendo cada dia melhor as causas destes conflitos.
Há milhões de razões para acabar com Kadhafi, contam-se em notas; os mortos inocentes serão apenas números de baixo valor.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Esquerda não assume responsabilidades na derrota.

ParlamentoJun2011



O conjunto da esquerda perdeu as eleições, não há outra leitura com um parlamento com maioria de direita. A CDU fala em vitória porque tem mais um deputado, em Faro, embora com a maior descida do PS nada tenham capitalizado. O BE, reduzido a metade, ainda acenou com um novo representante por Aveiro. Não há razão para festejos.

A capacidade de influenciar a governação é reduzidíssima, o seu papel na alteração das políticas quase nenhum; as suas propostas programáticas não têm votos na assembleia que as viabilizem.

 Com o PS em reflexão para descobrir o rumo e o líder, a restante esquerda fazia bem em repensar o isolamento em que está. A oposição e uma possível unificação da esquerda, para construir a alternativa ao poder da direita, pressupõem a análise dos equívocos estratégicos cometidos. PCP e BE não aparentam querer assumir quaisquer erros.

domingo, 5 de junho de 2011

Adam Smith nasceu a 5 de Junho de 1723.

AdamSmith-jun2011



Os seguidores das teorias económicas liberais acreditam que a lamparina acendida por Adam Smith no século das luzes, ainda deve ser a luz a seguir no século XXI. Das especulações defendidas numa época de direitos feudais e proteccionismo mercantilista para os dias de hoje muito se alterou e experimentou.

Adam Smith não podia saber que a aplicação da livre troca, que advogava para abrir os mercados aos produtos industriais ingleses, viria a dar no confronto entre sistemas produtivos tão diferentes como por exemplo, o chinês e o europeu. As condições em que se cria valor a partir do trabalho não são iguais entre economias distintas, nem o trabalho é o único factor de produção. Os ganhos não são iguais para todos os povos apenas pela livre troca comercial, pelo contrário, aumentam as desigualdades e a exploração pela necessidade de ser mais competitivo.

Para Adam Smith e seus seguidores, cada país deveria apenas produzir os produtos onde tivesse vantagens competitivas. Essa teoria da especialização aplicada mecanicamente a Portugal (pela União Europeia e os nossos governos) levou ao abandono do sector primário (agricultura e pescas) e à perigosa dependência externa de bens alimentares. Levou ainda ao encerramento de muitas indústrias e serviços. É por comprarmos o que os outros fazem com mais eficiência, e não termos produtos de igual valor para exportar com vantagem, que temos o défice que temos. Portugal tem contra si os países mais avançados, que vão buscar produtividade à tecnologia, e os países onde a exploração de mão-de-obra barata permite produzir a baixo custo. As soluções liberais traduzem-se cá em mais pobreza.

Adam Smith é conhecido popularmente (!?) pela ideia da “mão invisível”, dizia; “o comerciante ou mercador, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta, é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade”. O que a mão invisível da procura desenfreada de lucro a qualquer preço, está a fazer pela sociedade não é a trazer bem-estar; são mais horas de trabalho por menos vencimento, é trabalho sem direitos, é a precariedade e insegurança no emprego, é o desemprego.

Para Adam Smith os trabalhadores não merecem referência, e quem adopta as suas teorias nutre o mesmo desprezo por quem trabalha. E no entanto muitos trabalhadores estão agora a votar, precisamente para escolher que facção do liberalismo querem a governá-los. E nas próximas eleições, se entretanto não organizarem a oposição ao que nunca lhes trará bem-estar – vão estar a fazer o mesmo.    

sábado, 4 de junho de 2011

Portugal-Noruega. Jogo decisivo Euro 2012.

Hoje 21 horas no Estádio da Luz


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    Adepto equipado a trabalhar em equipa...                                                   e a meter para o cesto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O voto em branco.

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O voto em branco nas legislativas é contabilizado junto com os nulos, ao contrário das presidenciais onde não conta. Com essa contabilização fica-se apenas a saber quantos são, mais nada. Mas para que serve objectivamente? Para nada daquilo que são os objectivos (mais ou menos divulgados) de quem vota em branco.

Como forma de protesto contra a classe política não resulta, nada acontece aos políticos, não deixam de ser eleitos. Os que são eleitos são-no legitimamente, e são tão representativos com a percentagem de votos brancos e nulos, como se houvesse mais um ou dois pequenos partidos com essa percentagem.

Ninguém deu importância aos votos brancos e nulos das anteriores eleições, nestas será igual. Não se pode afirmar o que representam, as motivações serão várias e até contraditórias, não tem efeito político porque não tem políticas, não vincula ninguém, é um acto oco. Aqueles que votam em branco porque não se identificam com nenhum político também não se identificam com os outros que votam em branco; se houvesse movimento seria cada um para seu lado. O que pensa o voto em branco sobre a nacionalização da CGD?

O voto em branco tem sido expressão do radicalismo inconsequente e do desalento legítimo pela governação e pelo sistema político. Mas não é passando ao lado da intervenção política que as situações negativas se alteram, pelo contrário, terão de ser políticos eleitos a melhorar a democracia, pois políticos não eleitos não estão interessados na democracia.

As medidas que afectarão os portugueses nos próximos tempos, apesar do memorando da troika, dependem da composição do parlamento. Votar em branco nestas circunstâncias é para além de abdicar da escolha dos seus representantes, votar nos vencedores que se perfilam. Quem votar em branco não pode dizer que não votou nos políticos que vão governar, eles serão eleitos também pelos votos brancos e abstenções.

Por outro lado o voto branco conta na conversão de votos em mandatos, diminuindo a percentagem necessária para eleger deputados, ou seja votos em branco de eleitores de esquerda podem contribuir para eleger um deputado do CDS e votos em branco de eleitores de direita eleger para o BE. Votar em branco não só não impede a eleição dos deputados, como podem ajudar a eleger deputados que nunca o eleitor desejaria. Onde está o protesto?

Parabéns Jorge Palma


Jorge palma faz hoje 61 anos

"Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sondagens dão vitória ao PSD e maioria de direita no Parlamento

2011junho


Pela leitura das sondagens só os abstencionistas e votantes em branco podem impedir a maioria de direita na Assembleia da República.

A sondagem da Universidade Católica, representativa da tendência se voto pelos 3963 inqueridos e por ser por voto em urna, dá para PSD e CDS juntos 115 a 130 deputados, (a maioria são 116 deputados), os indecisos reduziram-se de 28% para 12% e a diferença do PSD para o PS deixou de estar dentro da margem do empate técnico. O PSD mantém o valor das percentagens médias de há uma semana, o PS baixa, o que significa que a campanha generalizada contra José Sócrates, nos meios de comunicação social e pelos partidos à esquerda do PS surtiram algum efeito. PCP e Bloco de Esquerda continuam (juntos) com os mesmos 15% de intenções de voto do início; da sua campanha contra Sócrates e o governo, resultou terem atirado muitos eleitores do centro-esquerda para a abstenção, Passos Coelho para primeiro-ministro e uma maioria de direita para o parlamento – para aplicar o memorando da troika e mais uns trocos. Isto se este cenário se confirmar no dia 5 de Junho

Nesta recta final das eleições a decisão (pelo voto útil à esquerda) está na possível alteração das intenções daqueles que decidiram votar em branco, boa parte deles gente politizada que, creio, não ficam indiferentes perante a percepção que com o seu voto em branco, objectivamente e em função da realidade actual, estão a votar em Passos Coelho e Paulo Portas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha do Bloco de Esquerda pelo voto útil.

be2011junho




O Bloco de Esquerda e o PCP/CDU votaram com a direita o derrube do governo. Sem a sua colaboração as eleições não estavam a decorrer, e não havia memorando da troika. Quando decidiram forçar eleições ou sabiam que íamos estar nestas condições, a dias de um eventual governo de direita ultra liberal com possível maioria parlamentar de direita, ou enganaram-se e isso justifica a sua campanha “dos aflitos” – para perder poucos deputados.

Passos Coelho só governaria com o FMI (eu escrevi-o há muito), e sabia que a instabilidade política provocada pela queda do governo, levaria ao incomportável aumento das taxas de juro dos empréstimos e à intervenção do FMI/BCE/CE.
PCP e BE não achavam inevitável a vinda da troika. Não sei o que Bloco e PCP previram, (crescer eleitoralmente?) mas é evidente que não contavam com a resistência do PS, tal como Passos, que pedia maioria absoluta, e não fez acordos pré-eleitorais com o PP – o governo que deseja.

É grave se BE e PCP derrubaram o governo apenas para mudar a liderança do PS, conduzindo ao poder do país, a facção mais extremista do neo-liberalismo que quer arrasar todos os direitos e conquistas de muitos anos.

É verdade que o pendor liberal de Sócrates promoveu muitos atentados ao Estado Social, aos direitos dos trabalhadores, etc; que houve má gestão, compadrio e o mais que estamos fartos de denunciar. Mas o BE e o PCP sabem, que tudo isso foi muito moderado se comparado com o que Passos Coelho se propõe fazer.

A campanha contra “o homem” por um governo de esquerda (com quem?) é bizantina, destina-se apenas a limitar prejuízos partidários, não é eficaz para contrariar as medidas mais nocivas da troika, e leva à abstenção da esquerda moderada.
O BE e PCP seriam úteis se levassem aqueles que pensam votar em branco ou abster-se, a votar contra um parlamento de direita, é lá a primeira frente de oposição às medidas. Isso não se consegue a bater no “ceguinho”, é a falar das situações concretas da Escola Pública, do SNS, da Segurança Social, da privatização da CGD, etc. Dizer que Sócrates e Passos Coelho pensam o mesmo sobre essas matérias é uma tolice.

O voto será útil no BE ou no PCP/CDU onde estão próximos de eleger deputados à direita; mas se a direita vier a ter uma maioria no Parlamento, mais deputado menos deputado, interessa ao próprio e à família dele.

Voto à esquerda, por uma assembleia de esquerda, sem opção que não seja engolir um sapo, … ou um jacaré.