segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A ONG de Passos Coelho e os passos de outras ONGs.

Passos Coelho fundou uma ONG.Dez2012


O Público noticia que o actual primeiro-ministro criou uma ONG (organização não governamental) nos idos de 1996. Era deputado, mas “não consta do seu registo de interesses na Assembleia da República”, refere o jornal. A ONG era financiada pela Tecnoforma, empresa (hoje falida) que dava formação profissional a autarcas e técnicos de aeródromos (!). 

A Tecnoforma era de destacados dirigentes da JSD, Passos Coelho foi seu consultor, gestor e administrador, como se sabe. Também se sabe que Passos omitiu isso no seu currículo. A ONG, de seu nome, Centro Português para a Cooperação, com sede num escritório da Tecnoforma, teve como presidente do conselho de fundadores, desde o início, Passos Coelho, mais tarde administrador.

Diz-se por aí que Passos Coelho não tem experiência profissional, mas vão surgindo responsabilidades de direcção em empresas. Situações que não divulgou, nem quando era obrigado pelo estatuto de deputado, nem depois. Terá as suas razões.

O Público diz que “os três únicos projectos (da ONG) que conseguiu identificar” foram “financiados em cerca de 137 mil euros pelo Fundo Social Europeu e pela Segurança Social portuguesa”. Isto da Segurança Social preocupa-me, não deve ser nada ilegal, por isso, preocupa-me ainda mais.

Fico de pé-atrás quando me falam em ONGs, uma coisa é o que o nome indica e os objectivos, outra bem diferente é a sua prática e dependência de governos; entre outros interesses, que vão dos geoestratégicos aos económicos e ideológicos. Multiplicaram-se em sessenta anos de poucas dezenas a alguns milhares, atraíram decerto todo o tipo de oportunistas.

São dúvidas minhas, talvez má vontade; mas ONGs e IPSSs deviam ser passadas a pente fino. Há quem viva muito bem nestas organizações, passando melhores dias quando a desgraça aumenta; e destrinçar o trigo do joio é difícil.


Passos Coelho esqueceu-se de mais uma empresa em que foi administrador, é normal, já não se lembra do que disse a semana passada sobre o ensino secundário. 


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domingo, 2 de dezembro de 2012

Egipto sem juízes. Mohamed Morsi o ditador.

Juizes em greve no Egipto.Dez.2012

O Tribunal Constitucional egípcio está encerrado. Esta noite, centenas de partidários do presidente Morsi cercaram a suprema corte, pretendendo, segundo os juízes, queimar o edifício. Pela manhã impediram os juízes de chegar ao tribunal.

Os juízes do Tribunal Constitucional, ameaçados de morte pelos manifestantes, resolveram suspender os seus trabalhos por período indeterminado. Estava previsto para hoje, o exame, pelo Tribunal, sobre a legalidade da comissão que elaborou a nova Constituição.

O conflito entre os principais juízes egípcios e o presidente Morsi vem da crise iniciada com o alargamento dos poderes presidenciais, pelo próprio presidente.

Mohamed Morsi e os seus Irmãos Muçulmanos convivem mal com o Estado de Direito, como era previsível para todos os que não embarcaram nas promessas de democracia, da marcha alegórica da “primavera árabe”.

Um ditador, perante uma “força de bloqueio” que é o Tribunal Constitucional, convoca a turba islamita e incute o medo.

Por cá, também temos uma amostra que procura ver na nossa Constituição “alguma margem de liberdade” para torcer a sociedade. 

Não tem "Irmãos" a apoiá-lo - só uma múmia…e não é do Egipto.


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sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de Dezembro.

Movimento Primeiro Dezembro recolhe assinaturas. Dez.2012

O Movimento 1º de Dezembro inicia hoje a recolha de assinaturas (40 mil) para levar à Assembleia da República um projecto de decreto-lei que restaure o feriado do 1 de Dezembro.

Há um ano, registámos o Dia da Restauração da Independência de Portugal, com uma canção do catalão LLuís LLach, A Estaca. (clicar aqui). Catalães e portugueses contra a dominação estrangeira; eles procuram a independência, nós, que não percamos a soberania.

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No dia 1 de cada mês os posts mais lidos no mês anterior no “ O ClariNet”.

Em Novembro e ao contrário do habitual, o post mais lido foi publicado no mês anterior, e mais dois posts de Outubro, sobre a Greve Geral Ibérica entraram nos primeiros dez - por ordem:

09/10 FMI. Previsões da dívida pública 2013/2017.

20/11 Imagens das manifestações.

18/10 Greve Geral Ibérica dia 14 de Novembro.

29/11 29 Novembro. Manifestação dos Estivadores.

19/10 Espanha. Confirmada greve geral dia 14 de Novembro.

25/11 Eleições históricas na Catalunha.

11/11 Militares mostram cartão vermelho ao governo.

15/11 Substituir os estivadores por militares. A demência.

07/11 Carta aberta “Seja mal vinda a Portugal".

01/11 Outubro acabou mal; no Parlamento e no país. 

(clicar nos textos a cor para ler os artigos)


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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Palestina na ONU. Como votou a Europa.

Palestina na ONU. Nov.2012

29 de Novembro, dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, data da aprovação, em 1947, da resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, que dividiu a palestina em dois Estados. 

Data que, em 2012, viu aprovar por maioria esmagadora da Assembleia Geral da ONU, o reconhecimento tácito do Estado da Palestina, passando do estatuto de entidade observadora para “Estado observador não-membro”.

A resolução aprovada por maioria dos 193 países membros, recebeu 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções. Os nove opositores foram Israel, Estados Unidos, Canadá, Panamá, República Checa, Nauru, Palau, Micronésia, Ilhas Marshal. A grande maioria dos Países Árabes, de África, Asia, América Latina e da Europa aprovaram o novo estatuto da Palestina.

A Europa:

Como votou a Europa? Nos 27 países da União Europeia, houve uma evolução em relação à votação de Outubro de 2011, para a entrada da Palestina como membro de pleno direito da UNESCO (ver aqui). 

Dos cinco países europeus que tinham votado contra, só a República Checa manteve o voto. Alemanha, Lituânia, Holanda abstiveram-se e a Suécia desta vez votou a favor do Estado Palestino.

Votaram a favor (14); Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Portugal, Suécia.

Abstiveram-se (12); Alemanha, Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Holanda, Polónia, Reino Unido, Roménia.

Contra; República Checa. 

Fora dos “27”, a Noruega, Suíça e a Islândia votaram a favor e o Mónaco absteve-se.

Antes da votação, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, pediu à Assembleia Geral da ONU, para “salvar uma solução baseada na existência de dois estados” solicitando da ONU a “emissão da certidão de nascimento” do Estado Palestino.

Foi dado mais um passo no sentido de a Palestina vir a tornar-se membro pleno da ONU, com direito a voto.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

29 Novembro. Manifestação de Estivadores.

oclarinet.Desemprego e trabalho precario nos portos. Nov.2012

Na Assembleia da República debate-se hoje a proposta da nova lei sobre o regime jurídico do trabalho portuário. Na rua estarão os estivadores, suas famílias e outros apoiantes da sua luta, em mais uma manifestação contra as intenções do governo de precarizar o trabalho nos portos portugueses.

Já em Agosto se antevia que as greves nos portos podiam estender-se a outros países; hoje, vários portos europeus paralisam entre as 13.00h e as 15.00h, em solidariedade com a luta dos estivadores portugueses. Delegações de sindicatos dos portos europeus juntam-se à manifestação dos estivadores, que se concentra às 13.00h na Praça do Município em Lisboa, de onde partirá para a frente da Assembleia da República.

in Estivadores de Aveiro.Nov.2012
A nova lei, origem de várias greves nos últimos meses, tem vindo a ser contestada pelos trabalhadores portuários com bastante firmeza. Passaram por ameaças de requisição civil, por exigências patronais de substituir os estivadores por militares e pela intransigência do governo em não negociar com os sindicatos.

No dia em que está agendada a discussão da proposta de lei, pelos deputados, é altura dos portugueses demonstrarem, mais uma vez, apoio à luta dos estivadores. A sua luta é pelo trabalho com direitos e contra a precariedade laboral, reivindicações de todos os trabalhadores.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Declaração de voto de João Almeida, dirigente do CDS.

Porta-voz do CDS.Nov.2012

O deputado João Almeida, num documento citado pelo Expresso, justifica ter votado favoravelmente o Orçamento de Estado (OE) para 2013, dizendo que o seu voto “não se justifica pelo conteúdo do Orçamento, mas antes pelas implicações que teria a sua não aprovação”.

João Almeida, depois de votar o orçamento, assinala “cinco riscos muito significativos” do OE, são eles:

“A carência de justificação clara para a dimensão do ajustamento necessário;

A difícil sustentação do cenário macroeconómico;

A desproporção entre o esforço do estado e o esforço solicitado às famílias;

A insuficiência das alterações introduzidas, em sede de especialidade;

E a introdução de medidas que comprometam reformas futuras”.

Diz depois que da falta de justificação do Orçamento, decorre “um primeiro risco de credibilidade, acrescido de um problema de aceitabilidade”.

Nada credíveis e totalmente inaceitáveis, são as declarações de voto dos deputados da direita que aprovaram o Orçamento. Pensarão eles que sacodem a água do capote? 

São os responsáveis por medidas que levarão mais miséria a mais lares, têm aliás total noção disso como se observa em João Almeida. Mas o tacho político é muito útil e os deputados do CDS/PP anteveem para si um futuro incerto. 

É o baixo nível a que chegou a honestidade política de alguns deputados e partidos.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Manifestação 27 Nov. protesto contra OE 2013 continua.

Foto Manif.27 Novembro.Nov.2012

Milhares de manifestantes estiveram em S. Bento para protestar contra a aprovação do Orçamento de Estado (OE) para 2013. Não houve violência. 

Era escusado o McDonald´s ter passado à clandestinidade e alguns comerciantes da zona terem encerrado. As autoridades sabem que basta não aparecer a polícia de choque e que os paisanos estejam com dono, para baixar o risco de provocações ou confrontos. Andaram a espalhar receios com a colaboração da comunicação social, o que é duplamente lamentável.

Manif.27 Novembro CNA.nov.2012

Até quando as demonstrações ordeiras, não se sabe. A violência que vem do interior da Assembleia da República não deixará de ter resposta no país. A paz social não é compatível com a aplicação do OE de 2013.

O papel das “manifestações pacíficas da CGTP” corre o risco de não servir para guião do Portugal de 2013. O poder gosta da contenção existente mas não tem retribuído, as propostas da CGTP não são atendidas nem discutidas. Como disse Arménio Carlos, esperam há três semanas resposta a um pedido de reunião com Cavaco Silva.

Com as medidas violentas que se vão sentir a partir de Janeiro, que se somam às dificuldades de hoje, é bem possível que muitos portugueses mandem as passeatas passear.

O que se seguirá logo se vê, mas não acredito que tudo vá emigrar. Quem cá ficar tem de acabar com a roubalheira.
 Manif.27 Novembro parlamento.Nov.2012

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Contra este Orçamento de Estado para 2013.

manif.contra OE 2013. Nov.2012

 
Vamos lá!


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cesariny–Todos por um.

oclarinet - Cesariny.Nov.2012Mário Cesariny, Lisboa 9 de Agosto de 1923 – Lisboa 26 de Novembro de 2006
 
Todos por um

A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos de certeza

Santos
Mártires
e Heróis

Que mau tempo estará no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a ponto de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum.

Mário Cesariny

Antes: You are welcome to Elsinore (clicar aqui)

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domingo, 25 de novembro de 2012

Eleições históricas na Catalunha.

Percentagem de votantes s 19.00h portuguesas

Há uma história antes - ver vídeo - haverá uma história depois destas eleições.

Actualização: Resultados finais AQUI

Comentário:

Como resultado das eleições catalãs de 25 de Novembro e ao contrário do que dizem os comentários madrilistas, há um reforço no sector independentista.

Artur Mas (CiU) o presidente da Generalitat, não teve a maioria absoluta que pedia, mas o “Bloco Soberano” tem uma maioria clara no Parlamento da Catalunha e mais independentista.

 O facto da ERC, Esquerda Republicana da Catalunha, agora a segunda força, ter duplicado os seus assentos (10 para 21), a Candidatura de Unidade Popular (CUP) uma coligação de organizações mais à esquerda, ter elegido na primeira vez que concorre três deputados e a Esquerda Unida ter subido, altera qualitativamente a natureza do campo soberanista.

Tudo ficou diferente na Catalunha e no Estado Espanhol. Com o reforço da esquerda no parlamento catalão, o líder da CiU, não fica em piores condições para negociar com Madrid, pois Mariano Rajoy não deixará de reparar nos perigos (para ele) de maior radicalização catalã. Por outro lado, Artur Mas, terá maiores dificuldades no prosseguimento da política de cortes e austeridade na Catalunha e terá de fazer alianças com outras forças que não o PP.

A consulta em referendo sobre a soberania da Catalunha, intenção de que o líder catalão diz não ter desistido, tem condições para ser convocada. A diferença é que será um processo mais clarificado, de interpretação menos tacticista, que uma maioria absoluta CiU emprestava, e mais estratégico em função dos votos que os catalães deram a forças abertamente independentistas.

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