O que são os cortes na despesa? Serão os cortes anunciados pelo PSD e pelo CDS durante a campanha eleitoral – nas gorduras do Estado, nos gastos supérfluos, nos investimentos perdulários, nas mordomias dos detentores de cargos públicos, nos estudos externos encomendados a escritórios de advogados e outros sorvedouros, nas negociatas com o sector privado, nos institutos públicos inúteis, nos contratos ruinosos, no tráfico de influência e na corrupção. Ou os cortes na despesa são apenas e só – cortes nos benefícios sociais?
A Agência Lusa falou com Hans-Joachim Voth, resultou o texto que transcrevo na íntegra, publicado ontem no Diário de Notícias.
Repetem-se erros que conduziram Hitler ao poder
Dois académicos da universidade espanhola Pompeu Fabra concluíram pela história, matemática e economia o que muitos políticos aprendem na pele – que a austeridade provoca contestação social, e que mais...
"Quanto mais corto nos benefícios sociais, mais agitação social tenho. O nível expectável de agitação aumenta maciçamente à medida que cai a despesa do Estado", disse à Agência Lusa Hans-Joachim Voth, um dos autores do estudo, resumindo a investigação que fez com Jacopo Ponticelli, com o título "Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009".
No estudo, os dois investigadores olharam para os movimentos de contestação social, incluindo motins, manifestações, greves gerais, assassinatos políticos, crises governamentais e tentativas de revolução, ao longo de 90 anos, em 26 países, incluindo Portugal.
Um período que envolveu uma guerra mundial, assassinatos de presidentes e líderes políticos, nascimentos e mortes de nações, o fim da colonização e inúmeras revoltas e revoluções.
Ponticelli e Voth, investigador de História Económica, concluíram que os países que escolheram aumentar os impostos em vez de reduzir as prestações e serviços sociais enfrentaram menos contestação nas ruas.
"Subir impostos quase não teve efeitos, em comparação com os cortes na despesa. Quem paga impostos tem emprego e portanto, tem muito a perder, enquanto quem recebe transferências sociais - grande parte da despesa pública nos países observados - tem pouco a perder e sente que não é parte interessada na sociedade", explica o investigador.
"Ao ver o Estado cortar a despesa, ao dizer aos mais pobres que eles não têm prioridade, um número significativo vai decidir que este não é o género de sociedade em que querem viver", acrescenta Voth, que compara o fenómeno a um fogo - o fósforo pode ser uma causa exterior, mas o combustível são as razões que levam "tantas pessoas dispostas a assumir o pior e a decidir invadir as ruas" e partir para as formas mais extremas de contestação.
O investigador admite que, extrapolando para o futuro as conclusões do passado, é possível recear que o espectro da contestação aumentada ameace a Europa nos próximos anos, até porque, diz Voth, a revolta "tem a ver com as expectativas" e a classe média, que se habituou a esperar do Estado muito mais, deverá engrossar a massa contestatária.
"Se tudo desabar na agitação social, haverá um segundo ciclo em que nos vamos deparar com menos crescimento e receitas fiscais ainda mais baixas. Depois tem que se cortar outra vez e vamos acabar numa espiral, vamos acabar por destruir grande parte do tecido social e político que mantém a estabilidade na Europa", prevê Voth.
O investigador, nascido na Alemanha há 43 anos, diz mesmo que, no caso da crise na Grécia, a Europa vai "olhar para trás e ver que perdeu uma oportunidade gigante" para reforçar o continente e corrigir uma política económica e financeira que Voth compara mesmo àquela que levou à ascensão de Adolf Hitler.
"É o que os alemães viveram no início da década de 1930. A cada ano, o governo tomava novas medidas orçamentais, reduzia os salários da função pública, tentava equilibrar o orçamento e sempre que fazia isto a economia contraía ainda mais, as receitas fiscais era ainda mais baixas, o governo tinha de cortar mais e, no final, destruiu a democracia alemã.
"Repetir este erro é completamente imperdoável, em 2011", concluiu Voth.
Por: Lusa
Publicado no Diário de Noticias em 2011-11-05
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Alfonso Cano foi morto em combate; segundo fontes oficiais, num bombardeamento da força aérea colombiana ao acampamento das FARC, na selva do sudoeste do país.
Alfonso Cano, aliás Guillermo León Sáenz Vargas, antropólogo, militante destacado na época estudantil e ex-membro do PC3 (Partido Comunista Clandestino da Colômbia) era considerado um dos principais ideólogos das FARC.
As FARC, fundadas em 1964 foram criadas com base na defesa dos camponeses colombianos, são o mais antigo exército de guerrilha do continente e contará hoje com cerca de 8 mil combatentes
Alfonso Cano sucedeu na chefia ao fundador das FARC, Manuel Marulanda Vélez “Tirofijo”, falecido em 2008 de morte natural. Vários dirigentes históricos foram mortos nos últimos anos e o próprio Alfonso já tinha sido dado como morto pelo governo colombiano
Alfonso Cano representou as FARC em várias negociações com o ex presidente César Gaviria. Desde 2000 foi o responsável do projecto político Movimento Bolivariano da Nova Colômbia (vídeo). Tinha mais de 30 anos de militância.
A morte de Alfonso Cano é um revés para a guerrilha, há sucessores para o seu cargo e da sua designação vai depender o futuro da organização. Ou escolhem o caminho da cessação da actividade armada buscando acordos para a desmobilização, ou continuam no caminho traçado pelos históricos.
O futuro das FARC e da situação na Colômbia dependerá dos novos protagonistas e da posição do governo colombiano.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
A reunião do G 20, (países ricos e emergentes) foram dois dias de conversa, nos quais Ângela Merkel e Sarkozy tentaram fazer passar o conto do vigário.
Queriam que países externos à União abastecessem o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Uma nega geral foi a resposta; resume-se no que disse o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, “não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para esse apoio financeiro”. Dilma Roussef até se riu com a “proposta desonesta”.
Como queria Merkel que algum país se atravessasse na aventura se a própria Alemanha se recusa a guarnecer de mais meios o FEEF? Ainda por cima com a recuperação impossível da Itália no horizonte.
A palhaçada teve o supremo epílogo na declaração de que todos os países membros vão trabalhar de forma coordenada, comprometendo-se cada um no seu país a adoptar as medidas em favor da recuperação mundial. Traduzindo, – todos juntos e cada um a tratar de si.
Esta Europa está uma vergonha, já não possui qualquer credibilidade no Mundo.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
Se Sócrates abriu as portas ao neoliberalismo, António José Seguro abriu os lençóis e deitou-se com ele. Com a abstenção incondicional ao Orçamento de Estado para 2012 (OE), Seguro apaga o PS da política activa aumentando-lhe a irrelevância; se Passos Coelho já não passava cartão ao PS, a partir de agora nem papel higiénico lhe passará.
A cobardia política, travestida de responsabilidade de Estado, tomou conta da maioria da Comissão Política do Partido Socialista. Nenhum argumento justifica a decisão dos socialistas.
- O que é o “interesse nacional” senão as “pessoas” – os portugueses. O Orçamento leva em conta as pessoas? O que é o “impacto no exterior”? Os juros não subiram hoje depois da decisão do PS e os Estados-membros da União não “aceitariam” (!?) que se votasse contra um OE que ultrapassa em muito o acordado com a troika?
Seguro coloca-se mais próximo de Passos Coelho que muita gente do PSD, que vai revelando dúvidas sobre as políticas do governo, mais próximo que o próprio Cavaco Silva. Sócrates aceitou a acordo da troika contra vontade, Seguro viabiliza as medidas para além desse acordo não deixando ao PS qualquer hipótese de impor alterações. Parte vencido e em situação de inferioridade para a discussão do OE pois já anunciou como votará. Cedências do PSD/CDS só se forem para eleitor (deles) ver, para fazerem a figura de defensores da unidade nacional. Seguro está no bolso de Passos Coelho.
E ao contrário do que pensa o PS, a sua posição em nada favorece a paz social ou o chamado consenso nacional sobre a necessidade da austeridade. Há medidas claramente injustas mesmo para quem aceita passar privações, o PS podia juntar-se a esse descontentamento mas decidiu-se, de facto, pelo bloco central contra todos, particularmente a classe média, a sua base eleitoral.
A população que reclama contra as injustiças, vai protestar também contra a oposição, que é paga para exercer controle sobre os abusos do poder.
O PS estava condenado a fazer uma travessia no deserto, mas como se viu no seu Congresso o deserto tem demasiada vida. O PS de António José Seguro é pior que o de Sócrates, não existe, é uma insignificância sonolenta nociva para a democracia.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
Merkel diz que “ o euro é mais importante que a Grécia” Papandreou que “a democracia está acima do apetite dos mercados”. Já aparecem notícias de que Papandreou está a ser pressionado pelo seu partido a demitir-se, é normal.
Amanhã se começará a saber o que os gregos querem agora para a Grécia, é a democracia a funcionar. Giorgios Papandreou não cometeu nenhuma loucura com a decisão de pedir um referendo sobre a permanência na União Europeia. Os gregos têm opções como existem sempre opções para todos os povos e em todas as ocasiões. Se a decisão grega lança o caos na Europa não é culpa da Grécia.
Só alguns líderes políticos saberão a situação política (e político/militar) interna da Grécia. Segundo algumas notícias há o risco de um golpe militar num país que viveu a “ditadura dos coronéis” de 1967 a 1974 (Julho). A Terceira República Helénica, a democracia, instituída pouco depois do nosso 25 de Abril, provavelmente corre o perigo de ser derrubada pelos militares. Com a esquerda no poder, o sentido do hipotético golpe seria de um poder de direita, autoritário e anti-democrático.
Papandreou desarma os militares devolvendo a palavra ao povo, pelo menos tira legitimidade à tentativa. Ainda ao nível interno demonstra desapego pelo poder, sabe que pode perder para a oposição mas arrisca, sempre é preferível mudar de governo que de regime. Perder na moção de confiança que vai ser votada amanhã é um mal menor quando está em causa o regime democrático na Grécia.
Perguntar aos gregos se querem continuar na Europa e no Euro faz todo o sentido sabendo os gregos o que a Europa representa em eternas e sucessivas medidas de austeridade e perda de soberania.
Mal vão passar, subjugados ou como país independente; os custos dessa opção devem ser avaliados pelo povo grego e não pelo governo.
O futuro da Grécia não pode ser imposto pelo estrangeiro, pela estratégia dos ricos da Europa de sacrificar alguns países para manter a estabilidade do euro. Não funciona, o caos imposto à Grécia está a espalhar o caos na Zona Euro e já atinge outros Continentes.
Era barato salvar a Grécia, optaram por puni-la, agora o boomerang anda desordenado a bater nos reais culpados dessa decisão.
A Europa dos banqueiros felizes e dos povos desgraçados não tem futuro.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
Não podia acertar – “clá-ri-net” não é instrumento musical, nem barra de ouro, peça de roupa ou escova de cabelo – ClariNet … pá…é um Blogue!
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
Foto: AVN/TeleSUR
Paulo Portas – quem o ouviu e quem o vê!? Pois é, ouvir o que os direitinhas nacionais disseram dos negócios de Sócrates com a Venezuela de Hugo Chávez, e agora ver o deleitado Portas a desfazer-se em sorrisos perante Nicolás Maduro, o “perigoso revolucionário” seu homólogo, tem algo de burlesco.
Chávez abre os sorrisos desta espécie de Portas, o dinheirinho é a chave-mestra. Perante as dificuldades até Paulo Portas não se importa de fazer de Sócrates.
Paulo Portas é um bluff como “vendedor diplomático”, não tem carteira de clientes. Anda no fundo a bater às portas que outros abriram. Foi à Líbia para ver se não fugiam os acordos anteriormente firmados com Kadhafi e agora está a fazer o mesmo na Venezuela, usufruindo do trabalho feito pelo governo de José Sócrates.
Trabalho esse ridicularizado e até considerado de lesa democracia não só por políticos (de várias áreas), como também por jornaleiros e blogueiros, que estão com dificuldades em engolir a afronta agora feita pela sua gente. Leia-se aqui as “fortes preocupações” com que a embaixada norte-americana via as relações do nosso anterior governo com a Venezuela, segundo um documento divulgado pela WikiLeaks. Estavam preocupados pela imagem cordial dos encontros e pelo “crescente reforço militar” da Venezuela.
Podemos informar a embaixada dos EUA, e “Companhia”, sem passarmos por delatores, que isto de negócios de equipamento militar tem sido mais profissão de Paulo Portas do que de José Sócrates. Já agora, se Paulo Portas vendesse os “seus” submarinos a Chávez, (que precisa mais deles que nós) fazia um grande favor aos portugueses – era menos tralha para nós pagarmos.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
A Palestina é membro de pleno direito da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Dos 173 países que votaram a proposta de adesão, 107 votaram a favor, 14 contra e 52 abstiveram-se.
Dos Estados membros da União Europeia onze votaram sim à adesão; Áustria, Bélgica, Chipre, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Eslovénia e Espanha. Cinco votaram contra; República Checa, Alemanha, Lituânia, Holanda e Suécia. Os restantes onze abstiveram-se; Bulgária, Dinamarca, Estónia, Hungria, Itália, Letónia, Polónia, PORTUGAL, Roménia, Eslováquia e Reino Unido.
Onze a favor, cinco contra e onze abstenções, a União “bem” dividida. Os 14 que votaram contra para além dos cinco europeus foram; Austrália, Canadá, Israel, Palau, Panamá, Samoa, Ilhas Salomão, Estados Unidos da América e Palau.
A favor, do Afeganistão ao Zimbabué, votaram os BRIC, (Brasil, Rússia, Índia, China) África do Sul, Noruega, Indonésia, etc. A maioria do mundo de África, Ásia, América Latina e Países Árabes. A Palestina está aceite como membro da UNESCO deixando de estar na condição de país observador. Representa uma grande vitória da justiça sobre o lóbi sionista e um passo muito importante para o reconhecimento da Palestina como Estado pela ONU – o passo seguinte.
(Para ver últimos posts clicar em - página inicial)
Quando vir um banco emprestar dinheiro aos pobres passo a acreditar na política de Passos Coelho, e dos troikos. O governo está a executar a política da Grécia e não da Irlanda, a Grécia depois de ficar mais pobre não terá economia para pagar as dívidas, e nós, indo pelo mesmo caminho, também não vamos ter.
Passos Coelho não disse que nós vamos ficar menos ricos depois de pagar as dívidas. Disse, “só vamos sair desta situação empobrecendo – em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso PIB está a cair”.
A questão é se empobrecemos por pagar as dívidas ou para tentar pagar as dívidas (nas condições impostas); não é semântica são os caminhos distintos da Irlanda e da Grécia. O caminho de empobrecer para depois pagar as dívidas só é imaginável em Portugal, é preciso meios para pagar, meios que os pobres não têm nem lhes emprestam.
É abusiva a comparação de Passos Coelho com o Canadá; cuja crise foi feita e desfeita pelo seu Banco Central. Canadá que é, tal como a Irlanda, em boa parte uma extensão da economia dos Estados Unidos.
A Irlanda ao contrário de Portugal, soube negociar com a troika, manteve o seu dumping fiscal e assim a atractividade ao capital estrangeiro, manteve a produção. Por cá, vende-se aos estrangeiros que temos mão-de-obra barata, trabalhadores subservientes e o mercado de trabalho sem regulação, para tentar atrair investimento. Enquanto isso destrói-se o aparelho produtivo e o rendimento das famílias. Com que riqueza se vai pagar as dívidas?
A Grécia é um país com a economia destruída, espoliado dos bens públicos e sem capacidade de sozinha lançar um programa de crescimento, está demasiado pobre e descredibilizada para ir aos mercados, de pouco serve perdoar parte da dívida. A mesma política (da troika) está a ser seguida pelo governo Passos/Portas; se a passividade dos portugueses e da oposição parlamentar o permitir, se por exemplo o Partido Socialista não começar por votar contra o Orçamento, estamos dentro de menos de dois anos na mesma situação.
A dominação dos países pela dívida deu os resultados conhecidos em África e América Latina, nunca criou condições para “recuperar um trajecto de crescimento económico” como anuncia o nosso governo. Pelo contrário, foram roubados os bens públicos naturais, privatizados os sectores rentáveis, reduzidos os orçamentos da saúde e da educação, congelados e diminuídos salários, sem que diminuíssem as dificuldades em obter crédito.
Ao sul há países com décadas de asfixia financeira provocada pelas medidas do FMI.
Chegaram à Europa com a complacência da União Europeia e penso que não terminam antes das eleições na Alemanha e na França. Para os optimistas, este filme de terror não dura o tempo que auguram os políticos europeus e os economistas ao seu serviço. Acaba antes de porem toda a gente a comer apenas batatas.
Nesse caso, Passos Coelho e Paulo Portas são figurantes duma curta-metragem. E o quadro de Van Gogh uma coisa do século dezanove.
(Para ver últimos posts - clicar em página inicial)
Ao poeta encarnado.
Águas que voam sobre pedras
Que bem fica perderes no porto…
tuas penas. Seca as lágrimas (poeta)
Mais penas virão depois de morto
Apesar de tudo agora vives
espumando raiva no leito forte
Louva o vale onde pariste
a força a glória e a semente
Augustas árvores desfolhadas
Nuvens sem graça e céu sombrio
Cobrem de musgo antigas fragas
Postal de inverno, névoa e frio
Embaciando o louco olhar
Que as margens deitam sobre o rio.
Carlos Mesquita
(Para ver últimos posts clicar em - Página inicial)