quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Estamos sujeitos ao perigo das armas químicas sírias.

Pela primeira vez destroem-se armas químicas no mar. Jan.2014
http://www.youtube.com/watch?v=aeGyQMpPZ5g

Os americanos pediram e as autoridades políticas nacionais estão inclinadas a pôr à disposição um porto dos Açores, para o transbordo das armas químicas recolhidas na Síria, que estão a bordo de um barco dinamarquês, para o navio norte-americano que dará início à sua destruição.

No navio, MV Cape Ray (imagem/vídeo), irá ser feita a primeira tentativa de neutralizar armas químicas no mar. Trata-se de adaptar a um navio os meios já conhecidos de inutilizar as armas químicas em situação de estabilidade terrestre.

Para além dos perigos decorrentes das manobras de transbordo, a fazer nos Açores por ser uma “zona isolada” (é o que dizem!), temos a operação de destruição que vai ser efectuada no navio, algures no Atlântico.

O Pacífico teve o recente desastre de Fukushima, (ainda não completamente avaliado) o Atlântico é palco de uma aventura científica que nem teve tempo para ser estudada. Pedir garantias de que tudo corra bem, como faz alguma oposição e ambientalistas, é o mesmo que rezar a São Cristóvão. É uma experiência.

Sendo uma experiência, e perigosa, é natural que os americanos se tenham lembrado dos portugueses e que até o desmintam; estamos a fazer de ratinhos brancos nos ensaios do FMI, para tratar crises económicas em países sem moeda própria, aguentamos ser as cobaias da “zona isolada” onde se tudo correr bem, até se imaginam uns negócios nas Lajes, mas, dando para o torto – paciência…

Cobaia é assim mesmo, tem dono, sujeita-se.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Belas. Centro de Saúde sai de Belas.

oclarinet.blogspot.com - Belas. Jan.2014

O que aprendemos na escola ainda serve para ler jornais? A instrução primária fi-la em Belas e uma notícia de hoje, sobre a vila, diz que o “Centro de Saúde de Belas mudou-se para outra freguesia”.

Se a intenção fosse a ironia, enfim… diz o corpo da notícia; “O Centro de saúde de Belas abriu ontem as suas novas instalações no mesmo edifício do Centro de Saúde do Monte Abraão, situado numa freguesia contígua à de Belas”. Na verdade significa que Belas já não tem Centro de Saúde, tinha mas fechou - ficou sem Centro de Saúde.

Os Centros de Saúde não mudam de freguesia, quem muda de freguesia, para ir ao médico, são os utentes que ficam sem centro de saúde e têm de se deslocar a outra freguesia. Os utentes do SNS de Belas têm agora de ir a Queluz, porque deixaram de ter Centro de Saúde em Belas. Ponto!

Belas vai de cavalo para burro, foi sede de concelho no século XIX, é habitada desde o Paleolítico, conhecida pelas antas do Megalítico, pelas quintas dos ricaços, pelos conventos, o golfe, e também pelos doces (Fofos de Belas).

O parque habitacional cresceu desmesuradamente após o 25 de Abril, justifica-se manter um Centro de Saúde; não faltarão médicos para tão perto de Lisboa, mas os cortes na saúde não dão para instalações decentes.

Os respeitáveis autarcas que apoiaram o fecho dizem querer um Centro de Saúde em Belas, e que vão tentar que isso aconteça; “agora não é possível”, informaram. Talvez seja possível quando forem repostos os salários da Função Pública – Passos Coelho disse o ano passado que basta “um excedente orçamental e um crescimento acima de 2,5 a 3%”. Será portanto quando as galinhas que põem os ovos para os Fofos de Belas tiverem dentes.

Entretanto, vi na vila de Belas um painel a anunciar a abertura de novas instalações para um centro clinico privado. Deve ser coincidência.

Daquelas coincidências que se dão por todo o lado onde o serviço público de saúde encerra portas.

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domingo, 12 de janeiro de 2014

Precisa-se acção para testar capacetes da polícia.

Polícia vai ficar ainda melhor equipada. Jan.2014

A notícia não diz qual o peso que os coletes à prova de bala e os capacetes da PSP têm na balança comercial. Diz que importamos tal equipamento e que vamos produzi-lo em Portugal, com inovação e parcerias entre a universidade e as empresas.

Substituir importações por fabrico nacional dizem que é bom, e, já que não se aplica à produção de kiwis e outros alimentos importados desnecessariamente, que se aplique aos plásticos - até à comida de plástico.

Para além de investigação na área, temos habilidade em design nacional capaz de criar fatiotas para polícia de choque, masculino e feminino, a preceito das várias culturas e modas.

Trajes para os trópicos, para as zonas temperadas e as outras; estampados para África, cores cruas para a Indochina, de riscas finas verticais para a europa e largas horizontais para a Tunísia, burcas cintadas ou acentuadas conforme o desejo dos príncipes. Temos negócio.

O único senão, que o cluster português do equipamento de dar porrada, sem sofrer amolgadelas nem desengomar, é o ensaio do produto.

A PSP ofereceu-se para fazer uma calendarização da experimentação, mas suponho que estão a ser voluntariosos. A PSP sabe lá se daqui a dois anos e meio (é o prazo) tem manifestações onde possa arrear, esvoaçando invulneráveis com a leveza das novas vestes de super-heróis?

O mercado da violência de rua anda deficitário.

Brutalidade continuará a ser os pivôs e comentadores das televisões, mas não se vê que vantagem tem um ensaio de uma marrada, melhor… que um polícia invista (para usar uma linguagem empreendedora) contra um LCD ou um plasma.

A não ser que usem uma estratégia que já deu frutos (infelizmente esses frutos não dão para exportar pois o mundo está cheio deles) que é… infiltrar umas manifestações pacíficas com agentes provocadores que iniciem as hostilidades.

Se alguém der por isso, pergunte aos paisanos se é para o teste. Se for, desculpem-nos. É para bem do equilíbrio da balança comercial, é para substituir importações, é para aumentar as exportações e pagar a dívida com o excedente.

É só mais um esforço, se já demos a bolsa e o emprego, não vamos ser queixinhas por levar um enxerto.

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sábado, 11 de janeiro de 2014

AJA - Lisboa. Associação José Afonso em São Bento.

Sede Associação José Afonso - Lisboa. Jan.2014

Foi hoje inaugurada a sede do núcleo de Lisboa da Associação José Afonso.

AJA - Rua de São Bento Nº170. Jan.2014

Situada frente à Assembleia da República, no Nº170 da Rua de São Bento, vai decerto ser visitada por quem queira saber mais sobre Zeca Afonso, por quem queira conhecer e difundir a sua obra, e por muitos daqueles que indo até ao Parlamento para sacudir as melgas que estão no poder, lembrarão que o Zeca esteve com a sua música e os seus poemas na linha da frente da inquietude revolucionária, mas também nas ruas, com os trabalhadores e os seus anseios.


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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Polícias revoltados. O problema dos recibos.

oclarinet.blogspot.com - Falam os recibos dos vencimentos.Jan.2014

Os cortes detectados ontem nos recibos de vencimentos a pagar este mês estão a revoltar os polícias. Lê-se no Público.

O governo tem um problema grave com os recibos. Pode tentar adormecer a população propagandeando melhorias na economia portuguesa; pode colocar a toda a hora os seus comentadores de política (!?) e de economia nas televisões e nas caixas de comentários dos artigos de jornal; pode impedir o contraditório do paleio dos seus delegados em toda a comunicação social.

Pode, pode, pode…tudo isso! Pode até fazer uma campanha de publicidade ordinária para dar automóveis ou baldes de plástico a quem peça recibos no seu consumo diário. O problema do governo com os recibos - não é esse; é com os recibos que o Estado passa.


Os “cortes detectados” pelos polícias vão ser detectados por todos os outros funcionários roubados nos seus salários. Não há converseta de político ou de comentador troikista que encubra a realidade que vem na papeleta.


O recibo não engana, os polícias foram roubados: - “Em média cada um vai receber menos 200 euros, num salário de mil” diz a notícia.


O choque! O horror!! A tragédia!!! - Como dizia o “artolas” - vai ser quando todos os gamados derem pela dimensão da coisa; quando conferirem pelo próximo recibo, com quantos dedos o governo lhes deu a palmada.

Os polícias, através do presidente da sua associação profissional dizem que “já não é possível  reprimir a revolta” e que “poderão vir a ser decididas ainda outras formas de luta” para além de manifestações como a de 21 de Novembro.

Bom. Se não é possível reprimir a revolta, não reprimam - nem a vossa revolta, nem a revolta dos outros que como vós estão revoltados.


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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Hoje. Cenas da Luta de Classes em Portugal.

Cenas da luta de classes. Jan.2014
 

Promovido pela “Associação Cultura no Muro”, é hoje exibido em Lisboa o documentário “Cenas da Luta de Classes em Portugal”.

Filme/documentário/ensaio, do cineasta nova-iorquino Robert Kramer, (1939-1999) sobre o período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril.

O documentário será apresentado por Miguel Cardina, da Universidade de Coimbra. Em seguida, participantes no documentário e activistas do período revolucionário pós-25 de Abril, conversarão com o público sobre esse momento da nossa história.


Na livraria Ler Devagar (Rua Rodrigues de Faria 103)
LX Factory em Alcântara, hoje 5ªfeira pelas 21.00H.

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

CES parte dos 938 euros? Governo apalpa portugueses.

Governo estuda reacção dos portugueses. Jan.2014

A notícia de que o governo estuda CES a partir dos 938 euros saiu no fim do dia de ontem e não faz primeiras páginas.

O Público apurou que nesta terça-feira, ao final do dia, a solução ainda não estava fechada e continuava a ser trabalhada dentro do Governo.

Decerto foi fácil “apurar” pelos jornais que o que está a ser trabalhado pelo governo é a reacção pública à medida, e não a medida, que andará para lá e para cá, para cima da mesa ou varrida para baixo do tapete, conforme as ondas que provoque.

Foi assim com a subida do IVA, é assim com todas as medidas antipopulares; todos os órgãos da comunicação social são alimentados pelas agências do governo e da presidência da República. Somos alvo ininterrupto dos estudos do mercado da política. Ler é ser apalpado, não reagir é sujeitar-se.

O jornal também confirmou que o “governo está a tomar como referência um valor referido numa das declarações de voto” de Juízas do Tribunal Constitucional (TC). Uma das portas abertas na conversa da unanimidade.

Concretamente as conselheiras Maria de Fátima Mata-Mouros, indicada pelo CDS para o TC, e Maria José Rangel de Mesquita, indicada pelo PSD.

Pois, coincidências…


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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tunísia. A nova Constituição e a “primavera árabe”.


Tunísia redige Constituição no meio de assassinato de opositores. Jan.2014

Ou a recolha das pétalas caídas da primavera árabe.


O que resta da Primavera Árabe? Disse aqui que “as revoluções que nunca o foram têm fins decepcionantes”, nunca embandeirei em arco com as revoltas populares no mundo árabe, fossem genuínas ou de fabrico externo, o seu desfecho era previsível.

A Tunísia é um país, dos sujeitos à “experiencia primaveril”, que ainda está inteiro; embora a violência política e a segmentação entre religiosos e laicos seja um facto. A forte presença do extremismo islâmico avisa das dificuldades em conciliar visões antagónicas.

Está a ser redigida uma nova Constituição na Tunísia, deverá ser votada dia 14 de Janeiro e já tem artigos aprovados. Para os media ocidentais cada artigo aprovado tem sido uma meia ou completa bênção.

No Sábado, dia 4, o primeiro artigo aprovado, que “estabelece o Islão como religião oficial” foi visto como um "compromisso", uma vez que o Alcorão (leia-se a Sharia/lei islâmica) não é a base da lei tunisina. Os islamitas da maioria no poder, o partido Ennahda, não cometeram o erro da Irmandade Muçulmana no Egipto.

Ontem foi aprovado um artigo do mesmo projecto constitucional que diz; “Todos os cidadãos e cidadãs têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. São iguais perante a lei, sem nenhum tipo de discriminação”. Para a Amnistia Internacional o artigo é redutor por não especificar as discriminações, mas atendendo ao que era a proposta em 2012 (ver aqui) que apresentava a mulher como complementar do homem é um avanço dos islamitas da Ennahda.

Desde que os islamitas governam, o assédio das tunisinas pela polícia vão dos costumes a situações mais graves; antes, e desde 1956, com o Código do Estatuto Pessoal de Habib Bourguiba, as mulheres tinham na Tunísia, o melhor estatuto de igualdade de entre os países árabes.

O processo de redacção da Constituição, que tem um atraso de dois anos, tem sido feito em ambiente de violência e ameaças de morte aos opositores do Ennahda. 2013 Ficou marcado por assassinatos; em Fevereiro, do líder do maior partido de oposição, Chokri Belaid, que provocou a maior manifestação depois da deposição de Ben Ali; e em Julho, do deputado “nasserista” Mohamed Brahmi, outro líder da oposição.

Que governo islamita poderá ter futuro, numa sociedade entre o presente o passado, e o mais que passado; para mais com a presença interna e exterior do extremismo islâmico?


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domingo, 5 de janeiro de 2014

Estado Islâmico da Al-Qaeda. A ponta do iceberg.

Al Qaeda na estrada Síria - Iraque.Jan.2014
 

Enquanto ganhava espaço na Síria, o ISIS ia crescendo no Iraque, onde a autoridade do governo é questionada pelas populações árabes sunitas.

O grupo que representa a presença da Al- Qaeda na Síria e no Iraque, ISIS ou ISIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) declarou Fallujah, no Iraque, um “Estado Islâmico”. 

O reforço da Al-Qaeda no Médio Oriente e Norte de África é fruto das campanhas ocidentais de interferência na região, os Estados Unidos e a Europa têm feito de aprendizes de feiticeiro armando e treinando milícias, do Afeganistão à Líbia, e agora na Síria, cujo benefício tem sido o reforço do Islamismo radical e a Al-Qaeda.

No Iraque, é patente desde 2011 que os terroristas islâmicos já possuíam meios e organização para aproveitar a incapacidade de pacificar o país. O “ocidente” abandonou o Iraque à sua sorte e as potências (?) regionais não têm influência determinante na Al-Qaeda.

Há quem seja da opinião de que o que sabemos da Al-Qaeda no Médio Oriente é apenas a ponta do iceberg. 

Quando o crescimento e robustez da Al-Qaeda for uma maior ameaça ao “Ocidente”, talvez sejam revistas as iniciativas e prioridades da intervenção da NATO, dos EUA e da Europa, no Médio Oriente.

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Eusébio, a partida de um ídolo.

Eusébio um ídolo do futebol. Jan.2014
25/01/1942 – 05/01/2014

Morreu Eusébio, pela madrugada. Deixou o palco da vida de repente, a sua morte abriu hoje telejornais no estrangeiro e apanhou o jornalismo português de surpresa. 

Foi ídolo de gerações, com Puskas e Pelé, a equipa campeã do Benfica e a Selecção de 66; o seu exemplo foi o grande impulsionador das jogatinas da nossa juventude, das partidas intermináveis de futebol de rua, em que as equipas mudavam de campo aos cinco (golos) e o jogo acabava aos dez.

Eusébio era hoje embaixador da Selecção Nacional e do país, o respeito que granjeia fora de portas passados tantos anos de arrumar as chuteiras, é algo que surpreende. 

Uma fama que perdurará na história do desporto nacional e internacional.

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