sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

À conversa com. Vítor Gaspar e Wolfgang Schauble.

Flexibilização - muito obrigado. Fev 2012
Após a conversa entre Vítor Gaspar e o seu homólogo alemão, cujo vídeo todos os portugueses viram, o ministro das finanças de Passos Coelho diz que “”um eventual reajustamento do programa de ajuda externa a Portugal não está neste momento a ser considerado”. Considero uma falta de consideração Vítor Gaspar achar que os portugueses são estúpidos. Depois de todos os cortes feitos só faltava cortar o oxigénio ao cérebro de todos nós.

Portugal negoceia a “ajuda externa”com a “troika”, que é composta por representantes da Comissão Europeia, do FMI e do BCE. Wolfgang Schauble, ministro das finanças de Angela Merkel, não faz parte da troika. O governo português, subvertendo a orgânica do funcionamento da União Europeia, trata dos assuntos portugueses na Europa com o governo alemão, Passos com Merkel, Gaspar com Schauble. Para que União está a trabalhar o governo Passos/Portas.

Depois do desassossego de ontem com as declarações de Martim Schulz, que chegou ao ridículo de um comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a imprensa e comentadores de hoje, trazem Wolfgang Schauble, o falcão responsável da intransigência alemã para com os países endividados, nas palminhas.

Schulz é o alemão mau, Schauble o alemão bom; e para tal bastou o carrasco dizer que talvez vá aliviar o torniquete do garrote. Para entender o motivo da reacção da nossa comunicação social, ontem e hoje, aconselho a ver o programa de televisão (que a minha cadela mais aprecia) “o treinador de cães”.

Entretanto (entre mentiras, sexo canino e vídeo), há gestores públicos que vão ficar em tempo de austeridade sem limite nas remunerações. Mas não se sabe se é verdade, pode ser que Vítor Gaspar veja esclarecer o assunto dizendo que “não se trata de uma hipótese concreta, específica que esteja a ser considerada neste momento do tempo, mas sim um mecanismo de seguro para desenvolvimentos hoje imprevistos”. Nunca se sabe…


Amanhã Sábado 15h MANIFESTAÇÃO NACIONAL
 Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia
Para Terreiro do Paço

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Martim Schulz e Merkel, ingerências e declínio.

Foto e legenda Público.Fev 2012


O alvoroço que estão a gerar as declarações do presidente do Parlamento Europeu sobre o facto de Passos Coelho ter ido pedir dinheiro a Angola, tem razões legítimas e abusivas.

Legitimo é que em Portugal se defenda o direito a ter política externa própria, que aliás não temos, e relações comerciais ou diplomáticas com quem o Estado português entender. Abusivo é tudo o resto a começar pela interpretação das palavras de Martim Schulz.

A dissertação de Martim Schulz não pode ser entendida como interferência na política externa portuguesa, não criticou, constatou factos. Também não é menos respeitosa, expressam uma realidade portuguesa e europeia, principalmente europeia – o ponto que Schulz quis realçar.

Martim Schulz introduziu longamente o passado das relações coloniais entre Portugal e Angola antes de falar no declínio como futuro de Portugal. Interpretei o “declínio” como evento futuro (na verdade já é presente) da relação da potência colonial a pedir dinheiro (e seus custos políticos) ao país antes colonizado. É uma verdade, é o mesmo declínio da Europa rica, no G20, em que Merkel pediu dinheiro ao Canadá, ao Brasil, à China (país agora visitado por Merkel para guarnecer o Fundo europeu).

Schulz não tem razão em qualificar esse declínio como “um perigo social para as pessoas” e “sobretudo para o nosso modelo democrático”? Não tivemos em Portugal censura e saneamento na RDP para agradar ao poder angolano? Para que quer Angola um semanário, um banco (ou dois), e pelo que se alvitra um canal de televisão em Portugal, (um país estrangeiro)? Qual vai ser a política externa de Portugal em relação à China? Não fomos já mais independentes? Se somos menos, isso não é um declínio?

O mais estranho (ou não) é que os que agora fazem burburinho com Martim Schulz tenham estado silenciosos com a descarada ingerência de Angela Merkel com o exemplo da Madeira. O orçamento da Madeira não é assunto interno português? Parece que há por cá quem facilmente aceitaria um comissário europeu a gerir e vetar a execução orçamental portuguesa.

A coisa boa que sai destas polémicas é a consciência de que a independência nacional é um valor. Outra constatação é que Helmut Schmidt tinha razão quando avisava que a hegemonia alemã na Europa não servia os interesses estratégicos da Alemanha; “os vizinhos vão defender-se cada vez mais”. Na Grécia queimam bandeiras da Alemanha, nós devemos defender-nos, mas fazer de Martim Schulz alvo, é atirar ao lado.

Próximo Sábado 15 h MANIFESTAÇÃO NACIONAL
Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia
Para Terreiro do Paço

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carta de oficiais das Forças Armadas põe em causa ministro.

Aguiar Branco em causa. Fev.2012


O ministro da Defesa, Pedro Aguiar Branco, considerou hoje que as associações das forças armadas “não representam a família militar”. Respondeu assim à carta aberta, tornada também hoje publica, da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA). Em vez de pôr água na fervura do descontentamento militar, Aguiar Branco decidiu-se pelo confronto verbal com as associações.

A carta aberta é ela própria “uma resposta a recentes declarações de Aguiar Branco sobre as Forças Armadas e que terão caído mal entre os militares”. As afirmações de Aguiar Branco, proferidas há uma semana, num debate onde estiveram presentes altas patentes militares, foram no sentido de que “ninguém é obrigado a ficar” nas Forças Armadas.

Acusando as associações de “na prática, fazerem política onde a política não tem lugar”, o ministro disse que “se não sentem vocação, estão no sítio errado. Se não sentem, antes de protestar, fazer manifestações ou dar conferências de imprensa, precisam mudar de carreira”.

A AOFA pergunta se “denunciar perante a opinião pública as medidas lesivas e carregadas de falta de respeito pela dignidade de quem jurou e serve abnegadamente (sem se servir) a pátria, é fazer política?”

Ao contrário de Jorge Sampaio, Cavaco Silva tem-se recusado a receber as associações dos militares. Agora, o ministro Pedro Aguiar Branco resolveu desencadear uma guerra com elas; nem as recebe “ignorando o quadro legal vigente” como provoca o “descontentamento de muitos que se sentiram humilhados com as suas palavras”, como assinala a carta aberta.

Se aos militares não cabe fazer política partidária, e não fazem; aos políticos caberia fazer uma política qualquer, mas definitivamente políticos como Aguiar Branco não têm nenhuma capacidade para a tarefa.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O piegas Passos Coelho queixa-se sem razão.

Fechado.Fev2012


Os portugueses queixam-se de estarem a ser roubados nos seus salários e direitos, queixam-se da precariedade laboral e do desemprego, queixam-se do trabalho gratuito e de lhes tirarem os seus dias de descanso, queixam-se dos aumentos dos transportes, energia e outros bens essenciais, queixam-se das desigualdades e do empobrecimento. Não são pieguices.

Piegas é Passos Coelho com a lamúria de não o entenderem, nem cá nem no estrangeiro. Não lhe entendem as desmesuradas nomeações de amigos e familiares de governantes para cargos públicos, ou como ficando mais pobres pagamos a dívida que não pára de crescer, ou as mentiras da campanha eleitoral. Não lhe entendem que faça da caridade, política social; da cedência ao terrorismo económico dos mercados, estratégia de governação; da independência nacional, gato-sapato.

O piegas Passos Coelho assumiu o discurso vergonhoso alemão, de que aqui não se trabalha – “os países preguiçosos do sul” – e tem o descaramento de o dizer a todos os que lhe pagam o ordenado.

No fundo, Passos Coelho pensa como os contribuintes alemães, a quem convenceram que estão a dar do seu dinheiro para alimentar os países endividados. A realidade é inversa como assinalou Paul Grauwe: “os países como a Alemanha” cujas “economias beneficiaram antes da crise, com a acumulação de excedentes externos e forte crescimento; durante a crise têm sido os que mais ganham. Estão a endividar-se quase de graça. A Alemanha pede emprestado de graça e depois empresta com bom lucro. Os portugueses são quem paga aos alemães”.

Mas a maior pieguice de Passos Coelho é que não vejam reconhecido internacionalmente que o futuro português é diferente do grego. Ainda ontem o jornal americano Wall Street Journal, através do seu correspondente em Bruxelas, Matthew Dalton, dizia que “políticos europeus estão preocupados com as semelhanças entre as economias portuguesa e grega”, e com o risco de Portugal “descarrilar do programa de resgate”. É o mesmo jornal onde o piegas Carlos Moedas escrevia há quinze dias que “Portugal está a vencer ventos contrários”. Nem o sopro duma ligeira brisa pela redacção do Wall Street Journal conseguiu.

Um responsável da Zona Euro disse ao Wall Street Journal que “os portugueses estão a aplicar mais ou menos os mesmos truques do livro dado. Mas talvez haja um problema com o livro”. Truques, remédios, experiências, tem sido o que levou a Grécia à situação actual, Portugal vai pelo mesmo caminho.

Próximo Sábado 15h MANIFESTAÇÃO NACIONAL
Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Alterações no IRS - salários vão baixar.

Por tabela.Fev.2012


O valor de IRS, retido todos os meses para entregar às Finanças, deve aumentar 10% este ano. A notícia é da SIC, baseada nos cálculos da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC).

“A actualização das tabelas de retenção na fonte deve reflectir não só a subida da inflação como os cortes nas deduções fiscais, que diminuem os valores que podem ser abatidos como despesas de educação, saúde e habitação”; pelo que, “resulta um agravamento fiscal que implica o corte directo nos salários”.

Domingos Azevedo, bastonário da OTOC, afirmou: primeiro “nós vamos ter uma inflação na ordem sensivelmente dos 3%, e não houve uma correcção (actualização) dos escalões, portanto a erosão vai-se sentir agora, no enquadramento dos escalões. Segundo, o efeito que tem a diminuição das deduções com a saúde, educação e habitação, vão levar a que aumente a massa salarial sobre a qual incide o IRS, e esse aumento vai obrigar a que haja uma retenção maior na fonte (dos trabalhadores) daquela que existia o ano passado”.

A SIC deu um exemplo: o contribuinte que tenha descontado 250 euros o ano anterior; passará a descontar 275 euros, mais 25 euros por mês, ou seja 350 euros no ano.

Domingos Azevedo acusa a política fiscal de desumanizar o sistema, aferindo a “capacidade contributiva pelo rendimento na fonte e não pelo rendimento líquido dos cidadãos”. O ministério das Finanças não comenta e diz que as novas tabelas serão publicadas em data oportuna.

Em plena austeridade em cima da austeridade, há trabalhadores que vão ter cortes salariais em cima de cortes salariais.


Próximo Sábado 15h MANIFESTAÇÃO NACIONAL
Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia
Para o Terreiro do Paço


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domingo, 5 de fevereiro de 2012

11 de Fevereiro Manifestação Nacional.

Cartaz CGTP-IN. Fev 2012
 

Sábado às 15 horas, Concentrações:
Cais do Sodré – Martim Moniz – Restauradores – Stª Apolónia.
Destino: Terreiro do Paço.


(da página CGTP-IN):

Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento
Outra política é possível e necessária


Estamos perante uma política de terrorismo económico e social que exige uma resposta de grande dimensão a nível nacional


O governo do PSD-CDS e o grande patronato pretendem:

Colocar o Estado ao serviço das empresas;

Pôr a segurança social a financiar os patrões para pagar menos e precariezar as relações de trabalho;

Facilitar os despedimentos e diminuir as indemnizações e o valor do subsídio de desemprego;

Flexibilizar os horários de trabalho e reduzir a retribuição;

Atacar a contratação colectiva e promover o trabalho gratuito com a redução de feriados e dias de férias.

Esta é uma política que é preciso combater. Dia 11 vamos manifestar todos os descontentamentos, protestos e indignações contra a política que rouba aos trabalhadores e ao povo ao mesmo tempo que empurra o país para o precipício.


(Divulga durante a semana a convocatória da CGTP-IN) Partilha!

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Isto está mal - também para os publicitários.


Frente
Ferragens.Fev.2012


Verso (ou vice-versa)
Centro Optico.Fev.2012
A hora é de poupança, já se sabe. Um folheto, formato A6, deixado no pára-brisas do meu carro, é um sinal de que o sector da publicidade anda a usar métodos de consociação. Na natureza há várias evidências de trabalho conjunto dos animais pela sobrevivência, como é exemplo o uso dos afídios pelas formigas; as formigas transportam os pulgões até as folhas, estes cortam-nas, e as formigas mamam a seiva.

Um folheto, a uma cor, com publicidade a ferragens dum lado e a um centro óptico do outro, pode ser entendido como uma estratégia de aproveitamento do papel dos dois lados (coisa inviável em papeis como o higiénico), o público alvo será o mesmo como deve ter ditado o estudo de marketing desenvolvido; o que não se sabe é onde os promotores se encontraram. Terá sido o oftalmologista que foi à loja comprar uma bigorna de afinar lentes, ou o ferramenteiro que foi tratar do olho?

Que isto anda mal na publicidade sou testemunha, ainda não me estreei com um trabalhinho este mês por mais meias horas que acrescente ao horário de trabalho; mas como se vai trabalhar no dia de carnaval o mês está safo.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Acordo ortográfico fora do CCB. Tem graça, Graça Moura.

CCB.Fev.2012


Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico.

Vasco Graça Moura, recém-nomeado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB) mandou desinstalar os conversores informáticos que adaptam textos ao “Acordo Ortográfico” (AO). A escrita é como cá se conversa e os conversores vão “bater papo” para outro lado. A directiva tem o acordo unânime da actual direcção do CCB.

É louvável a iniciativa de Vasco Graça Moura, um notável homem de cultura com o qual não tenho qualquer sintonia política. Sempre estive nas antípodas das suas opções e guerras políticas, excepto no que à defesa da língua portuguesa diz respeito. Também eu recuso aplicar o último Acordo ortográfico.

O facto de Graça Moura espetar uma lança em defesa da língua portuguesa numa das montras mais importantes da cultura nacional, vai relançar a polémica sobre um tema impossível de gerar consenso. Decorre a subscrição da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o AO, espera-se que esta acção permita acelerar a recolha de assinaturas.


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Troika exagerou na austeridade. Poul Thomsen quer abrandar.

Poul Thomsen. Jan 2012


Enquanto se continua a aturar as mensagens dos governantes portugueses de que vamos cumprir com o acordo troiko custe o que custar, sem interessar a quem custa, é a própria troika através do seu líder, o dinamarquês Poul Thomsen, do FMI, que vem dizer “Temos de abrandar um pouco no que diz respeito ao ajustamento orçamental”.

Thomsen fez estas declarações ao jornal grego Kathimerini, citado pela nossa imprensa; diz também “que tem de se acelerar na implementação das reformas estruturais” e sabe-se o que isso significa.

Já em Novembro passado, em entrevista ao Expresso, Poul Thomsen tinha afirmado: “Se virmos a economia afundar-se reconsideraremos as medidas de austeridade”. Que a economia está a afundar-se só não vêem os autistas do PSD e CDS mais os ministros estrangeirados que foram buscar. Todos os indicadores estimados no Memorando troiko estão ultrapassados, do nível de desemprego à contracção do PIB; A recessão está instalada mais profundamente também graças às medidas “além da troika” de Passos Coelho/Paulo Portas.

Ao contrário do que afirma Passos Coelho, é evidente que o futuro do país não depende do cumprimento do Memorando. O Memorando idealizado para Portugal, como para a Grécia, falhou. O que assistimos agora é a um Passos Coelho agarrado a um documento que lhe permitiu começar a implementar um projecto ideológico.

Para o FMI (principalmente esta parte da troika) repetir a dose do remédio que falhou flagrantemente na Grécia, em Portugal, sem atender aos ensinamentos que o erro grego traz, é um factor de desprestígio na instituição e nos agentes envolvidos. Falharam em muitos lados mas nenhum tem a visibilidade da situação europeia.

Vamos provavelmente assistir à resistência do governo português em abrandar as medidas de austeridade. Seria um caso único no mundo e na história da ingerência do Fundo Monetário Internacional; um governo pior para o povo que o elegeu, que a intervenção forçada do FMI.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Manifesto contra energias renováveis. Sócrates e o nuclear.

Mira Amaral (BIC laranja). Jan2012


O lóbi da energia nuclear apresenta hoje, pela terceira vez, um manifesto contra as renováveis. A altura não podia ser pior e os argumentos tão pouco convincentes. Como vem anunciado ser contra o “monstro eléctrico” “consequência da política do governo de José Sócrates”, pode-se pensar ser mais da clássica fumaça para desviar atenções, no dia em que os portugueses são massacrados por mais aumentos brutais nos transportes.

A não ser assim louva-se a insistência, particularmente após os incidentes de Fukushima que aconselhariam a hibernação por uns tempos de propostas para centrais nucleares. Não significa que não se possa discutir o Nuclear, mas tem de ser com argumentos sérios. As alcavalas na factura da EDP e os preços da energia para 2013 não é o caso, são um embuste porque não vai haver energia nuclear portuguesa para o ano, nem que estivesse decidido há dez anos atrás.

O manifesto foi anunciado como sendo de especialistas em energia, mas só se vêem banqueiros e Industriais a assiná-lo. Desta vez não é encabeçado por Mira Amaral, como em 2010, (está assinado por ordem alfabética) devido a ter-se sabido que Mira Amaral, que agora é contra a energia eólica dinamizada pelo governo Sócrates, apresentou a esse mesmo governo Sócrates um projecto de parque eólico off-shore ao largo de Aveiro; foi-lhe recusado por Manuel Pinho. Se lhe tivessem dado luz verde seria hoje um industrial das “eólicas” como o seu camarada de partido Carlos Pimenta, e nós teríamos mais alcavalas na factura da EDP, para pagar o custo mais elevado dos parques off-shore.

A “factura” da EDP tem de ser renegociada (como as parcerias publico privadas) mas isso nada tem a ver com o diferencial de custos entre fontes energéticas, são contratos e não opções, não há solução que não seja diversificar as formas de produzir energia, dizem os especialistas e parece ser de bom senso. A União Europeia aposta nas renováveis e Obama enfrenta o poderoso lóbi dos petróleos para fazer o mesmo.

O preço da energia de origem fóssil tem tendência a subir e a aproximar-se dos valores da eólica. É para isso que Paulo Portas está a trabalhar no Conselho de Segurança da ONU, promovendo novas aventuras bélicas na Síria e no Irão. Ai está o verdadeiro problema, que ameaça elevar o custo do crude a valores incomportáveis pelas economias globais.

Ainda ontem vi na televisão um especialista dizer que em condições normais o preço do barril devia estar à volta de 45 dólares, está a mais de 110 e o Irão afirma que ultrapassará 150 dólares em caso de conflito no Estreito de Ormuz.

Este é o problema nuclear, nada tem a ver com a energia nuclear.

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